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Ex-presidente da Bolívia afirma que é vítima de intimidações na prisão

Detida desde março, Jeanine Áñez diz que foi diagnosticada com anorexia nervosa e sofre até com alucinações

Jeanine Áñez, ex-presidente da Bolívia

Detida desde março deste ano, a ex-presidente da Bolívia Jeanine Áñez afirmou na sexta-feira 1º, durante uma audiência judicial realizada por videoconferência, que tem sofrido uma série de abusos e intimidações na prisão. Ela também disse que foi diagnosticada com anorexia nervosa e que seu estado de saúde é cada vez mais delicado.

“Fui avaliada por minha nutricionista com um diagnóstico de anorexia nervosa. É um diagnóstico que, sem dúvida, agrava a minha desnutrição”, afirmou Áñez. A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar caracterizado por baixo peso corporal, intenso medo de ganhar de peso, percepção distorcida do próprio peso e forma e hábitos que provocam restrição na ingestão de calorias.

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Segundo o relato da ex-presidente boliviana, ela tem sido tratada com medicamentos “de eficácia duvidosa” e em muitos momentos se sente sonolenta e até sofre com alucinações.

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“É perigoso para mim descer o corredor da prisão para tomar sol, o que não faço há mais de um mês. Essas violações de meus direitos são cometidas sob o olhar insensível das autoridades penitenciárias”, denunciou Áñez. Ela afirmou ainda que só obteve permissão para receber a visita de seus advogados e não pode, por exemplo, conversar com o psiquiatra.

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“Presumo que a única coisa que o governo está procurando e vai conseguir é a minha morte no curto prazo”, disse a ex-presidente interina.

Durante a audiência, Jeanine Áñez passou mal, e a sessão teve de ser suspensa. O depoimento deve prosseguir neste sábado, 2.

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Áñez foi denunciada pela Procuradoria-Geral da Bolívia por uma série de crimes, entre os quais o genocídio. A denúncia se refere ao comportamento da então presidente durante manifestações da antiga oposição, em 2019. Na ocasião, dezenas de pessoas morreram em atos que foram marcados por violência, vandalismo e confrontos com a polícia.

Se for julgada e condenada por genocídio, Áñez poderá pegar uma pena de mais 20 anos de prisão. Em julho, a Justiça boliviana negou um pedido de soltura apresentado pela defesa da ex-presidente, acusada de sedição, terrorismo e conspiração.

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