O governo da Albânia discute a criação do Estado Soberano da Ordem Bektashi, um microestado muçulmano dentro da capital, Tirana. O primeiro-ministro, Edi Rama, apresentou a proposta em 2024. A iniciativa permanece como tema politicamente sensível no país.
Atualmente, o projeto segue em elaboração legislativa e ainda não passou por votação no Parlamento. Caso avance no Congresso, o plano deve resultar no menor país do mundo, com cerca de 100 mil metros quadrados, o equivalente a cinco quarteirões de Nova York, segundo o jornal The New York Times (NYT).
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Nesse sentido, o território ficaria abaixo da extensão da Cidade do Vaticano, que possui aproximadamente 440 mil metros quadrados.
O projeto delimita o novo Estado em um complexo localizado na região leste de Tirana. A proposta estabelece um enclave com administração própria, emissão de passaportes e controle de fronteiras.
A área pertence à Ordem Bektashi, uma corrente mística de tradição sufista dentro do islamismo. Fundada no Império Otomano no século 13, a fraternidade mantém sua sede, o Centro Mundial Bektashi, na Albânia desde 1929.
Premiê quer alterar percepção europeia sobre o Islã
Rama defende a criação do microestado como uma forma de reforçar a “tolerância religiosa”. O primeiro-ministro descreveu o território como uma estrutura simbólica, “sem muros, sem polícia, sem exército, sem impostos nem outros atributos, mas uma sede, um estado espiritual”.
Ele espera que o projeto dissocie, na percepção da população europeia, a relação entre islamismo e terrorismo. “Não deixem que o estigma dos muçulmanos defina quem são os muçulmanos”.
Segundo o NYT, o projeto prevê um território sem restrições e costumes. A proposta inclui a liberação do consumo de álcool, autonomia para a escolha de vestimenta pelas mulheres e ausência de normas rígidas de comportamento.

O controle do novo Estado ficaria sob responsabilidade de Baba Mondi, ex-oficial do Exército Popular Albanês — que serviu à República Socialista da Albânia —, e atual líder da Ordem Bektashi.
Europa pode ter avanço expressivo até 2050
Levantamento do Pew Research Center divulgado em junho de 2025 mostra que os muçulmanos foram o grupo religioso que mais cresceu no mundo entre 2010 e 2020. Ainda assim, permanecem como o segundo maior grupo religioso global, atrás apenas dos cristãos.
Nesse período, a população muçulmana aumentou em 347 milhões e chegou a 2 bilhões de pessoas. Os cristãos cresceram em 122 milhões e somaram 2,3 bilhões.
A diferença entre os dois grupos diminuiu ao longo da década. Em 2010, os muçulmanos representavam 23,9% da população mundial, enquanto os cristãos somavam 30,6%. Em 2020, essas proporções passaram para 25,6% e 28,8%, respectivamente. O crescimento cristão foi limitado por altas taxas de abandono religioso.
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Em 2017, o Pew Research Center projetou, no relatório “Europe’s Growing Muslim Population”, que o número de muçulmanos na Europa pode chegar a triplicar até 2050.
Naquele período, os muçulmanos representavam 4,9% da população europeia, o equivalente a cerca de 25,6 milhões de pessoas. Em 2010, o contingente era menor, próximo de 19,5 milhões distribuídos por 30 países.
A expansão ganhou força a partir de 2014, impulsionada pela entrada anual de cerca de 500 mil muçulmanos no continente, muitos deles provenientes de zonas de conflito, como Síria, Iraque e Afeganistão.
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