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EUA reforçam presença no Oriente Médio com envio de porta-aviões

Ação norte-americana ocorre em resposta ao impasse sobre a possível participação do país no conflito entre Israel, seu aliado, e o Irã

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump | Foto: REUTERS/Nathan Howard/File
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Nathan Howard/File/Reuters

Os Estados Unidos (EUA) intensificam sua presença militar no Oriente Médio, com o envio do porta-aviões USS Gerald Ford, considerado o mais avançado do mundo. A ação é uma resposta ao impasse sobre a possível participação norte-americana no conflito entre Israel ao Irã.

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A embarcação, atualmente atracada em Norfolk, deve ir ao Mediterrâneo oriental e se juntar aos porta-aviões USS Carl Vinson, que já opera próximo ao golfo Pérsico, e ao USS Nimitz, previsto para chegar da região do mar do Sul da China nos próximos dias.

O grupo liderado pelo Carl Vinson já conta com, ao menos, dois destróieres no mar Vermelho. Eles atuam no combate a ataques de rebeldes houthis do Iêmen. Apesar de uma trégua com potências ocidentais, eles seguem lançando mísseis e drones contra Israel em apoio ao Irã.

Leia mais: “Defensor do Hamas”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 273 da Revista Oeste

Paralelamente, Donald Trump determinou o envio de quase 30 aviões-tanque para bases europeias. A intenção é reforçar a capacidade de operação tanto dos Estados Unidos quanto de Israel. A frota de aviões-tanque israelense é limitada a dez aeronaves, sendo seis de longo alcance.

Reforço das bases e contingente militar dos EUA

O porta-aviões da Marinha dos EUA USS Gerald R. Ford (CVN-78) navega pelo Oceano Atlântico
O porta-aviões da Marinha dos EUA USS Gerald R. Ford (CVN-78) navega pelo Oceano Atlântico | Foto: Jackson Adkins/EUA

Trump reforçou também a estrutura militar norte-americana na região, somando defesas adicionais às 19 bases — das quais oito são permanentes — com destaque para a principal instalação no Qatar, localizada em frente ao Irã.

Além disso, a base de Diego Garcia, no oceano Índico, permanece em alerta máximo. Há bombardeiros e aviões de apoio prontos para atuação no Oriente Médio. Estima-se que o contingente de militares dos EUA na região chegue a 45 mil, número superior aos 30 mil registrados em períodos de menor tensão.

Entre os navios destacados, o USS Nimitz, lançado em 1972, é o mais antigo em atividade, enquanto o USS Carl Vinson opera desde 1980, ambos com capacidade de deslocar 88 mil toneladas.

Já o USS Gerald Ford, comissionado em 2017, representa uma nova geração de superporta-aviões. Ele desloca mais de 100 mil toneladas e mede 333 metros de comprimento. O Ford pode transportar até 90 aeronaves, normalmente operando 55 caças F/A-18 Super Hornet, e possui catapultas eletromagnéticas capazes de lançar 220 aviões por dia — capacidade 25% superior a dos Nimitz.

Leia também: “O navio de idiotas de Greta em Gaza já foi tarde”, artigo de Brendan O’Neill, da Spiked, publicado na Edição 273 da Revista Oeste

Cada grupo de porta-aviões é acompanhado por três a seis destróieres, um cruzador, navios de apoio e um submarino nuclear de ataque. Apenas essa força supera a maioria das marinhas globais e representa um obstáculo significativo às forças navais e aéreas do Irã, que concentra sua defesa em mísseis balísticos, capazes de ameaçar as embarcações norte-americanas.

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3 comentários
  1. Fabian Berman
    Fabian Berman

    Israel representa a civilização ocidental . Portanto a defesa de Israel é um dever moral de quem defende a liberdade e a democracia.
    Israel está lutando por sua existência e ao contrário do que aconteceu na segunda guerra mundial os judeus não são mais indefesos e hão de prevalecer sobre a barbarie da ditadura do Irã.

  2. Régis Almeida
    Régis Almeida

    Israel desmascarou o Ocidente

    Somos todos Israel!🇮🇱😈

    O Ocidente, entendido como a civilização europeia com a sua matriz filosófica na Grécia e a sua interpretação do mundo a partir do Novo Testamento da Bíblia, do cristianismo, viveu sempre numa contradição entre os valores que racionalmente erigiu como os seus e que apregoava — uma ética — e a sua prática, subordinada aos interesses. O Ocidente, os seus pensadores e os seus povos, tiveram sempre a noção do pecado enquanto violação dos mandamentos. Os grandes pensadores do Ocidente promoveram o conhecimento do homem enquanto ser racional, mas também enquanto ser ético, que a racionalidade deve ser o alimento da “boa vontade”. A eleição da boa vontade, do bem fazer, como fundamento para os homens serem julgados marcou a rutura entre o cristianismo e o judaísmo. O cristianismo é uma religião (e uma filosofia) de redenção. A redenção cristã é um resgate de uma situação de “fora da lei” (pecado original) que se salva se cumprir os valores pregados por Cristo. A redenção não faz parte da filosofia do judaísmo. No judaísmo não existe a ideia de que o relacionamento entre Deus e os seus fiéis precise ser restaurado. Por isso mataram o Cristo que se apresentou na Palestina a afirmar que vinha à Terra restaurar a ligação entre os homens e Deus, propondo a Paz. A fronteira entre o Antigo e o Novo Testamento é a fronteira entre a Guerra e a Paz. O deus dos judeus é o deus dos direitos dos seus fiéis — o Povo Eleito e a Terra Prometida. Os seus fiéis têm direito a tudo e podem fazer tudo para o conseguir. O deus do cristianismo é o deus dos deveres. O conflito que existe há mais de mil anos entre judeus e cristãos assenta no antagonismo entre direitos e deveres. A filosofia do ocidente pós-socrático funda-se no dever e na ética. Kant é considerado o filósofo do Dever na civilização ocidental. E os ocidentais aceitaram (embora não o tenham praticado) que todo homem, quando diante de uma situação que exija escolha, faz (ou deve fazer) a pergunta: o que devo fazer para bem conduzir minha ação? Está subjacente à pergunta a busca por uma regra de conduta capaz de fornecer meios ao arbítrio para que a escolha seja da melhor ação a praticar. Isso demonstra que o homem ocidental se orienta pela noção do dever e a resposta tem que provir dela. A noção de boa vontade, fundada no princípio do dever, é aquela que se apresenta como regra de conduta na sociedade ocidental. As nossas ações individuais ou coletivas podem ser consideradas sob um duplo ponto de vista: ou de uma vontade conforme à razoabilidade, ou de um ponto de vista de imposição de uma vontade até onde as inclinações e os meios disponíveis permitirem, sem limites. A ação de Israel desde a sua fundação a meados do século vinte tem sido um contínuo atentado aos princípios do cristianismo da civilização ocidental. O Ocidente do pós-segunda Guerra aceitou a corrupção dos seus princípios e ganhos civilizacionais por razões conhecidas: sentimento de culpa pela Inquisição e pelo Holocausto, por interesses estratégicos, financeiros, económicos. O Ocidente tinha duas opções para se relacionar com Israel, ou escolhia o ponto de vista moral do cristianismo — dos deveres — e impunha as suas regras; ou agia motivado pelo princípio do interesse de que a melhor ação é a que sacia o desejo, o principio da prevalência dos direitos. Não deixa de ser chocante ouvir políticos ocidentais referir o Direito Internacional, ou o Direito Comum a propósito do longo conflito entre o Estado Israel e os palestinianos para negar os direitos dos palestinianos e defender os interesses dos israelitas em nome do direito!

    A política de Israel na Palestina é muito fácil de decifrar: uma limpeza étnica de um território para ali constituir um Estado totalitário, no sentido em que apenas serão cidadãos com direitos os que tenham o mesmo Deus, que cumpram os mesmos rituais, que se submetam aos mesmos rabis, que considerem os mesmos inimigos, que estejam dispostos a cometer os mesmos crimes em nome do interesse do mesmo Estado do Povo Eleito. O apoio do Ocidente a esta política, com a hipócrita proposta dos dois estados — uma monstruosa falácia — que foi acompanhada com o discurso do “direito de defesa de Israel”, um estado ocupante a defender-se do ocupado! — deu ânimo a Israel para uma longa série de massacres e de crimes, de que o ataque a Gaza é o mais recente e o mais desumano episódio. Mas, a desumanidade da ação de Israel na Palestina conduz a uma conclusão que cada um de nós, os do ocidente, como nos qualificou Camões, responderá de acordo com as suas convicções. O evidente é que o Estado de Israel, criado pelo Ocidente, impôs aos cristãos o Velho Testamento , impôs a sua religião de direito à violência. O Antigo Testamento contém mais de seis mil passagens que falam explicitamente sobre nações, reis ou indivíduos que atacam, destroem e matam. Deuteronômio “Quando vocês avançarem para atacar uma cidade, enviem-lhe primeiro uma proposta de paz. Se os seus habitantes aceitarem e abrirem as suas portas, serão seus escravos e se sujeitarão a trabalhos forçados. Mas se eles recusarem a paz e entrarem em guerra contra vocês, sitiem a cidade. Quando o Senhor, o seu Deus, a entregar em vossas mãos, matem ao fio da espada todos os homens que nela houver. Mas as mulheres, as crianças, os rebanhos e tudo o que acharem na cidade, será de vocês; vocês poderão ficar com os despojos dos seus inimigos dados pelo Senhor, o seu Deus.” Já seria uma derrota civilizacional o Ocidente aceitar esta barbárie, que podia ser a descrição do que está a acontecer em Gaza, mas ela está associada à derrota do Estado Liberal que foi erigido na Europa à custa de tantos sacrifícios e sangue, da civilização associada aos direitos cívicos e políticos, à separação da religião do Estado, à revolução francesa, às modernas repúblicas. O apoio “incondicional” a Israel é o apoio a um estado totalitário que tem os mesmos fundamentos dos estados islâmicos. Os políticos ocidentais, os intelectuais do sistema, os seus propagandistas estão a promover uma ordem e um tipo de sociedade de violência, de negação da liberdade, de sujeição clerical, uma sociedade “talibânica”, que não se distingue da sociedade talmúdica ou corânica. Apoiar Israel é uma regressão política e civilizacional. Avanço seria integrar Israel no grupo dos estados laicos e igualitários, promover o fim do duplo apartheid, religioso e étnico. Racista, em suma. Das três religiões do “Livro” apenas o cristianismo separou a religião do Estado, essa separação foi o interruptor que permitiu ao Ocidente tornar-se simultaneamente a sociedade tecnologicamente mais avançada do planeta, socialmente mas igualitária e politicamente mais diversificada. É desta civilização que estamos abdicar. É esta assunção de derrota civilizacional que está em causa com o apoio a Israel, que a seguir a Gaza irá atacar a Cisjordânia, até reinventar e impor um fantasioso grande Israel! É assim que vocês tratarão todas as cidades distantes que não pertencem às nações vizinhas de vocês.

  3. Régis Almeida
    Régis Almeida

    A CRISE ÉTICA E MORAL DO OCIDENTE NO APOIO A ISRAEL

    A mídia global, como instrumento de poder, revela uma crise ética profunda ao normalizar a violência israelense enquanto demoniza inimigos políticos. Palestina e Irã são feridas abertas que permitem esta crítica.

    A seletividade na cobertura de conflitos — como os ataques sistemáticos a Gaza e as retaliações iranianas — expõe uma narrativa que recalibra a régua moral para absolver aliados estratégicos. O algoz de um é a vítima do outro.

    Enquanto hospitais palestinos são reduzidos a escombros e crianças contabilizadas como “danos colaterais”, a mídia ocidental silencia ou relativiza, reproduzindo padrões históricos de impunidade para regimes aliados.

    Essa assimetria não apenas corrompe o jornalismo, mas também legitima uma ordem internacional fundada em hipocrisia e mentiras. O jornalismo deu lugar à propaganda. 

    A demonização do Irã contrasta com a indulgência a Israel, expondo um projeto político de construção de inimigos, ignorando os aspectos humanos de povos e demonizando líderes vistos como alvos.

    A linguagem midiática, por exemplo, classifica o Irã como “regime” (termo carregado de desprezo), enquanto Israel é tratado como “governo legítimo”. Essa dicotomia prepara o terreno para justificar intervenções militares, como observado em contextos históricos de colonialismo.

    Quando o Irã ataca um hospital em Bersheba, a mídia o transforma em “barbárie sem precedentes”, mas omite que Israel bombardeou um hospital em Kermanshah dias antes, ferindo civis. A seletividade moral aqui é estrutural, não acidental. A imprensa mainstream trabalha para o sionismo. 

    A escala da violência expõe também a hipocrisia ocidental. Enquanto Israel matou (números estimados) mais de 80 mil palestinos (incluindo 24 mil crianças) e destruiu 44 hospitais em Gaza, o Irã registrou pelo menos de 220 mortos em ataques israelenses.

    No entanto, a mídia inverte as proporções, atribuindo ao Irã uma “ameaça existencial” e reduzindo o genocídio palestino a números técnicos, transformando seres humanos em dados estatísticos.

    Essa distorção repete padrões coloniais, onde a resistência de populações oprimidas é criminalizada, enquanto a violência do colonizador é naturalizada como “autodefesa”. A expressão “o direito de Israel se defender” consolida este método. 

    A cultura de impunidade israelense é sustentada por aliados ocidentais que fornecem armas e proteção diplomática. Os EUA e a União Europeia, ao mesmo tempo que fingem “preocupação humanitária”, ignoram relatórios da Anistia Internacional e da HRW que denunciam apartheid e crimes de guerra.

    O ministro israelense Itamar Ben Gvir, que defende a pena de morte para palestinos, simboliza essa impunidade, repetindo slogans de ódio como “Que suas aldeias queimem” durante marchas em Jerusalém. A mídia, ao não questionar essas ações, torna-se cúmplice de um projeto de limpeza étnica. 

    O Irã, por sua vez, é tratado como um “demônio conveniente” para desviar o foco dos crimes israelenses. Sua retaliação ao assassinato de comandantes pela Guarda Revolucionária é enquadrada como “terror”, enquanto o contexto — como o bombardeio israelense a todo um conjunto residencial civil — é omitido.

    A narrativa ocidental, ao destacar apenas a retórica bélica iraniana (como “os portões do inferno se abrirão”), ignora que a resistência é uma resposta a agressões sistemáticas. Essa construção de inimigo serve para desumanizar populações e justificar sanções ou intervenções.  

    A voz das ruas revela um crescente repúdio à hipocrisia ocidental. Movimentos globais de solidariedade à Palestina denunciam o apoio incondicional a Israel. O Irã passou a ser um dos países mais amados do planeta, pois ele – da pior maneira possível, através da guerra – representa o último sentido de justiça para milhões de pessoas.

    Comentários nas redes, como “Israel tem dificuldades contra exércitos reais, não mulheres e crianças”, refletem a percepção de que a máquina de guerra israelense depende da impunidade. A resistência palestina, símbolo de luta anticolonial, contrasta com o declínio moral de Israel, cada vez mais isolado.

    Em conclusão, a crise ética do Ocidente reside em sua incapacidade de aplicar padrões universais de justiça. O ataque iraniano a um hospital israelense é condenável, mas não apaga décadas de violência israelense normalizada.

    Como disse Hussein Abu Khdeir, pai de um adolescente palestino assassinado: “Quem aceitaria seu filho sequestrado e morto?”. A história julgará não apenas os crimes, mas também os narradores que os legitimaram. Enquanto isso, a Palestina resiste — e o mundo, mesmo que lentamente, desperta para sua causa.

    Que o Irã resista e vença!

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