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EUA e Irã buscam acordo em meio a ameaça de Trump

Governo israelense vai reforçar com Washington a necessidade de manter exigências, como limites ao programa de mísseis balísticos

Benjamin Netanyahu Steve Witkoff acordo Irã
Benjamin Netanyahu e Steve Witkoff se reuniram em Jerusalém | Foto: Kobi Gideon/GPO

Os Estados Unidos (EUA) e o Irã retomarão nesta semana, em Istambul, as negociações sobre o programa nuclear iraniano, em meio a um alerta do presidente Donald Trump de que “coisas ruins” podem acontecer caso não haja acordo. O aviso veio acompanhado do envio de navios de guerra norte-americanos para a região e de uma rodada de consultas do governo dos EUA com Israel.

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“Temos navios indo em direção ao Irã agora, grandes, os maiores e os melhores, e estamos conversando com o Irã”, afirmou Trump no Salão Oval. “Se conseguirmos chegar a um entendimento, ótimo. Se não, coisas ruins provavelmente acontecerão”, destacou o presidente. “Em seguida, admitiu incerteza quanto ao desfecho: “Eu gostaria de ver um acordo negociado. Não sei se isso vai acontecer”.

As conversas serão conduzidas pelo enviado especial norte-americano Steve Witkoff e pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi. Segundo fontes diplomáticas declararam à Reuters, representantes de Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Egito, Omã e Paquistão também devem participar de encontros paralelos. A principal rodada está prevista para sexta-feira.

Antes da reunião, Witkoff desembarcou em Israel e se encontrou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e autoridades da área de defesa. Em Jerusalém, a avaliação é que a visita busca esclarecer as linhas vermelhas israelenses em uma eventual negociação com Teerã.

O governo israelense pretende reforçar com Washington a necessidade de manter três exigências centrais feitas por Trump: fim do enriquecimento de urânio no Irã, limites ao programa de mísseis balísticos e encerramento do apoio iraniano a grupos terroristas na região, como o Hezbollah e o Hamas.

EUA diante de fragilidade do Irã

A pressão norte-americana ocorre em um momento de fragilidade interna do regime iraniano. No mês passado, forças de segurança reprimiram protestos antigovernamentais com violência, no episódio mais sangrento desde a Revolução Islâmica de 1979. Segundo autoridades atuais e ex-integrantes do governo ouvidos pela agência, a cúpula teme que um ataque dos EUA funcione como gatilho para uma nova onda de manifestações.

Em reuniões internas, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi avisado que a população perdeu o medo da repressão. “Um ataque combinado com manifestações de pessoas revoltadas poderia levar a um colapso [do sistema no poder]”, disse o aiatolá.

Leia também: “Terror à deriva”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 307 da Revista Oeste

“Essa é a principal apreensão entre os altos-comandos e é exatamente o que nossos inimigos desejam”, afirmou um dos oficiais. Um ex-integrante do alto escalão resumiu o clima: “O muro do medo desmoronou. Não há mais medo”.

Teerã passou a sinalizar disposição limitada para negociar. Um representante iraniano afirmou que o país estaria disposto a demonstrar flexibilidade no enriquecimento de urânio, inclusive com a entrega de cerca de 400 quilos de material altamente enriquecido e a aceitação de enriquecimento zero dentro de um consórcio internacional. Em troca, o Irã exige que não haja pré-condições formais e que ativos militares norte-americanos se afastem de sua costa. “Agora a bola está com Trump”, disse o oficial.

Apesar disso, fontes iranianas revelam que as exigências feitas por Washington continuam sendo vistas como violações de soberania. Entre os três pontos levantados pelo governo norte-americano, o programa de mísseis balísticos é considerado o principal entrave.

Em Israel, o nível de alerta foi elevado. O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que o país vive um “período de aprimoramento da preparação para a guerra” e destacou a necessidade de prontidão para operações em múltiplas frentes. “Precisamos permanecer alertas e constantemente preparados para uma vitória decisiva.”

Autoridades iranianas advertiram que qualquer ataque resultaria em retaliação contra Israel e alvos norte-americanos no Oriente Médio. Netanyahu respondeu ao afirmar que o país está “preparado para qualquer cenário”. “Quem nos atacar enfrentará consequências insuportáveis.”

O histórico de conflito recente pesa sobre as negociações. Em 2025, Israel atingiu alvos ligados aos programas nuclear e de mísseis do Irã. Os EUA também participaram dos bombardeios no final. Embora Teerã negue buscar armas nucleares, autoridades israelenses afirmam que o país elevou o nível de enriquecimento de urânio para patamares sem uso civil, dificultou inspeções internacionais e avançou em capacidades balísticas.

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