O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã se aproxima de um mês. As forças norte-americanas só conseguem afirmar com certeza que destruíram cerca de um terço do vasto arsenal de mísseis do Irã, disseram cinco fontes com acesso a informações de inteligência norte-americana à agência Reuters.
Outra parcela semelhante do arsenal tem situação menos clara, mas bombardeios provavelmente danificaram, destruíram ou soterraram esses mísseis em túneis e bunkers subterrâneos, disseram quatro das fontes, sob condição de anonimato.
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Uma das fontes afirmou que a avaliação é semelhante no caso dos drones iranianos, com cerca de um terço comprovadamente eliminado. A análise sugere que, embora a maior parte dos mísseis esteja destruída ou inacessível, o Irã ainda dispõe de um estoque significativo e pode recuperar parte do material danificado ou enterrado depois do fim dos combates.

O diagnóstico contrasta com declarações públicas do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou nesta quinta-feira, 26, que o Irã teria “muito poucos foguetes restantes”. Na mesma ocasião, ele reconheceu o risco representado pelos armamentos remanescentes para eventuais operações norte-americanas no estratégico Estreito de Ormuz.
“O problema com o estreito é o seguinte: mesmo que façamos um ótimo trabalho e eliminemos 99% dos mísseis, 1% é inaceitável, porque pode significar um míssil que atinge o casco de um navio que custa US$ 1 bilhão”, disse Trump, em reunião de gabinete transmitida pela TV.
Um funcionário do Pentágono afirmou que os ataques iranianos com mísseis e drones caíram cerca de 90% desde o início da guerra. Segundo ele, o Comando Central dos EUA também danificou ou destruiu mais de 66% das instalações de produção de mísseis, drones e embarcações do Irã.

A Casa Branca não comentou oficialmente a avaliação. A estratégia do governo Trump inclui enfraquecer as Forças Armadas iranianas, destruir suas capacidades de mísseis e drones e impedir o desenvolvimento de armas nucleares. A operação militar, batizada de Epic Fury, estaria dentro ou até à frente do cronograma, segundo o Comando Central.
Até a última quarta-feira, 25, mais de 10 mil alvos militares iranianos haviam sido atingidos, e cerca de 92% das grandes embarcações da Marinha do país teriam sido afundadas. Ainda assim, os militares evitam detalhar quanto da capacidade total de mísseis e drones foi efetivamente eliminado.
Parte da dificuldade está em estimar o tamanho do arsenal iraniano antes da guerra, especialmente o armazenado em instalações subterrâneas. Autoridades israelenses afirmam que o Irã possuía cerca de 2,5 mil mísseis balísticos com alcance até Israel antes do conflito. Cerca de 70% dos lançadores teriam sido neutralizados.
Apesar dos ataques, o Irã segue demonstrando capacidade operacional. Na quinta-feira, lançou 15 mísseis balísticos e 11 drones contra os Emirados Árabes Unidos, segundo o Ministério da Defesa local. Na semana anterior, atingiu pela primeira vez a base militar de Diego Garcia, no Oceano Índico, com mísseis de longo alcance.

Para especialistas, há indícios de que o impacto das ofensivas norte-americanas pode ter sido superestimado. A analista Nicole Grajewski, da Universidade Sciences Po, em Paris, afirma que o Irã ainda mantém cerca de 30% de sua capacidade de mísseis e continua operando a partir de instalações fortemente bombardeadas.
Rede de túneis do Irã representa desafio
Autoridades dos EUA reconhecem que a rede de túneis iraniana dificulta a avaliação precisa dos danos. Não está claro quantos mísseis permanecem armazenados e acessíveis no subsolo.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, destacou o desafio ao comparar a estratégia iraniana com o uso de túneis pelo Hamas em Gaza. “O Irã é um país vasto e investiu pesadamente em túneis e foguetes”, afirmou. Segundo ele, os EUA continuam a atacar esses alvos de forma “metódica e implacável”.
Leia também: “O êxito peculiar dos Estados do Golfo“, artigo de Theodore Dalrymple publicado na Edição 312 da Revista Oeste
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