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Esquerda subestimou segurança no Chile em 40 anos

Especialista diz a Oeste que a preocupação com o tema foi um dos fatores que levaram a direita a voltar ao poder, depois de período em que governou apenas 22,9% do tempo no país

José Antonio Kast eleito presidente Chile direita
José Antonio Kast foi eleito com quase 60% dos votos | Foto: Reprodução/site Partido Republicano - Chile

A retomada da direita no Chile, com a vitória de José Antonio Kast, é um sinal de que, mesmo em um país considerado estável, a criminalidade se tornou uma preocupação da população. E a esquerda, que dominou o país em várias ocasiões desde 1990, viu-se derrotada de forma expressiva.

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Em sua terceira tentativa de chegar à presidência, o líder conservador obteve 58,16% dos votos. Foi uma ampla vantagem sobre a candidata comunista, Jeannette Jara, que ficou com 41,84%.

Trata-se da maior derrota da esquerda desde o fim do regime ditatorial de Augusto Pinochet (1973–1990). Desde a redemocratização do Chile em 1990, até o fim de 2025, a esquerda governou em 77,1% do tempo e a direita, em 22,9%. Patricio Aylwin (1990–1994) e Eduardo Frei (1994–2000), ambos da Democracia Cristã e integrantes da coligação Concertación, foram presidentes ligados à esquerda.

O mesmo ocorreu com Ricardo Lagos (2000–2006) e Michelle Bachelet, em suas duas gestões (2006–2010 e 2014–2018), do Partido Socialista, também ligados à Concertación ou à Nueva Mayoría.

Recentemente, Gabriel Boric, eleito em 2022, da Frente Amplio e aliados de esquerda progressista, se tornou o representante do setor no Chile. Neste período, somente o direitista Sebastián Piñera foi presidente, entre 2010 e 2014 e 2018 e 2022, ligado ao partido Renovação Nacional (RN), da coalizão Chile Vamos.

Chile e a taxa de homicídios

Durante estes quase quarenta anos, a taxa de homicídios aumentou. Chegou a dobrar em relação a 2015, segundo a Reuters. Os sequestros bateram recorde em 2024, com crime organizado cada vez mais atuante. Para a doutora e mestre em Ciências Políticas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Juliana Fratini, houve uma certa negligência da esquerda em relação a esta demanda.

Leia também: “O equilíbrio da direita”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 301 da Revista Oeste

“O fator que ajuda a derrotar a esquerda é a ausência de políticas públicas que consigam efetivamente combater o crime organizado”, afirma ela a Oeste. O cenário é apenas uma repetição do que tem ocorrido na América do Sul como um todo, segundo ela.

“Muitas vezes, os criminosos estão dentro das instituições de combate, ou nos poderes constituídos, o que dificulta, e muito, a promoção de ações de segurança. Ademais, em países com tradição esquerdista contemporânea [apesar de terem estado ou estar sob a Ditadura], a pauta da Segurança Pública jamais foi prioritária.”

Para vencer, Kast recebeu o apoio de todos os setores da direita do país. A proposta de realizar um “governo de emergência”, com um duro discurso em termos de segurança e imigração, o elegeu. São, afinal, temas que se tornaram base das preocupações dos chilenos e dos sul-americanos.

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