As companhias aéreas estão cada vez mais pressionadas para encontrar motores e outras peças de reposição para manter seus aviões no ar. A situação está ameaçando a retomada do setor, de acordo com uma reportagem do Wall Street Journal, publicada nesta sexta-feira, 29.
Com o ressurgimento da grande demanda pelas viagens aéreas (no pós-pandemia), as fabricantes de aeronaves e suas cadeias de suprimentos estão com dificuldades para aumentar a produção e fornecer componentes para a indústria da aviação — não só para as novas aeronaves, mas também para aviões já em serviço.
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Os gargalos da cadeia de suprimentos que atrasaram tudo, desde a produção de carros até a entrega de móveis durante a pandemia, agora estão colidindo com a retomada da demanda por voos.
Como resultado, as companhias aéreas estão lutando para encontrar peças de reposição, para manter as operações sem afetar a demanda. Na lista das empresas afetadas pelo problema estão Silver Airways (EUA), Deutsche Lufthansa (Alemanha) e Qatar Airways (Catar), entre outras.
A escassez de peças está prolongando o tempo de manutenção periódica das aeronaves. Para alguns tipos de motores, revisões que normalmente levam 60 dias podem durar até 100 dias; em fuselagens, as verificações de manutenção pesada são agora cerca de sete semanas em vez de quatro.
“Há escassez de peças de reposição, que está afetando a capacidade de nossos clientes de operar com eficiência”, reconheceu o CEO da Airbus, Guillaume Faury. Ele acrescentou ainda que não há uma solução rápida para o problema. “Vai levar tempo”, disse.
Os motores são um grande gargalo. A fabricante norte-americana CFM International — líder mundial do segmento — está enfrentando um atraso de dois meses na entrega de novos motores. A Pratt & Whitney também passa por um problema parecido, com previsão de normalização só no fim deste ano.
A invasão da Ucrânia pela Rússia também contribuiu para o problema.
Uma peça usada para resfriar o ar quente do motor, conhecida como trocador de calor, está se tornando mais difícil de encontrar no mercado de aviação. A Collins Aerospace, que fabrica o componente, dependia da Rússia, mas agora está transferindo a produção para os EUA e o Reino Unido. A expectativa é que a fabricação volte ao normal apenas no próximo ano.
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