O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou documentos do caso Jeffrey Epstein com falhas graves de redação que expuseram os nomes completos de dezenas de vítimas, incluindo pessoas que nunca tornaram pública sua identidade e menores de idade à época dos abusos.
Análise do Wall Street Journal identificou que, entre 47 vítimas analisadas, 43 tiveram os nomes divulgados sem tarja adequada em arquivos tornados públicos na sexta-feira 30. Além disso, alguns nomes de vítimas apareceram sem tarja dezenas de vezes nos documentos — em um dos casos, mais de cem vezes — incluindo vítimas menores de idade.
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A legislação exigia que todos os nomes de vítimas fossem ocultados antes da publicação. O próprio Departamento de Justiça afirmou ter passado semanas realizando o processo de redação com base em listas fornecidas por advogados das vítimas.
Desde a divulgação, a pasta passou a retirar temporariamente documentos do ar para aplicar novas tarjas.
As informações de menores nos documentos do caso Epstein

Segundo o WSJ, mais de duas dezenas de vítimas menores de idade tiveram seus nomes expostos. Em alguns casos, os arquivos traziam também endereços residenciais e outros dados que permitem a identificação direta das vítimas.
Há registros de erros considerados incomuns, como listas em que quase todos os nomes foram ocultados, exceto um no meio do texto, e documentos em que apenas um nome foi redigido, enquanto todos os demais permaneceram visíveis.
O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou à ABC News que o departamento está removendo nomes sempre que notificado. Segundo ele, os erros afetariam “0,001%” do material divulgado pelo governo de Donald Trump.
Em nota, o Departamento de Justiça disse ter redigido milhares de nomes em milhões de páginas e afirmou trabalhar “dia e noite” para corrigir falhas e republicar os documentos.
Críticas de advogados
Os advogados Brad Edwards e Brittany Henderson, que representam vítimas de Epstein, disseram ter enviado uma lista com 350 nomes ao departamento em dezembro. Eles afirmam que o governo não realizou sequer uma busca básica por palavras-chave para verificar se os nomes haviam sido corretamente ocultados.
Segundo Edwards, vítimas foram obrigadas a localizar, uma a uma, as ocorrências de seus dados pessoais em milhões de arquivos e enviar dezenas — em alguns casos mais de cem — pedidos de correção.
Vítimas relataram ao Wall Street Journal que o processo tem sido retraumatizante. Desde a divulgação, nomes passaram a circular em redes sociais, e algumas mulheres afirmam ter sofrido assédio on-line.
A vítima Anouska de Georgiou, que testemunhou contra Ghislaine Maxwell, afirmou que dados pessoais seus, incluindo imagem de sua carteira de motorista, foram divulgados. Segundo ela, as informações vieram de anotações feitas por agentes federais durante a preparação de seu depoimento.
Na noite de domingo, Edwards e Henderson pediram aos juízes federais que supervisionaram os casos Epstein e Maxwell que determinem a retirada do site do ar, a revisão integral dos arquivos com base na lista de vítimas e a nomeação de um fiscal independente para supervisionar o processo.
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