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Ditadura do Irã obriga famílias a pagarem por balas que mataram os manifestantes

Preços variam e se aproximam de US$ 2 mil por projétil, relatam testemunhas

Iraniana em busca do corpo de um familiar | Foto: Reprodução/Irã Internacional

Familiares de manifestantes assassinados pela Guarda Revolucionária do Irã relataram cobranças em dinheiro para obter autorização para retirar os corpos. Segundo os depoimentos, a taxa varia.

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Um dos fatores é a quantidade de balas usadas durante a execução. Outro é que o valor cobrado por bala não é constante: varia entre US$ 480 e US$ 1.720. Entretanto, há a possibilidade de isenção.

De acordo com a plataforma de notícias Iran International, o governo do Irã permite a liberação com isenção caso a família aceite declarar o morto como membro da Basij. Trata-se da milícia armada criada para defender o regime com a chegada do aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder, em 1979 — o homem que implantou a ditadura islâmica no país.

Ditadura no Irã

Aiatolá é um membro do alto clero muçulmano. A palavra vem do árabe e significa “sinal de Deus”. Em 1979, Khomeini deu início à revolução que pôs fim ao Estado laico e impôs as regras do Islã como lei no país. Ao tomar o poder, ele assumiu o cargo de líder supremo — posto de maior autoridade no novo regime.

Khomeini permaneceu no poder até morrer, em 1989. Ele foi substituído pelo aiatolá Ali Khamenei, líder supremo no poder desde então. Sob o regime religioso, mulheres e homens não são iguais perante a lei; homossexuais passaram a ser punidos com a pena de morte; e cristãos e judeus perderam direitos.

Protestos contra o regime dos aiatolás

No fim de 2025, a população começou a sair às ruas do Irã em protestos contra o aumento do custo de vida. Conforme o movimento cresceu, a reivindicação passou a ser a deposição da ditadura islâmica. O regime intensificou a repressão para tentar conter a onda.

No sábado, 10, Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral do Irã, declarou que todos os manifestantes envolvidos na recente onda de protestos no país são “mohareb”. Trata-se de um jargão jurídico para “inimigos de Deus”, o que a legislação iraniana define como crime punível com a morte.

Organizações não governamentais estimam que até 12 mil manifestantes podem ter morrido. Na lista estão crianças, jovens e mulheres — entre elas, Rubina Aminian, de 23 anos, assassinada com um tiro na nuca enquanto protestava.

Uma face da tragédia

Rubina morreu em Teerã durante um protesto, cidade onde morava e cursava uma escola de moda. Sua terra natal fica a cerca de 500 quilômetros dali, de onde os pais viajaram para reconhecer e buscar o corpo da filha. Ao regressarem para casa, encontraram a residência lacrada pela inteligência iraniana. Os agentes informaram que o sepultamento da jovem em um cemitério não estava autorizado. O casal foi obrigado a enterrá-la em uma estrada nas proximidades.

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