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Ditadura da Nicarágua tem mais de 30 desaparecidos

Os cidadãos foram detidos pelo governo, mas não tiveram suas prisões confirmadas

daniel ortega ditador nicarágua
Daniel Ortega, ditador da Nicarágua, é acusado de perseguir todas as formas de oposição política | Foto: Divulgação/Presidência da Nicarágua

Casos recentes de desaparecimento forçado na Nicarágua têm alarmado familiares de opositores. Entidades de direitos humanos relatam ao menos 33 desaparecidos depois de detenções não confirmadas pela ditadura, entre eles o ativista e engenheiro José Alejandro Hurtado, de 57 anos.

De acordo com o jornal The New York Times, nos últimos dois anos, os episódios se tornaram mais frequentes. Dos 73 presos políticos reconhecidos oficialmente, quase metade não aparece em registros judiciais nem mantém contato com parentes.

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Hurtado foi preso sem mandado, e a família percorreu delegacias sem localizá-lo. O irmão acredita que ele foi visado por defender diálogo nacional e eleições. A repressão teria se intensificado sob Daniel Ortega e sua mulher, Rosario Murillo, de 74 anos, que não respondeu à imprensa.

Desaparecimentos na Nicarágua

O ditador Daniel Ortega e sua mulher, Rosario Murillo | Foto: Reprodução/Redes sociais
O ditador Daniel Ortega e sua mulher, Rosario Murillo | Foto: Reprodução/Redes sociais

Mortes sob custódia aumentam o temor: o corpo do advogado Carlos Cárdenas Cepeda foi entregue à família sem explicações, e o de Pablo Petri foi sepultado sem autópsia. Entre os desaparecidos há idosos, jornalistas e pastores, muitos presos em operações simultâneas que detiveram mais de 50 pessoas no verão passado.

Desaparecimentos forçados marcam a história latino-americana — na ditadura argentina, até 30 mil opositores foram mortos, lembra María Adela Antokoletz, presidente da Federação de Familiares de Detidos-Desaparecidos. Segundo ela, a prática ainda é usada para silenciar denúncias, inclusive no México e na Colômbia.

Casos como o da ativista Angelica Chavarría, desaparecida desde maio de 2024, e do ex-coronel Carlos Brenes Sánchez e sua mulher reforçam o clima de insegurança e impunidade.

Reações ao caso

A denúncia ganhou repercussão internacional. A deputada norte-americana María Elvira Salazar afirmou que “a brutalidade do regime de Ortega não tem limites” e classificou a prática como “terror de Estado”, alertando que o mundo “não pode desviar o olhar”.

No Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comentou o caso e disse que se trata do “próximo estágio da perseguição”, criticando quem apoia o ditador. “São pessoas que parabenizam Ortega que estamos combatendo”, escreveu nas redes sociais.

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