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Descoberta na Etiópia sugere nova espécie de hominídeo

O estudo revela que diferenças nos modos de vida podem ter permitido que espécies distintas partilhassem o mesmo ambiente sem competição direta

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O fóssil do pé não pertence ao Australopithecus afarensis, espécie de Lucy, pois apresenta um dedão opositor adaptado para agarrar galhos, uma habilidade ausente em Lucy | Foto: Divulgação/California Academy of Sciences

A descoberta de fósseis encontrados em Burtele, no nordeste da Etiópia, sugere que outro ancestral humano coexistiu na mesma região e época da famosa Lucy, há mais de 3 milhões de anos.

As análises sobre um pé fossilizado, descoberto em 2009, com características distintas das de Lucy, têm levado especialistas a repensarem a diversidade de hominídeos presentes nesse período.

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O fóssil do pé não pertence ao Australopithecus afarensis, espécie de Lucy, pois apresenta um dedão opositor adaptado para agarrar galhos, uma habilidade ausente em Lucy.

Pesquisadores associaram esse pé, junto com mandíbulas datadas de 3,4 milhões de anos também descobertas em Burtele, ao Australopithecus deyiremeda, até então pouco conhecido.

Os fósseis foram encontrados em Burtele, no nordeste da Etiópia | Foto: Divulgação/California Academy of Sciences

Características adaptativas

Em artigo publicado na revista Nature, cientistas detalham que novos restos fósseis, como uma mandíbula com 12 dentes, confirmam que o pé pertence ao Australopithecus deyiremeda.

“Não temos nenhuma dúvida de que o pé de Burtele pertence à mesma espécie que estes dentes e esta mandíbula”, afirmou Yohannes Haile-Selassie, principal autor do estudo, à agência AFP.

As características desses fósseis revelam que o Australopithecus deyiremeda era mais primitivo que Lucy e provavelmente passava grande parte do tempo nas árvores, alimentando-se de folhas, frutas e nozes.

Leia também: “O fim do banheiro feminino”, reportagem de Isabela Jordão publicada na Edição 298 da Revista Oeste

Os dedos adaptados para se agarrar sugerem hábitos diferentes dos Australopithecus afarensis, que viviam mais no solo.

Pesquisadores destacam que a coexistência dessas duas espécies mostra que a diversidade de hominídeos era maior do que se pensava.

“A coexistência está profundamente enraizada em nossa ascendência”, explicou Haile-Selassie.

O estudo revela que diferenças nos modos de vida podem ter permitido que as espécies partilhassem o mesmo ambiente sem competição direta.

Impacto da descoberta

Para o arqueólogo John McNabb, da Universidade de Southampton, as novas descobertas são significativas para o entendimento da evolução humana.

“Sempre haverá céticos, mas acredito que essas novas descobertas, juntamente com a validação das anteriores, ajudarão muitos pesquisadores a aceitarem melhor o Australopithecus deyiremeda”, disse McNabb, que não participou do estudo, segundo a Nature.

Ainda assim, cientistas ressaltam que consideram Lucy o ancestral mais próximo do ser humano moderno, devido à semelhança de seu pé com o atual.

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Porém, Haile-Selassie destaca que “essa descoberta abre a possibilidade de que ainda possamos encontrar outras espécies que datam deste período, já que parece que os australopitecos estavam ensaiando ser bípedes”.

Lucy, descoberta em 1974, foi por muito tempo vista como o hominídeo mais antigo já encontrado.

Em 1994, esse posto passou para Ardi, um Ardipithecus ramidus de 4,5 milhões de anos também encontrado na Etiópia, ampliando ainda mais o debate sobre os verdadeiros ancestrais do Homo sapiens.

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1 comentário
  1. jose luiz Corte
    jose luiz Corte

    Deve ser algum ancestral do Zé Dirceu. Bem parecido.

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