Recentemente, a China demonstrou capacidade de restringir exportações de minerais essenciais, criando impactos diretos em setores industriais norte-americanos e levando à reabertura de negociações bilaterais. No centro dessa influência estão políticas industriais chinesas implementadas por décadas.
O domínio da cadeia produtiva por empresas do país asiático permite a imposição de controles de exportação, dificultando o acesso de rivais a produtos-chave. Em muitos casos, alternativas fora da China são caras ou quase inexistentes.
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O presidente Xi Jinping afirmou, em 2020, que o controle das cadeias globais não deveria ser usado como arma, mas ressaltou a importância de “apertar a dependência das cadeias industriais internacionais do país como forma de proteção”.
De acordo com reportagem publicada pelo Wall Street Journal, nesta terça-feira 4, a crescente dependência dos Estados Unidos de insumos estratégicos vindos da China se revela cada vez mais como um fator de vulnerabilidade.
Estratégias e setores sob domínio da China
Entre os setores em que a China mantém forte controle estão baterias de íon-lítio, semicondutores maduros e ingredientes farmacêuticos.
Nas baterias, empresas como CATL e BYD lideram globalmente, respondendo por 79% dos cátodos e 92% dos ânodos usados nesses produtos, além de deterem 63% do mercado de lítio refinado, 80% do cobalto e 98% do grafite processado.
A partir de 2015, o governo chinês estabeleceu metas para fortalecer a indústria nacional de veículos elétricos, impulsionando centenas de fabricantes locais de automóveis e baterias.
Para manter a vantagem, a China passou a exigir, em 2024, licenças para transferência de tecnologias e exportação de equipamentos ligados à produção de baterias.
No setor de semicondutores, segundo levantamento do Wall Street Journal, a China é responsável por cerca de um terço da capacidade mundial de chips maduros, essenciais para eletrônicos, automóveis e defesa.
O país detém praticamente toda a produção global de gálio e lidera o fornecimento de germânio, minerais fundamentais para chips e células fotovoltaicas.
Com investimentos bilionários, Pequim busca autossuficiência em semicondutores, o que preocupa outros países pela possibilidade de excesso de oferta e prejuízos a concorrentes.
Em 2023, exportações de gálio e germânio passaram a exigir licenças, elevando a tensão no mercado internacional.
Um episódio recente envolveu o bloqueio da exportação de chips maduros da Nexperia, empresa holandesa, depois que o governo da Holanda assumiu seu controle.
A medida foi revertida depois das conversas entre Donald Trump e Xi Jinping, mas ilustrou os riscos: montadoras como a Honda precisaram interromper operações devido à falta dos componentes.
Dependência dos EUA do setor farmacêutico chinês
Já no campo farmacêutico, embora os medicamentos vendidos nos EUA raramente estampem “feito na China”, o país fornece grande parte dos princípios ativos e de insumos usados em remédios populares, como acetaminofeno e ibuprofeno, além de ingredientes para antibióticos.
A maior parte dos medicamentos genéricos consumidos nos EUA vem da Índia, porém muitos dos compostos químicos usados nessas fórmulas têm origem chinesa.
Leia também: “Terras raras; disputas globais fartas”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 294 da Revista Oeste
Desde 2015, a China prioriza a produção de remédios e dispositivos médicos e anunciou planos para incentivar a inovação no setor nos próximos anos.
Durante a pandemia de covid-19, Pequim sinalizou seu poder ao lembrar que restrições à exportação de insumos médicos poderiam afetar gravemente os EUA.
“Se a China restringir as exportações de produtos médicos, os EUA mergulharão no vasto oceano do coronavírus”, afirmou a agência Xinhua em março de 2020.






































Os Chineses são mestres em chantagem comercial… Só pode acabar mal.