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Como é o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo que Trump enviou ao Caribe

Navio de guerra construído pelos EUA abriga 5 mil militares e 90 aeronaves

O USS Gerald Ford é o principal ativo da Marinha dos EUA e representa uma nova geração de porta-aviões lançada em 2017 | Foto: Reprodução/PicCryl

Nesta sexta-feira, 24, o governo dos Estados Unidos enviou o porta-aviões USS Gerald R. Ford, maior e mais moderno navio de guerra do mundo, para o Mar do Caribe. A embarcação lidera um grupo de ataque composto de três destróieres — USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill —, além de esquadrões de caças F-18 e helicópteros de ataque.

Segundo o Pentágono, a missão tem o objetivo de interromper o tráfico de drogas e desmantelar cartéis latino-americanos. A manobra ocorre em meio às tensões entre o governo norte-americano e a ditadura venezuelana.

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O professor de Relações Internacionais Gabriel Cepulani afirmou, em entrevista ao Jornal da Oeste desta sexta-feira, que a movimentação de aviões militares na região não representa uma preparação para a guerra. Na visão do especialista, trata-se de um recado estratégico às ditaduras de esquerda na América Latina. “A medida busca demonstrar força diante de regimes que, eventualmente, tentem interferir nos interesses dos Estados Unidos”, observou.

A potência do USS Gerald Ford

O USS Gerald Ford é o principal ativo da Marinha dos EUA e representa uma nova geração de porta-aviões lançada em 2017. A embarcação tem capacidade para cerca de 5 mil tripulantes e até 90 aeronaves.

Batizado em homenagem ao ex-presidente Gerald Ford (1974–1977), o navio é equipado com sistemas automatizados de lançamento eletromagnético, que substituem os antigos catapultas a vapor, e pode operar missões simultâneas de ataque e defesa em grandes distâncias.

Operação militar

O Departamento de Defesa confirmou que o grupo de ataque está subordinado ao Comando Sul (USSOUTHCOM), responsável por operações na América Latina e no Caribe.

O porta-aviões deixou recentemente o Mediterrâneo, depois de exercícios conjuntos com aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Noruega, na Croácia e no Estreito de Gibraltar.

A movimentação ocorre dias depois de uma série de ataques a barcos de narcotraficantes venezuelanos e coincide com a decisão de Trump de classificar cartéis de drogas sul-americanos como organizações terroristas.

O governo norte-americano também dobrou a recompensa pela captura de Maduro para US$ 50 milhões e acusa o ditador venezuelano de chefiar o “Cartel de los Soles”.

Reação de Caracas

O regime chavista reagiu com mobilização militar. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que agentes da CIA já atuam dentro do país e prometeu resistência a qualquer ofensiva. “Sabemos que a CIA está presente na Venezuela. Qualquer tentativa vai fracassar”, disse.

O presidente Nicolás Maduro, por sua vez, apelou em inglês para que Trump evite o conflito: “No crazy war, please. A Venezuela quer paz”. Apesar da declaração, o governo venezuelano reforçou posições de defesa costeira e mantém alerta total contra possíveis incursões.

Trump tem endurecido o discurso. Em um evento recente, por exemplo, afirmou que liberou operações secretas de Inteligência e sugeriu que não precisaria de autorização do Congresso para agir. “Acho que vamos apenas matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país”, disse.

O secretário de Guerra, Pete Hegseth, ressaltou o discurso do presidente e declarou que as organizações envolvidas no narcotráfico serão tratadas como “o Estado Islâmico e a Al-Qaeda do Hemisfério Ocidental”.

USS Gerald Ford amplia presença militar na América Latina

Com o USS Gerald Ford na região, os Estados Unidos ampliam uma presença militar que já inclui aviões bombardeiros, jatos de combate e forças especiais.

Se a ofensiva evoluir para ações terrestres, os EUA poderão recorrer à doutrina de combate ao terrorismo para intensificar ataques diretos à ditadura venezuelana, o que elevaria o risco de um conflito aberto na América do Sul.

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