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Cientistas da Coalizão CO₂ desafiam narrativa climática da ONU

Carta enviada à FAO acusa o órgão de suprimir o debate científico e de promover políticas que ameaçam a produção global de alimentos

Segundo os cientistas, os registros históricos mostram que o CO₂ não é o principal controlador das mudanças climáticas | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
Segundo os cientistas, os registros históricos mostram que o CO₂ não é o principal controlador das mudanças climáticas | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

No fim de agosto de 2025, a Coalizão CO₂ (CO₂ Coalition) — organização independente e sem fins lucrativos formada por cientistas que questionam a narrativa dominante sobre as “mudanças climáticas” — enviou uma carta à sede da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma, Itália. O documento foi endereçado aos diretores Bruno Telemans e Yewon Sung e trazia cinco pontos centrais que, segundo os signatários, desmontam o discurso alarmista da FAO sobre o clima e a produção de alimentos. O texto critica o que chama de “paradoxo da imbecilidade dos tempos atuais”.

Logo no início, os autores agradecem aos diretores da FAO por terem recusado a realização de um evento paralelo em que cientistas céticos apresentariam suas pesquisas mais recentes. A ironia é evidente: segundo eles, trata-se de mais um exemplo da “estratégia de criar consenso impedindo o contraditório”. O episódio ocorreu durante a Conferência Global sobre Transformação Sustentável da Pecuária (Global Conference on Sustainable Livestock Transformation), em que seriam debatidas medidas que, de acordo com os críticos, “costumam criar problemas para o setor”.

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Na introdução, os autores também citam o artigo “The Other Climate Crisis” (“A Outra Crise Climática”), publicado recentemente na revista Nature. O estudo, afirmam, revelou grandes discrepâncias entre os modelos climáticos e os dados observados, algo raramente admitido por publicações do gênero.

Críticas ao IPCC e à “ciência do consenso”

A carta acusa o Painel do Clima da ONU (IPCC) de basear-se apenas em modelos computacionais, e não em previsões reais. Segundo os cientistas, o IPCC produz centenas de cenários imprecisos que, após três décadas, continuam se mostrando equivocados. Para eles, os resultados observados sugerem que a “ciência climática” está longe de ser consolidada e que a realidade é “muito mais positiva” do que o discurso predominante faz crer.

O texto reforça que a ciência deve buscar a verdade por meio do método científico, e não por votação ou consenso. Os autores questionam a tese de que as emissões humanas de gases de efeito estufa sejam o principal fator das mudanças climáticas, lembrando que há incertezas sobre os processos naturais que também influenciam o clima. São, dizem, “questões críticas que exigem pesquisa contínua”.

O papel do CO₂ e o risco da escassez

Entre as referências citadas, está o artigo dos físicos Richard Lindzen e William Happer, ambos membros da Coalizão CO₂, intitulado “A Física demonstra que o aumento dos gases de efeito estufa não pode causar aquecimento perigoso, condições climáticas extremas ou qualquer dano”. O estudo mostra que a concentração de CO₂ vem caindo há 140 milhões de anos, e que a taxa atual é considerada “irrisória”.

Diante disso, os autores dizem que reduzir o CO₂ pode ser perigoso para a vida na Terra, já que o gás é essencial à fotossíntese e, portanto, à produção de alimentos. É contraditório, observam, que uma organização como a FAO — cuja missão é combater a fome — defenda políticas que limitam a fertilização natural das plantas.

+ Esfriando o discurso do aquecimento?

A carta afirma que a ciência nunca foi uma questão de maioria nem de imposições de autoridades legais. A FAO, dizem os signatários, “corre o risco de ficar do lado errado da história ao suprimir o livre discurso científico”. Por isso, recomendam que a entidade retorne ao seu mandato original: erradicar a fome, combater a desnutrição e promover o desenvolvimento econômico, com base em pesquisas climáticas objetivas, não em “agendas globalistas politizadas”.

Os cinco pontos centrais

No apêndice, a Coalizão CO₂ apresenta cinco argumentos principais, semelhantes aos que já haviam sido enviados a governos brasileiros em anos anteriores. Eles contestam a narrativa de que os “gases de efeito estufa” e a pecuária seriam responsáveis pelo aquecimento global — tese que consideram “cientificamente insustentável”.

Nesta primeira parte, são analisados os dois primeiros pontos da carta. O primeiro questiona a suposta relação de causa e efeito entre temperatura e CO₂; o segundo, a confiabilidade dos modelos climáticos.

O CO₂ não controla o clima

Segundo os cientistas, os registros históricos mostram que o CO₂ não é o principal controlador das mudanças climáticas. Eles lembram que o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, em seu documentário Uma Verdade Inconveniente (2006), apresentou uma correlação invertida entre temperatura e CO₂ — erro que teria sido reproduzido pelo próprio IPCC, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz (de caráter político, e não científico) por seu trabalho.

As análises de testemunhos de gelo da Antártida, que cobrem os últimos períodos glaciais e interglaciais, mostram que as variações de temperatura precedem as de CO₂ em cerca de 800 a 1.000 anos. Em outras palavras, primeiro o clima aquece ou esfria; depois o gás aumenta ou diminui. Esse dado, reconhecido até no relatório AR4 do IPCC (2007), mostra que o CO₂ reage ao clima, e não o provoca.

O fenômeno é explicado pela solubilidade dos gases nos oceanos: quando a água esfria, o CO₂ é absorvido; quando aquece, é liberado na atmosfera. As medições em Mauna Loa (Havaí) confirmam esse comportamento.

A carta cita ainda exemplos históricos que contradizem a hipótese do aquecimento antropogênico: o Período Quente Medieval, quando os vikings cultivaram terras na Groenlândia; o Período Quente Romano, quando Aníbal cruzou os Alpes quase sem gelo; e o Ótimo Climático do Holoceno, quando florestas cresceram acima das atuais linhas de vegetação nas montanhas.

O papel dos gases de efeito estufa

O segundo ponto critica o superdimensionamento do papel dos gases de efeito estufa (GEE) nos modelos climáticos do IPCC. Segundo a Coalizão, esses modelos ignoram o declínio logarítmico da capacidade de aquecimento dos GEE à medida que sua concentração aumenta — ou seja, o efeito é cada vez menor.

Os autores afirmam que tratar a atmosfera como uma “estufa de vidro” é um erro conceitual, pois o sistema terrestre é muito mais dinâmico. A troposfera — camada mais próxima da superfície — contém vapor d’água que muda rapidamente de fase, resfriando o ambiente em vez de aquecê-lo. Além disso, as nuvens desempenham papel climático ainda pouco compreendido.

+ Trump destrói narrativa das “mudanças climáticas”

A carta também menciona o físico Syukuro Manabe, ganhador do Nobel de 2021, cujos modelos de simulação climática, segundo os críticos, apresentam erros grosseiros na representação da troposfera, com “bolsões de calor” em altitude que não ocorrem na realidade. Mesmo assim, observam, tais modelos continuam sendo usados — e premiados —, o que, para os signatários, evidencia a perpetuação deliberada de equívocos científicos.

A segunda parte da análise abordará os três últimos pontos da carta, considerados essenciais para quem atua no agronegócio brasileiro. Segundo os autores, compreender o discurso e as intenções por trás dessas narrativas é fundamental para identificar os verdadeiros inimigos da produção agropecuária.

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1 comentário
  1. Denis R.
    Denis R.

    A avaliação da situação é relativamente simples e não demanda nem muito conhecimento em climatologia para ser compreendia… se o discurso contraditório é cerceado e cientistas sérios são impedidos de falar é porque já não estamos mais falando exclusivamente de ciência!
    Não podemos ser inocentes em acreditar que fatores econômicos e políticos não direcionam as pautas climáticas mundiais…

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