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China preocupa indústria do Brasil com Trump, diz presidente da Gerdau

Executivo defende medidas mais duras contra o país, depois de as cotas de importação não terem contido o avanço do aço asiático

Presidente da Gerdau observa que hoje a China responde por cerca de um quarto do aço que entra no Brasil | Foto: Claudio Gatti/Gerdau
Presidente da Gerdau observa que hoje a China responde por cerca de um quarto do aço que entra no Brasil | Foto: Claudio Gatti/Gerdau

A deterioração nas relações entre os Estados Unidos e a China na gestão do presidente Donald Trump é uma das principais preocupações da Gerdau no cenário atual.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da metalúrgica, Gustavo Werneck, afirmou que, de um lado, a gestão republicana dá um “otimismo moderado”, à medida que são benéficas para a operação da companhia no mercado norte-americano.

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No entanto, afirmou que políticas mais duras podem fazer os chineses buscarem outros mercados para exportação, e vê o Brasil como um dos alvos.

“Essa é uma das grandes preocupações que nós temos”, afirmou Werneck ao Estadão. “Porque, quanto mais os países se fecham, a necessidade da China para manter emprego e renda aumenta, e o país vai buscar mercados de exportação, os canais mais abertos.”

O problema, segundo o executivo, é que o mundo está se estruturando contra a concorrência chinesa, mas o Brasil “está ficando para trás”.

De acordo com Werneck, esse é o principal tema em debate com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Ele defende a necessidade de medidas mais duras contra a China, depois de as cotas de importação adotadas no ano passado não terem contido o avanço do aço chinês no país.

“Essa medida foi totalmente ineficaz”, disse. “Não se reduziu a importação de aço. Estamos neste momento debatendo com o MDIC como endurecer um pouco mais. Os debates já estão na mesa. A expectativa agora é que eles [o governo Lula] tragam uma solução. Agora, a bola está com eles.”

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Werneck diz que a Gerdau não quer medidas de proteção, nem nada que esteja desalinhado com as práticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Deseja, porém, uma ação de defesa à indústria nacional.

Uma solução, sugere o executivo, seria acabar com as cotas e taxar todo o aço que entrar no Brasil. No ano passado, o governo subiu para 25% o imposto de importação para aços que ultrapassem as cotas no país.

Atualmente, a China responde por cerca de um quarto do aço que entra no Brasil. Na visão de Werneck, a situação vai piorar com Trump de volta à Casa Branca. “Vai piorar para o aço, para produtos químicos, para tudo em que a China compete de forma desleal contra a indústria global”, afirmou ao jornal.

Executivo da Gerdau defende a necessidade de medidas mais duras contra o país asiático | Foto: Divulgação/Gerdau
Executivo da Gerdau defende a necessidade de medidas mais duras contra o país asiático | Foto: Divulgação/Gerdau

O executivo também se queixa de “portas abertas” para pagar menos impostos no Brasil, a exemplo da Zona Franca de Manaus. Ele duvida se, de fato, todo o aço que tem entrado no país está sendo processado no local ou está servindo de “subterfúgio” para o menor pagamento de impostos.

Apesar dos desafios listados por Werneck, a Gerdau decidiu manter o seu plano de investimentos de cerca de R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões por ano no Brasil. Em 2024, a companhia chegou a ameaçar reduzir esse montante caso o governo Lula não agisse para barrar a concorrência chinesa.

O Executivo, então, implementou as cotas, e a Gerdau decidiu manter o compromisso. Mas Werneck disse ao Estadão que a companhia pode voltar atrás caso medidas mais duras não sejam adotadas para combater a entrada de aço chinês.

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Dentre os produtos da China que o Brasil mais importa, está a bobina de aço laminada a quente (HRC), utilizada para os setores de construção, automóveis e máquinas. É justamente neste produto que a Gerdau está aumentando a sua capacidade, com um adicional de 250 mil toneladas, a partir da segunda quinzena de março, antecipou Werneck ao Estadão.

Gerdau tem “otimismo moderado” com Trump

Questionado pelo jornal sobre o efeito da gestão Trump nas operações da Gerdau nos Estados Unidos, o executivo disse que tem um “otimismo moderado”.

Na primeira gestão do republicano, o negócio da companhia “foi bem”, conforme ele. Como a Gerdau produz em território norte-americano, o aumento de tarifas para outros países beneficia a companhia. Os planos de Trump de estimular a indústria de óleo e gás também são benéficos, disse.

“Quanto mais ele [Trump] fortalecer a indústria norte-americana e impedir a entrada de aço desleal, a competição desleal, melhor para nós”, avaliou Werneck. “Temos um otimismo moderado.”

Já quanto à estratégia da Gerdau do México, os planos estão em compasso de espera com a volta de Trump à Casa Branca. A companhia estuda investir US$ 600 milhões em uma usina de produção de aços especiais no país.

A decisão, esperada para dezembro último, deve ser tomada apenas daqui a seis meses, conforme o CEO da Gerdau.

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“A gente vai aguardar um pouco esse desenrolar da relação EUA e México. Estamos postergando a decisão final para o meio do ano”, disse Werneck ao Estadão.

Para o Brasil, a administração Trump deve ter efeito neutro, na sua visão. “Vai continuar o arroz com feijão que sempre foi nas relações comerciais”, acrescenta.

Segundo ele, o foco da Gerdau em 2025 é um olhar interno e uma busca contínua por melhoria da competitividade, de olho em um possível avanço dos competidores chineses no Brasil por conta de medidas comerciais mais duras de Trump. “Toda a companhia está com foco de ir para um patamar de competitividade que nunca tivemos”, concluiu Werneck.

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3 comentários
  1. Lrc
    Lrc

    O problema maior é que quem rege o governo brasileiro tem um histórico mais do que conhecido, inclusive do ponto de vista do Judiciário (ao menos, na 1a., 2a. e 3a. instâncias), e este histórico é muito sensível a bilhões.

  2. Route 66
    Route 66

    O que vem da China sempre será muito mais barato, lá não tem CLT e os impostos são baixos.

    1. Inteligencia Artificial
      Inteligencia Artificial

      E a qualidade é zero. Mais barato porque os escravos produzem para o Estado. CLT e escravidao nao andam de mao dadas.
      Sempre evitamos comprar produtos chineses. Respeitamos a memoria de todas as vitimas da ideologia nefasta.
      O livro negro do comunismo não busca justificar ou encontrar causas para os atos cometidos sob a bandeira do comunismo. Tampouco pretende ser mais um capítulo na polêmica entre esquerda e direita, discutindo fundamentos ou teorias marxistas. Trata-se, sobretudo, de lançar luz a um saldo estarrecedor de mais de sete décadas de história de regimes comunistas: massacres em larga escala, deportações de populações inteiras para regiões sem a mínima condição de sobrevivência, fome e miséria que dizimaram milhões, enfim, a aniquilação de homens, mulheres, crianças, soldados, camponeses, religiosos, presos políticos e todos aqueles que, pelas mais diversas razões, se encontraram no caminho de implantação do que, paradoxalmente, nascera como promessa de redenção e esperança.
      “…os regimes comunistas tornaram o crime em massa uma forma de governo”. Usando estimativas não oficiais, apresenta um total de mortes que chega aos 94 milhões. A estimativa do número de mortes alegado por Courtois é a seguinte:
      • 20 milhões na União Soviética
      • 65 milhões na República Popular da China
      • 1 milhão no Vietname
      • 2 milhões na Coreia do Norte
      • 2 milhões no Camboja
      • 1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu
      • 150 mil na América Latina
      • 1,7 milhões na África
      • 1,5 milhões no Afeganistão
      • 10 000 mortes “resultantes das ações do movimento internacional com

      Em edição revisada e com capa nova, O livro negro do comunismo traz uma vasta e complexa pesquisa — os locais, as datas, os fatos, os carrascos, as vítimas contadas às dezenas de milhões na URSS e na China, e os milhões em pequenos países como a Coreia do Norte e o Camboja. Além disso, a obra é amparada por um encarte de 32 páginas com cerca de 80 imagens e por mapas que situam e oferecem ainda mais embasamento ao leitor.

      Publicado originalmente na França, no momento em que a Revolução de Outubro de 1917 completava 80 anos, O livro negro do comunismo logo se tornou sucesso de livraria, com enorme repercussão, e deflagrou diversas polêmicas. Com mais de um milhão de exemplares vendidos no mundo e traduzido para mais de 25 idiomas, O livro negro do comunismo se consagrou e segue como uma obra referencial em estudos sobre o tema até os dias atuais, desempenhando um papel fundamental na compreensão das tragédias e complexidades do século XX.

      A grande fome de Mao
      por Frank Dikötter (Autor)

      Este relato é uma reformulação fundamental da história da República Popular da China. Com riqueza de detalhes, pesquisa e um texto pontual, Frank Dikötter expõe um importante período da história chinesa e mostra que, em vez de desenvolver o país para se equiparar às superpotências mundiais, comprovando assim o poder do comunismo — como Mao imaginara —, o Grande Salto Adiante na verdade foi um passo gigante e catastrófico na direção oposta. O país virou palco de um dos assassinatos em massa mais cruéis de todos os tempos: pelo menos 45 milhões de pessoas morreram de exaustão, fome ou vítimas de abusos mortais das autoridades. Descortinando as maquinações cruéis nos corredores do poder e o cotidiano da população comum, A grande fome de Mao dá voz aos mortos e esquecidos.

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