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China unifica ativos para criar a maior operadora de cruzeiros da Ásia

País enfrenta demanda reprimida, concorrência acirrada e frota reduzida no setor

Adora Magic City
Adora Magic City, navio de cruzeiro operado pela Adora Cruises | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A China decidiu unificar seus ativos estatais no setor de cruzeiros e criar uma nova plataforma para enfrentar a fragmentação e a baixa rentabilidade do mercado. As informações são do portal chinês Caixin Global.

Fundada em 2023, a Huaxia International Cruise Co. Ltd. agora coordena os recursos antes divididos entre quatro grandes estatais do país. A China Tourism Group Corp. Ltd. Assumiu a liderança da nova holding.

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O movimento busca dar escala, cortar redundâncias e reverter um cenário de margens apertadas. Embora a Huaxia centralize o controle dos navios, as marcas que já atuam no setor seguirão com operações independentes.

A plataforma começou a incorporar os ativos em janeiro de 2025. A primeira aquisição foi uma fatia de 65% na Adora Cruises, controlada pela CSSC Cruise Technology Development.

Em setembro, a Huaxia comprou 36% da Sansha Nanhai Dream Cruises Ltd. Com isso, passou a controlar cinco navios: Adora Magic City, Adora Mediterranea, Piano Land, CM-Yidun e Nanhai Dream.

A frota integrada superou os 16 mil leitos e assumiu o posto de maior operadora de cruzeiros da Ásia, ultrapassando a japonesa NYK Cruises.

A liderança regional deve se consolidar em 2026 com o lançamento do Adora Flora City, novo navio de grande porte construído na China. O projeto vai ampliar a capacidade da Adora Cruises e posicioná-la como a principal marca individual da região.

Setor de cruzeiros na China enfrenta recuperação lenta e margens apertadas

A consolidação vem no momento em que o setor ainda sente os efeitos da Covid-19. No primeiro semestre de 2025, os terminais chineses movimentaram 1,28 milhão de embarques domésticos — 50% a mais que em 2024, mas 40% abaixo de 2019. Já o número de viajantes estrangeiros caiu 43% no mesmo período.

Segundo o Caixin Global, o excesso de concorrência e os preços baixos das passagens comprimiram os lucros das empresas. A unificação do setor é vista como saída para evitar uma crise mais profunda.

A Huaxia nasceu com capital registrado de 8,5 bilhões de yuans (US$ 1,2 bilhão). A estrutura societária distribui 35,3% das ações à China Tourism Group. COSCO Shipping e China Merchants Group dividem 35,2%. O restante está com três empresas estatais sediadas em Xangai, incluindo a Jinjiang International.

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Durante reunião promovida pela SASAC, órgão que supervisiona os ativos estatais da China, oito grupos de projeto assinaram acordos para ampliar a integração.

Yang Guobing, presidente da CSSC Cruise Technology, disse que a demanda continua existindo, mas enfrenta obstáculos. Segundo ele, o mercado ainda tenta recuperar a cultura dos cruzeiros, o número de passaportes válidos no país está estagnado, e as rotas internacionais que foram canceladas ainda não voltaram.

Em 2019, a capacidade somava 47 mil leitos. Hoje, não passa de 27 mil. A estimativa é que, até o fim de 2025, o setor recupere no máximo 70% do volume de embarques registrado antes da pandemia.

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