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Cerveja seria usada para preparar telas de pinturas no século XIX

Dentre as dez pinturas analisadas, o estudo revelou que sete delas continham misturas de proteínas de levedura, trigo, centeio e cevada

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Imagem ilustrativa de cerveja | Foto: Foto: carolineandrade/Pixabay

Pesquisadores descobriram que a cerveja seria usado no preparo de telas de pinturas dinamarquesas. As obras datam da Era do Ouro da Dinamarca, por volta século XIX. O estudo foi publicado na revista Science Advances, em 24 de maio.

Dentre as dez pinturas analisadas, o estudo revelou que sete delas continham misturas de proteínas de levedura, trigo, centeio e cevada. Esses ingredientes são alguns dos principais para a produção de uma cerveja dinamarquesa. Segundo Cecil Krarup Andersen, uma das autoras do estudo e conservadora de pinturas da Academia Real Dinamarquesa, as sobras da fermentação teriam sido espalhadas sobre as telas como uma pasta. Assim, criaram uma superfície lisa, que impedia a tinta de vazar.

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Esse processo costuma ser feito atualmente com uma mistura branca de gesso. Mesmo que a técnica tenha mudado bastante, os cientistas dizem que saber como as telas eram preparadas no passado pode ajudar a conservá-las.

cerveja pinturas dinamarquesas
Obras de arte que foram analisadas | Foto: Reprodução/Royal Danish Academy–Conservation/M. Scharff

Como a cerveja foi identificada nas pinturas dinamarquesas

Os especialistas analisaram obras de dois pintores: Christoffer Wilhelm Eckersberg, considerado “o pai da pintura dinamarquesa”, e Christen Schiellerup Kobke. Os pedaços das telas deles foram recortados em um projeto de conservação anterior.

De acordo com a cientista do patrimônio Fabiana Di Gianvincenzo, da Universidade de Ljubljana (Eslovênia), autora do estudo, a equipe analisou as pequenas tiras em busca de quais tipos de proteínas estavam nelas. Esse trabalho resultou na descoberta daquelas relacionadas à cerveja.

Fabiana explicou, à agência de notícias Associated Press, que a bebida era considerada uma mercadoria preciosa na época, usada até para pagar salários. Então, a Academia Real Dinamarquesa de Belas Artes, que preparava telas para seus artistas, não teria desperdiçado a cerveja e comprou restos de cervejarias locais.

Segundo a pesquisadora, em entrevista ao portal Artnet News, as sete obras que testaram positivo para as proteínas de cereais e leveduras também eram as mais antigas da amostra, produzidas quando os dois artistas ainda eram afiliados à Academia Real.

Os cientistas afirmaram que essa receita não deve ser recomendada, por motivos de saúde, visto que continha um pigmento branco de chumbo. “No entanto, se alguém pudesse encontrar um pigmento orgânico que se misturasse bem com levedura de cerveja e óleo de secagem, é definitivamente uma técnica que ainda é útil”, disse a pesquisadora Cecil.

Estagiário de jornalismo da Revista Oeste. Sob supervisão e edição de Anderson Scardoelli.

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