publicidade
Mundo

Cartéis transformam navios de gado em rotas para cocaína

Operações em embarcações revelam brechas na vigilância marítima internacional

Pacotes de cocaína, segundo a polícia australiana, teriam sido transportados em um navio carregado de ovelhas | Foto: Polícia da Austrália Ocidental
Pacotes de cocaína, segundo a polícia australiana, teriam sido transportados em um navio carregado de ovelhas | Foto: Polícia da Austrália Ocidental

Uma investigação publicada pelo jornal The Telegraph expôs um método que virou rotina em portos controlados por facções na América do Sul. Grupos criminosos passaram a usar embarcações antigas, carregadas com bois em condições precárias, para mascarar grandes remessas de cocaína destinadas à Europa. Fontes ligadas ao centro europeu MAOC-N afirmam que a prática se consolidou porque inspeções nesse tipo de navio exigem operações complexas e caras, com remoção de milhares de animais.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

A estratégia se apoia em um detalhe logístico: a sujeira acumulada e o mau cheiro afastam equipes de fiscalização, além de comprometer o trabalho de cães treinados. Segundo analistas que monitoram o esquema, cada embarcação pode transportar até 10 mil bois em viagens que saem de Santos e Belém, no Brasil, e de Cartagena, na Colômbia. Durante o trajeto, as tripulações recolhem pacotes de cocaína deixados por barcos menores e escondem a carga em silos de ração e compartimentos pouco acessíveis.

Rota da cocaína dribla autoridades há quase duas décadas

As embarcações, muitas com mais de 50 anos, navegam sob bandeiras de conveniência e apresentam rotas oficiais para portos no Oriente Médio, onde exigências sanitárias são mais brandas. Mas o destino mais lucrativo segue sendo a rota que leva a Antuérpia e a Roterdã, portas de entrada da droga no mercado europeu. O sistema inclui o lançamento de pacotes no mar, presos a boias com GPS, recolhidos por barcos velozes que seguem para Bélgica e Holanda.

A eficácia desse modelo ficou evidente no histórico de apreensões. Em 18 anos, só um navio de gado carregado com cocaína foi interceptado na Europa. O caso ocorreu em janeiro de 2023, quando autoridades espanholas encontraram 4,5 toneladas escondidas em silos de ração no Orion V, interceptado perto das Ilhas Canárias. A operação revelou 1.750 animais em condições extremas e levou à prisão de 28 tripulantes.

A tática se espalhou para outros países. Recentemente, autoridades australianas afirmaram que um navio de carga animal tentou enviar cocaína para o país seguindo o mesmo padrão. Pescadores encontraram parte da droga no mar, presa a um tambor flutuante. A investigação levou à prisão do imediato da embarcação e de três suspeitos envolvidos na coleta do material.

Para o MAOC-N, composto de dez países europeus, o cenário virou um desafio. Analistas afirmam que identificar a localização da droga dentro de navios tão grandes exige informações de inteligência precisas. Sem isso, a remoção dos animais e a varredura completa tornam-se inviáveis. Essa combinação de fatores, segundo o centro, explica por que a prática segue em expansão e por que, todas as semanas, ao menos um navio de gado suspeito cruza o Atlântico rumo à Europa.

Leia também: “Se a Europa quiser guerra, estamos prontos para lutar, diz Putin”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.