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Candidato de centro-direita desafia domínio de 47 anos da esquerda em Angola

Segundo maior país de língua portuguesa no mundo tem eleição mais acirrada desde que o marxista MPLA foi ao poder, em 1975

Adalberto Costa Júnior se coloca como alternativa ao governo de esquerda em Angola | Foto: Reprodução

“Não há democracia com um partido único no poder.” Com essa frase, Adalberto Costa Júnior encerrou sua campanha à Presidência de Angola, desafiando um domínio de 47 anos da esquerda no país africano, na disputa das eleições desta quarta-feira, 24.

A declaração de Costa Júnior aconteceu na segunda-feira 22, durante um comício na capital, Luanda. Diante de milhares de apoiadores, o candidato do partido de centro-direita União Nacional para a Independência Total de Angola reforçou como deseja ver o seu país.

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Costa Júnior falou aos simpatizantes sobre a necessidade de derrubar uma cultura de corrupção e pobreza, marcas que acompanham o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) no governo desde 1975, ano em que o país conseguiu a independência de Portugal.

Segundo analistas, esta é eleição mais acirrada da história de Angola independente, com a primeira vez em que a esquerda de identificação marxista corre risco de deixar o poder.

Além de prometer combater a corrupção, Costa Júnior conseguiu aquecer a disputa falando em reaquecer a economia em um dos países com a maior desigualdade na África, apesar de ser o segundo maior produtor de petróleo do continente. Em 2020, 40% da população vivia com menos de US$ 21 por mês, de acordo com dados oficiais.

Ligação com escândalos brasileiros dos anos PT

Favorito na eleição, João Lourenço tenta o segundo mandato. Em 2017, o atual presidente substituiu José Eduardo dos Santos, governante que esteve à frente do país por quatro décadas e que comandou Angola com mão de ferro.

Morto em julho passado, Dos Santos foi uma figura controversa, que acabou ligado a escândalos de corrupção no Brasil no final de sua trajetória pública. Até 2014, a Odebrecht era a maior empresa privada de Angola, detentora de 15% da empresa nacional de petróleo.

Grande parte do poderio da empreiteira vinha dos empréstimos de US$ 3,3 bilhões feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fomentar as exportações da empreiteira ao país africano. Em sua delação premiada, Marcelo Odebrecht revelou o acerto de propinas para o Partido dos Trabalhadores (PT) relacionadas aos contratos conquistados em Angola.

Em 2016, durante a Operação Lava Jato, a empreiteira fechou um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA, em que admitiu suborno a autoridades de diversos países. Em Angola, teriam sido US$ 50 milhões pagos ilegalmente entre 2006 e 2013. Além disso, a Odebrecht também ajudou a bancar campanhas eleitorais de Dos Santos, segundo revelou o publicitário João Santana em delação.

Sobre as eleições angolanas

Com 33 milhões de habitantes, Angola é o segundo maior país de língua portuguesa, atrás somente do Brasil. Nas eleições desta quarta-feira, oito partidos disputam lugares entre as 220 cadeiras da Assembleia Nacional, no quinto pleito do país desde 1992.

As eleições são legislativas, mas é o partido vencedor que escolhe o presidente de Angola. De acordo com as pesquisas mais recentes, apesar do equilíbrio, o governante MPLA é favorito para vencer.

A votação terminou no começo da tarde, no horário brasileiro, mas os resultados vão ser divulgados apenas alguns dias depois da eleição. Angola tem pouco mais de 14 milhões de eleitores registrados.

Atualmente, o MPLA tem a maioria na Assembleia Nacional, com 150 cadeiras, enquanto a Unita, do desafiante Adalberto Costa Júnior, conta com 51 assentos. Na disputa de 2017, o partido de situação teve 61% dos votos, triunfando com a reputação de João Lourenço como sucessor designado por José Eduardo dos Santos.

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4 comentários
  1. Júlio Ferreira
    Júlio Ferreira

    Vai continuar a mesma pobreza de sempre. Esquerda no poder é só isso.

  2. Vicente Pinheiro
    Vicente Pinheiro

    O candidato da UNITA vai perder, infelizmente. Depois que os comunistas tomam o poder não saem mais nunca. É o que pode acontecer no Brasil se o ex presidiário colega de corrupção do MPLA voltar a ser Presidente.

    1. Hermes
      Hermes

      Eleições com povo miserável e permanência no poder de um só partido por quarenta anos precisa suspeitar de fraude nas eleições?
      Com esquerda no poder tudo pode acontecer, sempre em desfavor do povo:Corrupção,miséria,fome,assassinato,enfim,uma ditadura.
      E é exatamente isto que estão querendo fazer no Brasil.Os sinais já são bem visíveis.
      Libertação Nacional com quarenta anos no poder?
      Só Mesmo em Angola.

  3. Paulo
    Paulo

    Vamos ver se o povo vai escolher continuar na miséria ou se vai tentar mudar o seu destino!

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