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Campeã paralímpica de judô é banida por fingir deficiência visual

Shahana Hajiyeva, do Azerbaijão, conquistou ouro em Tóquio 2020 na categoria para atletas com deficiência visual, mas exames comprovaram que ela tem visão normal

A atleta fazia parte da delegação do Azerbaijão e competia no circuito paralímpico desde 2017
A atleta fazia parte da delegação do Azerbaijão e competia no circuito paralímpico desde 2017 | Foto: Reprodução/ Wikipedia

A judoca Shahana Hajiyeva, medalhista de ouro nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 na categoria até 48 kg, foi banida de forma vitalícia do esporte paralímpico. Exames recentes comprovaram que a atleta do Azerbaijão tem visão normal, condição incompatível com a categoria para deficientes visuais.

A fraude foi descoberta durante reclassificação médica obrigatória para o Campeonato Mundial de Parajudô, organizado pela Associação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA), em Astana, no Cazaquistão. Médicos concluíram que Hajiyeva não atende aos critérios para competir com atletas com deficiência visual.

O Comitê Olímpico do Azerbaijão alegou mudanças recentes nas regras de classificação funcional. No entanto, segundo a imprensa europeia, Hajiyeva não apresentou documentação válida nas últimas reavaliações médicas.

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A exclusão da atleta vale para todas as competições organizadas pela IBSA e pelo Comitê Paralímpico Internacional. Até o momento, a atleta não se pronunciou.

Suspeitas de favorecimento político de atleta de judô

O caso ganhou repercussão depois de denúncias dos veículos Sportschau e Cadena SER. Os veículos apontaram possível favorecimento institucional, já que o presidente da IBSA, Ilgar Rahimov, é aliado político do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev.

Shahana Hajiyeva durante luta nos Jogos de Tóquio; caso reacendeu debate sobre falhas na fiscalização do esporte paralímpico
Shahana Hajiyeva durante luta nos Jogos de Tóquio; caso reacendeu debate sobre falhas na fiscalização do esporte paralímpico | Foto: Divulgação/Comitê Paralímpico Internacional

As denúncias levantam dúvidas sobre a independência dos processos de classificação e a atuação das autoridades esportivas. O episódio reacende o alerta sobre a importância de critérios rigorosos e isentos na classificação de atletas. Sem fiscalização efetiva, a integridade do esporte paralímpico fica comprometida.

Quem pode competir como deficiente visual nas Paraolimpíadas

O judô paralímpico segue as mesmas regras da Federação Internacional de Judô, com poucas adaptações em relação à modalidade convencional. Os atletas dividem-se por categorias de peso e também passam por avaliação oftalmológica.

Essa avaliação define três classes, de acordo com o grau de deficiência visual. As categorias são: B1, B2 e B3. Quanto mais grave a deficiência, menor o número da classe. A classe B1 inclui atletas cegos. As classes B2 e B3 reúnem praticantes que têm deficiência visual, mas que possuem alguma capacidade de distinguir formas e contornos.

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Nos Jogos Paralímpicos, atletas B1 só podem competir contra atletas B1, numa categoria chamada J1. Já os atletas classificados como B2 e B3 competem na categoria J2. Shahana Hajiyeva competia na categoria J2.

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