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Biden conduz economia dos EUA para o precipício

Números desastrosos devem ajudar os republicanos nas eleições para o Senado, que ocorrerão em novembro

Biden
Foto: Eric Scott/Casa Branca

A maioria dos norte-americanos vai passar o fim de semana do Memoria Day com a família e com os amigos. Os democratas em campanha pela reeleição, por sua vez, devem passar o sábado e o domingo no inferno. E há uma série de fatores que explicam isso, como mostra o colunista Daniel Henninger, em artigo publicado no The Wall Street Journal.

“O preço da gasolina está no teto; os altos custos das mercadorias estão empurrando as comidas de marca barata para a mesa da população; as ações estão em baixa; os eleitores tentam entender a diferença entre recessão e estagflação; e o presidente dos Estados Unidos é Joe Biden, cujo índice de aprovação em queda se tornou o indicador mais confiável de seu futuro político”, diz o finalista do Prêmio Pulitzer de Redação Editorial.

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Em viagem a Tóquio, no Japão, Biden disse que a economia norte-americana está passando por um período de transição. “Quando se trata do preço do gás natural”, observou o democrata, “estamos passando por uma transição incrível, que, quando acabar, seremos mais fortes e o mundo será mais forte e menos dependente de combustíveis fósseis.”

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Dias antes, um dos principais conselheiros econômicos de Biden na Casa Branca, Brian Deese, bateu na mesma tecla: o país apresenta um crescimento resiliente, que funciona melhor para as famílias.

“Biden e Deese estão sendo ridicularizados em alguns setores por eufemizar a bagunça atual e qualificá-la como transição”, afirmou Henninger. “Mas essas observações não são apenas saladas de palavras. Elas também ajudam a entender como Biden e o Partido Democrata querem que os trabalhadores norte-americanos vivam em um futuro distante. Aceitar essa transição será a proposta do partido para os eleitores nas próximas eleições.”

Pode-se dizer que o argumento dos democratas se tornou irrelevante, visto que o partido está quase caminhando para um aniquilamento eleitoral. “Pena que este não seja um ano de eleições presidenciais, o que produziria um debate mais focado sobre a adequada relação pós-pandemia entre o governo e uma economia complexa e avançada que está tentando se reorganizar”, considerou o colunista.

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Desde 2009, o Federal Reserve manteve as taxas de juros próximas de zero — uma era sem precedentes de dívida barata. Isso possivelmente deu origem à criptomania (alto investimento em criptomoedas) e aos grandes investimentos em avatares digitais. Henninger diz não ser possível avaliar se essa política de créditos funcionaria indefinidamente, porque um “cisne negro” apareceu em 2019: a pandemia de coronavírus.

“Dois anos e trilhões em gastos federais de estímulo depois, os EUA têm uma taxa de inflação (8,3%) jamais vista desde a década de 1970”, ressaltou o colunista. “Há problemas intratáveis na cadeia de suprimentos; o fenômeno de algumas empresas inflando salários para atrair trabalhadores, enquanto outras planejam demissões; e a volatilidade do mercado, que está arruinando os planos de aposentadoria e transformando as melhores mentes do setor financeiro em mingau.”

Henninger avalia que a crise atual não é tão grave quanto a de 1929. “A maioria das pessoas manteve seus empregos”, observou. “Mas a intensidade da atual ruptura econômica traz à mente as lembranças de pais ou avós que viveram a Grande Depressão. Os períodos anteriores àquela crise foram os loucos anos 1920. O que surgiu depois — a Segunda Guerra Mundial e a década de 1950 — foi uma era econômica mais difícil.”

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Segundo o colunista, a única coisa que os norte-americanos sabem é a seguinte: o status-quo pré-existente acabou. Quando Deese e Biden dizem que querem fazer uma transição para uma economia com crescimento “estável e resiliente”, estão propondo suas alternativas para o futuro. Essa visão tem dois objetivos.

“O primeiro, usar os impostos e os investimentos orientados pelo governo para compensar o aumento da diferença entre a renda dos trabalhadores da ‘economia do conhecimento’ da dos trabalhadores de outros setores”, explicou Henninger. “O outro objetivo é sua grande baleia branca — uma economia sem combustível fóssil. O crescimento, supõe, será mais lento, mas de alguma forma mais estável e mais previsível. Desejos à parte, o modelo econômico progressista está indo pelo ralo político.”

Os republicanos devem capitalizar esses problemas nas eleições para o Senado, mas não devem se vangloriar. “Deese está certo ao dizer que o objetivo é construir uma economia estável e resiliente”, observou. “Mas o governo estragou tudo. A economia pós-pandemia é um desastre histórico. Os deuses políticos, em sua sabedoria insondável, deram aos republicanos uma oportunidade única de ajudar os eleitores a entender como construir um futuro a partir dessa ruína.”

Leia mais: “A hostilidade de Biden a Bolsonaro sai pela culatra”

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