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Banco dos EUA prevê 'onda conservadora' na América Latina

Wells Fargo projeta 55% de possibilidade de derrota de Lula em 2026; cenário de vitória da direita tende a se repetir no Chile e Colômbia

Banco dos EUA prevê 'onda conservadora' na América Latina
Unidade do Wells Fargo nos EUA | Foto: Reprodução/X

O banco norte-americano Wells Fargo prevê uma guinada à direita no panorama político da América Latina. Em relatório divulgado na última sexta-feira, 7, os analistas Brendan McKenna e Azhin Abdulkarim afirmam que tendências de governos de direita ou centro-direita no Brasil, no Chile e na Colômbia devem influenciar diretamente tanto o ambiente político quanto os mercados cambiais.

Eles avaliam que a América Latina está passando por uma “segunda onda conservadora”, na qual governos alinhados à direita tendem a vencer todas as eleições até o final do próximo ano. O relatório destaca que os resultados eleitorais definirão se os bancos centrais vão poder reduzir juros ou retomar apertos monetários.

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No contexto brasileiro, o Wells Fargo projeta 55% de possibilidade de derrota de Luiz Inácio Lula da Silva e 45% de vitória do atual governo. O banco ressalta que inflação elevada e instabilidade local levam o eleitorado a priorizar responsabilidade fiscal e sustentabilidade da dívida.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo os analistas, “a plataforma geral de políticas conservadoras, e não um candidato específico, conduzirá o voto em 2026”. Uma eventual vitória da direita traria confiança do investidor estrangeiro ao real, com alívio depois das eleições e postura mais favorável do Banco Central.

O relatório observa que a adoção de medidas fiscais conservadoras pode melhorar a percepção de investidores em relação ao real, que teria valorização significativa depois das eleições de 2026. Caso Lula vença novamente, o banco prevê aumento do estímulo fiscal e depreciação do real, além de possível interrupção das projeções de queda dos juros do Banco Central, diante de maior incerteza no final de 2026 e em 2027.

América Latina tem chapas de direita no Chile e Colômbia

No Chile, o candidato da direita José Antonio Kast lidera as projeções do banco, com 55% de chance de vitória, seguido por Jeannette Jara (35%), do Partido Comunista do Chile. O Wells Fargo revela que uma vitória de Jara surpreenderia o mercado e enfraqueceria tanto o peso chileno quanto o banco central local.

Jeannette Jara
Antes de entrar na política, Jeannette Jara presidiu a Federação de Estudantes da Universidade do Chile | Claudio Cavalieri/Senado/Flickr

A análise revela que um governo alinhado ao intervencionismo estatal provocaria vendas de pesos e adiaria cortes de juros. Em contrapartida, uma vitória de Kast, baseada em segurança e disciplina fiscal, poderia estabilizar o mercado, apesar de possível volatilidade inicial.

Na Colômbia, a expectativa do Wells Fargo é de 55% para um retorno da direita ou centro-direita, ante 45% de permanência da esquerda. O presidente Gustavo Petro não pode se reeleger, mas seu índice de aprovação e a atuação do Pacto Histórico tendem a influenciar o desempenho do candidato Iván Cepeda ou de outro nome indicado.

Os estrategistas revelam que, se o apoio a Petro crescer, a esquerda poderá conquistar dois mandatos consecutivos.

Colômbia Israel Petro
O socialista Gustavo Petro, presidente da Colômbia | Foto: Reprodução/Twitter/X

No cenário de vitória da esquerda em 2026, o relatório revela que o risco político na Colômbia permaneceria elevado, e o peso colombiano continuaria classificado como moeda de alta vulnerabilidade. Por outro lado, caso figuras como Sergio Fajardo ou Vicky Dávila, representantes do centro ou da direita, vençam, a política deve se tornar mais ortodoxa e o risco-país, menor.

“O peso colombiano tornou-se uma moeda de ‘alta vulnerabilidade’ durante o governo Petro, já que os riscos políticos permaneceram elevados e os fundamentos econômicos subjacentes se deterioraram”, diz o relatório do Wells Fargo. Na avaliação de McKenna e Abdulkarim, uma guinada para o centro ou a direita, especialmente sob liderança de Fajardo ou Dávila, tende a reduzir a vulnerabilidade cambial na Colômbia.

Os analistas ressaltam que “os mercados reagirão mais às mudanças na direção fiscal do que aos nomes em si”. Para o banco, 2026 pode marcar uma região com menor estímulo fiscal, moedas mais estáveis e bancos centrais que retomam a disciplina monetária — mas somente se as chapas alinhadas à direita forem vitoriosas nas urnas.

2 comentários
  1. Fabian Berman
    Fabian Berman

    Se as urnas mágicas deixarem o Brasil se livra da esquerda

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