publicidade
Mundo

Atirador da Universidade Brown confessou crimes antes de morrer

Claudio Neves Valente gravou vídeos em que confessava os assassinatos, mas não revelava o motivo do atentado

Universidade Brown
O corpo do atirador estava dentro de um depósito na cidade de Salem, no Estado de New Hampshire | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou, nesta terça-feira, 7, que o Escritório de Investigação Federal (FBI) apreendeu um dispositivo eletrônico com vídeos gravados pelo responsável pelo ataque à Universidade Brown, em 13 de dezembro, depois do atentado. Ex-aluno da Brown e cidadão português, ele planejou as ações por anos e deixou vídeos nos quais confessou os crimes, sem explicar as motivações.

Claudio Neves Valente, de 48 anos, foi encontrado morto em um depósito em New Hampshire depois de matar dois estudantes e ferir outros nove em um prédio de engenharia da universidade, em 13 de dezembro. Dois dias depois, em 15 de dezembro, Neves Valente matou o professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Nuno Loureiro em sua residência, no subúrbio de Brookline, em Boston.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste

Segundo o Departamento de Justiça, durante a busca no depósito onde o corpo de Neves Valente foi localizado, em 18 de dezembro, o FBI apreendeu um dispositivo eletrônico com diversos vídeos curtos gravados por ele depois dos tiroteios. Nas gravações, feitas em português, o atirador afirmou que planejava o ataque havia pelo menos seis semestres.

Ele não explicou por que escolheu a Brown nem o professor, com quem havia estudado em Portugal décadas antes. Em uma transcrição traduzida para o inglês e divulgada pelo Departamento de Justiça, Neves Valente disse que acreditava não ter nada pelo que se desculpar e relatou ter ferido o olho durante o ataque.

“Não vou pedir desculpas porque durante toda a minha vida ninguém me pediu desculpas sinceramente”, afirmou. Ele também rebateu acusações divulgadas pela influenciadora Laura Loomer depois do ataque, segundo as quais o atirador da Brown teria falado em árabe, dizendo algo como “Allahu akbar” ao entrar no auditório.

Neves Valente afirmou que não falava árabe e que não pretendia fazer qualquer tipo de declaração. “Eu nunca quis fazer isso em um auditório. Eu queria fazer isso em uma sala normal”, disse. “Eu tive muitas oportunidades. Especialmente neste semestre, tive muitas oportunidades, mas sempre desisti.”

Em outro trecho, comentou declarações do então presidente Donald Trump. “Gosto especialmente das m***** do Trump, de ele ter me chamado de animal, o que é verdade. Sou um animal e ele também, mas não sinto amor nem ódio pelos Estados Unidos”, disse, segundo a tradução oficial.

Durante as buscas por Neves depois dos ataques, Trump declarou: “Espero que consigam capturar esse animal.”

Nos vídeos, Neves insistiu que não era doente mental, afirmou que não queria notoriedade e disse que as gravações não constituíam um manifesto. Acrescentou que seu “único objetivo era partir mais ou menos” em seus “próprios termos” e garantir que “não seria ele quem acabaria sofrendo mais com tudo isso”.

A polícia de Rhode Island investiga o ataque Universidade Brown |
A polícia de Rhode Island investiga o ataque na Universidade Brown | Foto: Divulgação/X/@YossiBenYakar

“Não, isso não pode acontecer. Então, se você não gosta, azar”, afirmou. Ele classificou a execução dos assassinatos como “um pouco incompetente”. “Mas pelo menos algo foi feito”, disse. O ataque deixou nove feridos e dois estudantes mortos: Ella Cook, aluna do segundo ano, de 19 anos, e o calouro Mukhammad Aziz Umurzokov, de 18.

Dois dias depois, segundo as autoridades, Neves Valente matou a tiros Loureiro. Os dois haviam frequentado o mesmo programa acadêmico em uma universidade em Portugal entre 1995 e 2000. Loureiro concluiu o curso de física no Instituto Superior Técnico, em 2000, conforme sua página no corpo docente do MIT.

No mesmo ano, Neves Valente foi demitido de um cargo na Universidade de Lisboa, segundo um registro de notificação de dispensa assinado pelo então presidente da instituição, em fevereiro de 2000. Na gravação, ele disse que possuía o espaço de armazenamento onde seu corpo foi encontrado havia cerca de três anos.

Em comunicado divulgado na terça-feira, a Universidade Brown afirmou que “a gravidade desta tragédia continua a pesar fortemente sobre toda a comunidade da Universidade Brown” e que segue lamentando a morte dos dois estudantes, além de rezar pela recuperação completa dos feridos.

Atirador da Universidade Brown descreve encontro com testemunha

Neves Valente também relatou nos vídeos um confronto com uma testemunha na Brown, episódio que acabou levando à sua identificação dias depois. De acordo com a polícia, a testemunha teve vários encontros com Neves Valente antes do ataque.

Depois da divulgação de imagens da pessoa de interesse, ela passou a publicar no fórum Reddit que reconhecia o suspeito e sugeriu que a polícia investigasse um Nissan cinza “possivelmente alugado”. Outros usuários recomendaram que o FBI fosse informado, o que, segundo a testemunha, foi feito.

Imagem do homem que seria o atirado de Brown University | Foto: Reprodução
Imagem do homem que seria o atirador de Brown University | Foto: Reprodução

Até então, de acordo com o relato policial, as autoridades não haviam associado nenhum veículo ao atirador. “Na verdade, fui confrontado”, disse Neves Valente sobre o ataque na Brown, acrescentando que a testemunha anotou sua placa. “Sinceramente, nunca pensei que demorariam tanto para me encontrar.”

Ele reiterou que não nutria amor nem ódio pelos Estados Unidos, país para o qual se mudou há cerca de 25 anos para cursar a pós-graduação em física na Brown, antes de sair na primavera de 2001. Neves Valente estudou na universidade com visto de estudante e obteve residência permanente legal em setembro de 2017. Seu último endereço conhecido era em Miami.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade