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As múmias mais antigas que as do Egito

Primeiros povos vieram da África há 9 mil anos

Múmias
Múmia chinchorro, no Museu do Homem de San Diego, Chile | Chile Foto: Wikimedia

As múmias mais antigas do mundo não foram descobertas no Egito. Segundo a Unesco, as evidências mais antigas de mumificação estão entre os portos de Ilo, no Peru, e Antofagasta, no Chile — na costa do Deserto do Atacama.

Trata-se de um conjunto de múmias chinchorro, uma sociedade caçadora que habitou entre Ilo e Antofagasta há mais de 7 mil anos. Em virtude do apreço pelos mortos, esse povo desenvolveu habilidades de mumificação 2 mil anos antes dos egípcios.

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As técnicas de embalsamamento levaram à conservação de 120 múmias expostas no Museu Arqueológico de São Miguel de Azapa, no Chile. Desde julho de 2021, a Unesco reconheceu a civilização chinchorro. Agora, os achados arqueológicos do povo estão na Lista do Patrimônio Mundial.

A sociedade chinchorro

Vindos da África há 9 mil anos, os primeiros povos descobriram uma certa abundância na vida em torno do mar. Dessa forma, os chinchorro se fixaram nos portos de Ilo e Antofagasta. Em pouco tempo, tornaram-se grandes pescadores.

Os chinchorros desenvolveram muitas ferramentas para facilitar a pesca, como o anzol feito de espinhos de cacto e pontas de arpão, uma espécie de dardo para a pesca de peixes grandes.

Múmias
Múmias chinchorro, no Museu Arqueológico San Miguel de Azapa | Foto: Wikimedia

Mumificação

Segundo a Universidade de Tarapacá, no Chile, que liderou a pesquisa e a conservação das descobertas, o processo de mumificação começava extraindo os órgãos e as vísceras dos mortos. No lugar, adicionavam vegetais, penas, ouro, lã e outros materiais.

Durante a mumificação, o couro cabeludo e a pele do rosto também eram removidos. O crânio da pessoa era aberto para retirar o cérebro. No final, uma peruca de cabelo humano era colocada na cabeça da múmia e o corpo era vestido com um tecido vegetal, sendo coberto por uma camada de argila.

No início das práticas de mumificação, somente os recém-nascidos e as crianças passavam pelo processo. Mas, por volta de 3 mil a.C., os chinchorros começaram a mumificar as pessoas que pertenciam ao povo — diferentemente dos egípcios, que só mumificavam membros da alta sociedade.

As múmias

Até 2021, quase 210 múmias foram analisadas. As técnicas de embalsamamento foram se tornando mais simples com o passar do tempo, ao contrário dos egípcios, que sofisticaram os modos de mumificação no decorrer do tempo.

As múmias possuem duas cores diferentes: preto e vermelho. A cultura chinchorro enxergava as múmias como parte do mundo das pessoas vivas, talvez isso explique o porquê de eles deixarem abertos a boca e os olhos dos mortos.

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