publicidade
Mundo

Alemanha suspende classificação da AfD como extremista por decisão da Justiça

O partido recorreu contra o novo rótulo, que havia sido anunciado pelo serviço de inteligência interno alemão na semana passada

A colíder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, em coletiva de imprensa em Berlim, na Alemanha - 12/3/2025 | Foto: Liesa Johannssen/Reuters
A colíder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, em coletiva de imprensa em Berlim, na Alemanha - 12/3/2025 | Foto: Liesa Johannssen/Reuters

O serviço de inteligência interno alemão (Bundersamt für Verfassungsschutz, BfV), cancelou temporariamente a classificação do partido Alternativa para Alemanha (Alternative für Deutschland, AfD) como “movimento extremista de direita”. A suspensão obedece a uma decisão judicial de um tribunal da cidade de Colônia, emitida nesta quinta-feira, 8.

Até que a Justiça analise uma contestação apresentada pelo partido, a agência não pode mais se referir publicamente à AfD como extremista. No entanto, vai seguir tratando a legenda como suspeita. 

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste

O BfV havia anunciado a nova classificação para o partido na última sexta-feira, 2. A mudança não era apenas conceitual, mas, sim, uma autorização de reforço da vigilância sobre a AfD, inclusive com o recrutamento de informantes e a interceptação de comunicações. 

Essa medida baseava-se em um relatório de 1,1 mil páginas elaborado por especialistas da agência, que descrevia o partido como racista e hostil a muçulmanos. Segundo o documento, “a AfD considera os cidadãos alemães com histórico de migração de países muçulmanos, por exemplo, como não sendo membros iguais do povo alemão”. 

A agência afirmou ainda que “concepção de povo baseada em etnia e ancestralidade que predomina no partido não é compatível com a ordem democrática livre”. O BfV já havia classificado a sigla como extremista em 2021, mas com uma ressalva de que o rótulo ainda precisava de mais investigações para ser ratificado.

A AfD comemorou a decisão da Justiça. Em nota conjunta, os líderes Tino Chrupalla e Alice Weidel afirmaram estar usando todos os meios legais contra a classificação e consideraram a suspensão um passo importante rumo à reabilitação da imagem do partido. “Este é um primeiro passo importante em direção à nossa efetiva exoneração e, assim, contra a acusação de extremismo de direita.”

Partido AfD, da Alemanha, recorre na Justiça contra classificação de extremista
Os colíderes da Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel e Tino Chrupalla, posam com o líder do partido AfD no Bundestag, Bernd Baumann, e o membro do partido AfD, Alexander Gauland, após darem uma declaração à imprensa no dia da reunião da fração parlamentar da AfD depois das eleições gerais alemãs em Berlim, Alemanha (25/2/2025) | Foto: Reuters/Lisi Niesner

Aliados estrangeiros da AfD criticam classificação de extremismo

Nos últimos anos, cresceu no Parlamento alemão o debate sobre um possível banimento da AfD, mas sem avanços significativos. A recente classificação do BfV reacendeu essas discussões, em meio ao crescimento eleitoral da legenda, que conquistou a segunda maior bancada nas eleições de fevereiro — um marco inédito no pós-guerra.

Apesar de buscar cargos de liderança legislativa, o partido continua isolado politicamente. Demais legendas mantêm um “cordão sanitário”, devido a investigações de membros da AfD por acusações de discursos de ódio e ligações ao neonazismo. 

A sigla alega que esse isolamento, apelidado de “Brandmauer” (muro de proteção), ignora a vontade popular e representa um esforço coordenado do centro político para manter o poder.

A classificação como extremista também gerou reações negativas no exterior. Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, criticou a medida e classificou-a como uma “tirania disfarçada”. O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, comparou a decisão à construção de um novo Muro de Berlim, desta vez erguido pelo próprio governo alemão.

Já a ministra do Interior alemã, Nancy Faeser, defendeu o relatório da agência, o qual classificou como “um exame abrangente e neutro”, sem relação com o calendário eleitoral nem pesquisas de opinião.

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    Alemanha em decadência ladeira abaixo.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.