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AIE: mundo vive primeira crise energética ‘verdadeiramente global'

Alta no consumo deverá intensificar o problema, afirmou o diretor da Agência Internacional de Energia

Petróleo
A Opep pretende cortar a produção de petróleo | Foto: Reprodução/Pixabay'

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, disse nesta terça-feira, 25, que o mundo vive uma crise energética, a primeira “verdadeiramente global”. A declaração, que se refere à escassez de gás natural e à disparada dos preços dos combustíveis em geral, foi feita durante uma conferência na Semana Internacional de Energia, em Singapura.

O cenário já é muito ruim na Europa, que teve a interrupção do fornecimento de gás natural pela Rússia, em razão das sanções impostas por países ocidentais pela invasão da Ucrânia. Com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, também haverá aumento de consumo, especialmente de gás, combustível utilizado para aquecer as residências. Além disso, a China poderá aumentar a demanda por energia.

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De acordo com a agência Reuters, Birol criticou a recente decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, de cortar a produção em 2 milhões de barris por dia de produção, exatamente quando haverá crescimento da demanda no mesmo patamar. “É especialmente arriscado, pois várias economias ao redor do mundo estão à beira de uma recessão. Achei essa decisão realmente lamentável”, declarou, conforme a Reuters.

Birol também disse que a Europa pode sobreviver a este inverno, embora um pouco prejudicada, se o clima permanecer ameno. “A menos que tenhamos um inverno extremamente frio e longo, a Europa deve passar por este inverno com algumas contusões econômicas e sociais”, disse.

Com o crescimento da demanda por petróleo, em 2023, Birol acredita que o mundo precisará do combustível russo. Os países integrantes do G7 propuseram fixar um teto para a compra internacional da Rússia, com a intenção de limitar as receitas do governo de Vladimir Putin para a guerra na Ucrânia. Birol disse que a proposta ainda tem muitos detalhes a serem resolvidos e exigirá a compra de grandes países importadores de petróleo.

O chefe da AIE também disse que a crise energética poderá acelerar investimentos na transição para fontes de energia limpa. “A segurança energética é o principal impulsionador da transição energética”, declarou.

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