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Agência que organizou trilha de Juliana Marins estava proibida de operar no Monte Rinjani

Empresa constava em lista negra do parque nacional, mas seguia vendendo pacotes de escalada por meio de intermediários

Depois de quatro dias de buscas, os socorristas localizaram o corpo de Juliana Marins em uma área de difícil acesso na Indonésia | Foto: Reprodução/Redes sociais
Depois de quatro dias de buscas, os socorristas localizaram o corpo de Juliana Marins em uma área de difícil acesso na Indonésia | Foto: Reprodução/Redes sociais

A agência responsável pela trilha feita por Juliana Marins, brasileira de 26 anos que morreu no Monte Rinjani, estava proibida de operar no parque. A empresa, identificada como Bas Rinjani, aparece em uma lista negra disponível no aplicativo oficial do Parque Nacional. Outras 26 agências também constam na lista.

A informação foi divulgada pelo portal Uol, que conversou com um organizador de turismo local. O homem disse que não entende como a empresa ainda consegue atuar e a classificou como “comprovadamente problemática”. Os motivos da proibição envolvem falta de segurança, legalidade e ética de trabalho.

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“Como é possível que ainda tenha permissão de levar pessoas a um local mesmo sendo incluída em uma lista de banidos?”, afirmou o homem ao portal.

Brasileira comprou trilha por meio de intermediária

A brasileira comprou o bilhete da trilha por meio da Ryant Tour, intermediária que confirmou a venda. A empresa afirmou que oferece pacotes de escalada, mas delega a execução a operadoras locais como a Bas Rinjani. Segundo o organizador local, cabe à Bas a gestão da logística, materiais, designação de guias e obtenção das licenças.

A trilha do Monte Rinjani, na Indonésia, onde Juliana caiu
A trilha do Monte Rinjani, na Indonésia, onde Juliana caiu | Foto: Reprodução/ Redes Sociais

“Esperamos que as autoridades possam fornecer uma explicação clara e transparente”, afirmou o homem. Ele explicou que empresas incluídas na lista negra podem ser proibidas de atuar temporária ou permanentemente e, se seguirem operando, estão sujeitas a sanções legais.

Contradições sobre a causa da morte de Juliana Marins

Juliana morreu entre 50 minutos e 12h50 antes do resgate. O corpo foi retirado depois de sete horas de trabalho por socorristas e voluntários, por volta das 13h50 do dia 25 (2h, no horário de Brasília). Segundo o governo local, o socorro demorou por causa da dificuldade de acesso.

O médico legista Ida Bagus Putu Alit afirmou que a jovem morreu entre 1h e 13h do dia 25 de junho (14h do dia 24 e 2h do dia 25, no horário de Brasília), contrariando a versão da Agência Nacional de Resgate da Indonésia, que havia divulgado o óbito na noite do dia 24.

Segundo o legista, não havia sinais clássicos de hipotermia. A ausência de necrose indicaria que a morte não ocorreu por exposição ao frio, embora a temperatura à noite estivesse próxima de 0 ºC. Juliana usava calça e blusa, sem equipamentos adequados.

Ela apresentava ferimentos nas costas, pernas e braços, além de hemorragia interna, traumatismo craniano, fraturas na coluna e nas coxas. O laudo apontou “trauma torácico grave” como causa da morte. A jovem caiu pela segunda vez, e o impacto comprometeu os órgãos respiratórios.

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Juliana escorregou na noite de sexta 20, no horário de Brasília, e rolou cerca de 300 metros montanha abaixo. Sem conseguir se mover, aguardou socorro. Espanhóis que estavam no local enviaram fotos e vídeos para a família, que acompanhou a situação à distância.

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