Durante uma entrevista coletiva, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, voltou a defender a estratégia de segurança adotada por seu governo e respondeu às críticas de organizações internacionais de direitos humanos sobre a forma como o país lida com criminosos. As declarações circularam nas redes sociais neste sábado, 31.
Bukele afirmou reconhecer que todos os indivíduos, inclusive criminosos, possuem direitos humanos. Ele disse aceitar esse princípio mesmo quando se trata de assassinos, estupradores, integrantes de gangues e responsáveis por atentados violentos. Segundo o presidente salvadorenho, o ponto central do debate não está no reconhecimento desses direitos, mas na prioridade que o Estado deve adotar ao garanti-los.
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Na avaliação de Bukele, organizações de direitos humanos concentram a atuação quase exclusivamente na defesa de presos e acusados, enquanto deixam de lado as vítimas da violência. Ele citou casos de civis mutilados, mulheres assassinadas e crianças mortas ou feridas em ataques cometidos por gangues, sem que, segundo o presidente, houvesse mobilização proporcional dessas entidades.
“O Estado precisa decidir quem vem primeiro”, disse o Bukele, ao ressaltar que o governo salvadorenho prioriza os direitos humanos da população que trabalha, circula pelas ruas e não participa da criminalidade. Ele reiterou que o país não ignora os direitos dos detentos, mas rejeita a ideia de que esses direitos devam se sobrepor aos das vítimas.
O papel do sistema prisional
Bukele apresentou o sistema penitenciário como um dos pilares da redução da criminalidade no país. Ele citou o funcionamento do Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), prisão destinada a criminosos considerados de alta periculosidade, responsáveis por múltiplos homicídios. De acordo com o presidente, esse grupo não é passível de ressocialização e permanece isolado para impedir novos crimes.
Os dados oficiais sustentam a centralidade da política de segurança. El Salvador encerrou 2015 com uma taxa de homicídios superior a 100 mortes por 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo. Em 2019, quando Bukele assumiu a Presidência, o índice já havia recuado, mas ainda superava 30 homicídios por 100 mil habitantes. Depois da adoção do regime de exceção e do endurecimento do combate às gangues, a taxa caiu de forma acelerada, chegando a 2,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2023 e a cerca de 1,9 em 2024, segundo dados oficiais do governo.
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O país também passou a registrar longos períodos sem assassinatos. Ao longo dos últimos anos, El Salvador acumulou centenas de dias sem nenhum homicídio registrado, algo inédito em sua história recente e frequentemente citado por Bukele como evidência da mudança no padrão de segurança.
Ao mesmo tempo, Bukele afirmou que o restante do sistema prisional salvadorenho adota programas de trabalho e capacitação. De acordo com o presidente, presos condenados por crimes sem violência extrema participam de atividades de reeducação, com redução de pena vinculada ao trabalho. Ele disse que cerca de 70% dos detentos do país devem deixar a prisão em menos de dez anos.
O presidente também destacou que presos participam de obras públicas, como recuperação de escolas, limpeza de praias e produção de mobiliário escolar. Para Bukele, esse modelo demonstra que o sistema distingue criminosos violentos daqueles que podem retornar à sociedade.

A condição dos presos
Ao responder a críticas sobre as condições carcerárias, Bukele afirmou que o sistema penitenciário salvadorenho não é perfeito e que o país não dispõe de recursos para torná-lo comparável ao de países desenvolvidos. Mesmo assim, disse considerar o modelo “bom” dentro do contexto latino-americano.
Ele citou dados segundo os quais a taxa de mortes dentro das prisões de El Salvador é proporcionalmente inferior à observada em outros países da região. Conforme o presidente, o índice de óbitos no sistema penitenciário é, inclusive, menor do que o da população em liberdade, o que atribui à maior regularidade de exames médicos dentro das unidades prisionais.
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Bukele também afirmou que as prisões do país deixaram de funcionar como centros de comando do crime. Segundo o presidente, não há sinal de celular, acesso à internet nem entrada de dispositivos eletrônicos, o que impediria a emissão de ordens criminosas a partir das unidades prisionais — prática comum em outros países da região.
Ele também mencionou episódios anteriores, em que líderes de gangues promoviam festas dentro das prisões e divulgavam vídeos nas redes sociais. Isso, segundo Bukele, acabou durante a atual gestão.
Críticas às organizações internacionais
Ao fim, Bukele voltou a criticar organizações internacionais de direitos humanos, afirmando que muitas atuam como uma espécie de “defesa jurídica” de criminosos. Para o presidente, essas entidades perderam credibilidade ao não se posicionarem com a mesma ênfase diante da violência sofrida pela população civil ao longo de décadas.
O presidente argumentou que a gravidade da crise de segurança vivida por El Salvador exigiu medidas duras e excepcionais. Segundo Bukele, o país deixou de figurar entre os mais violentos do mundo para se tornar um dos mais seguros da América Latina.
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Isso sim é PRESIDENTE.
Que inveja de ter um presidente que possa dizer de ” meu Presidente favorito “. Eu tive a felicidade!