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A cultura de violência de Hollywood

Veterano da sátira política nos EUA, Bill Maher faz stand-up certeiro sobre a hipocrisia do controle de armas na indústria do cinema

Bill Maher fala sobre contradições entre o discurso contra armas e a violência no cinema dos EUA | Foto: Reprodução

No meio do frenesi do debate sobre controle da venda de armas nos Estados Unidos, deflagrado por novos episódios de tiroteios e mortes, surge a voz de Bill Maher para apontar para a hipocrisia de Hollywood e sua cultura de violência.

O veterano comediante da TV norte-americana preparou um stand-up sobre o tema para o seu programa na HBO, Real Time with Bill Maher. Foi um verdadeiro manifesto sobre a glamourização da violência por parte do cinema dos Estados Unidos — curiosamente, uma indústria predominantemente ‘progressista’, com muitos nomes que vêm se expondo para pedir restrições ao acesso a armas.

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No vídeo, Maher intercala seu discurso de ironia fina com uma série de cenas curtas de filmes que banalizam a violência, de Deadpool a John Wick. No entanto, uma conclusão em um tom sério no subtexto resume o roteiro: não dá para fingir que a glamourização das armas no cinema não é parte desse problema.

“Quando os progressistas gritam por controle de armas depois de um massacre, por que não se considera o fato de que o jovem comum norte-americano vê em média 200 mil cenas de violência antes de completar 18 anos?”

“De acordo com o FBI (Departamento de Investigação Federal), um dos sinais de um potencial atirador é o fascínio pelo entretenimento cheio de violência”, acrescenta Maher.

Veterano da sátira política na TV norte-americana, hoje com 66 anos, Maher ainda reserva um tempo de seu manifesto só para comentar os filmes que têm a vingança como tema central. Inclusive, o comediante lista 24 filmes que trazem o ato de vingar em seus títulos.

“Tudo isso não cria somente uma cultura de violência, mas uma cultura de violência justificada”, opina o comediante. Enquanto isso, o público se diverte no estúdio de gravação, em gargalhadas que ajudam a escancarar a hipocrisia de Hollywood sobre o tema.

Na semana passada, o ator Matthew McConaughey esteve na Casa Branca para discursar sobre a “posse responsável de armas” no país. O vencedor do Oscar por Clube de Compras Dallas nasceu em Uvalde, cidade no Texas que foi palco de massacre a tiros em uma escola em maio passado, e falou comovido sobre o assunto.

O sentimentalismo em torno do tema atingiu um dos níveis mais altos nos últimos tempos, mas a discussão sobre massacres de inocentes com armas ainda tem muitas camadas e dificilmente vai avançar rumo a soluções de forma simplista, com uma ou outra alteração de legislação. O debate invade territórios diversos da sociedade.

Talvez seja o momento de a indústria do cinema refletir sobre seu papel nesse contexto, que faz das armas algo atraente para audiências jovens. Quem sabe o esforço recente em prol da diversidade e da inclusão possa também contemplar um discurso real sobre pacifismo.

Veja o vídeo de Bill Maher abaixo, em inglês:

Leia também: “O número de armas cresceu e os homicídios caíram”, entrevista do ativista pró-armamento Marcos Pollon na Edição 115 da Revista Oeste.

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