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5 contradições da pandemia

Conheça algumas "verdades absolutas" que perderam a validade científica com o passar dos meses

coronavírus laboratório - pandemia
Foto: Divulgação/Flickr

 Apesar dos inegáveis avanços da ciência, a emergência sanitária escancarou uma realidade global: sempre houve mais dúvidas do que certezas sobre a pandemia. E é natural que seja assim. Afinal, a ciência se baseia no ceticismo, na observação e na experimentação para formular conclusões. E não em crenças nem tabus.

No entanto, o que se viu ao longo dos meses de convivência com a doença foi uma tonelada de “orientações científicas” defendidas como verdades absolutas, sem possibilidade de questionamento algum.

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Diante das contradições em torno da pandemia, a Revista Oeste reuniu algumas orientações que mudaram ao longo do tempo, sem prejuízo de outras, que (certamente) ainda estão por vir:

1 — Demora na decretação da pandemia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) demorou a reconhecer a gravidade da covid-19, o que contribuiu para que o vírus se espalhasse mais rápido pelo planeta.

Em 14 de janeiro de 2020, a OMS divulgou, em seu perfil oficial do Twitter, que não havia evidências, segundo as autoridades chinesas, de que o coronavírus fosse transmitido entre humanos:

As investigações preliminares conduzidas pelas autoridades chinesas não encontraram ‘evidências claras’ de transmissão humano para humano do coronavírus identificado em Wuhan.”

Duas semanas depois, o órgão publicou que o contágio fora da China era “muito limitado”:

“Até agora, WHO está atenta a um caso de transmissão humano para humano do coronavírus fora da China, no Vietnã. Ainda é um caso em muitos. Mas estamos encorajados que até agora não vimos mais transmissão de humano para humano fora da China. Estamos monitorando o surto constantemente.”

O reconhecimento oficial da pandemia pelo presidente da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, só aconteceu na segunda semana de março de 2020:

“Esta é a primeira pandemia causada por um coronavírus. Não podemos dizer isso alto o suficiente, com clareza suficiente ou com frequência suficiente: todos os países ainda podem mudar o curso da pandemia. Esta é a primeira pandemia que pode ser controlada.”

2 — Hospital? Só em caso de falta de ar

Enquanto esteve à frente da pasta, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta foi criticado por orientar as pessoas com sintomas de covid-19 a ficarem em casa e só procurarem ajuda médica em caso de falta de ar. 

Ao ser questionado sobre o tema, em entrevista ao programa Roda Viva, em outubro de 2020, Mandetta respondeu que seguia as orientações da Organização Mundial da Saúde e que a preocupação era evitar a superlotação em hospitais e impedir a disseminação descontrolada do vírus. 

No decorrer dos meses, a covid-19 se mostrou imprevisível na variedade e na manifestação dos sintomas. Muitos pacientes contaminados pelo coronavírus que demoraram a buscar ajuda médica chegavam ao hospital com complicações respiratórias graves, o que diminuía as chances de recuperação. Em julho de 2020, o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, mudou a coordenada: “Adotamos uma nova orientação de casos de covid-19, mudando a estratégia do ‘fique em casa’ para ‘procure um profissional de saúde’, mesmo que o sintoma seja leve”. 

3 — A polêmica da dose de reforço

A maior parte das vacinas contra a covid-19 em aplicação no mundo foi anunciada com esquema vacinal completo de duas doses. O imunizante da Janssen foi festejado quando o laboratório divulgou que apenas uma dose seria suficiente para proteger vacinados contra a covid. De lá para cá, alguns países, como Israel e Chile, já estão na quarta dose de vacinação anticovid. 

O caso da CoronaVac foi emblemático. A vacina, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, foi a primeira a ser aplicada no Brasil. Quando as discussões sobre uma possível dose de reforço começaram a surgir, o Butantan chegou a publicar um tuíte insinuando que afirmar a necessidade de uma terceira seria disseminar “fake news”:

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), chamou de “inutilidade” a discussão sobre uma terceira dose da CoronaVac. “Não há nenhuma necessidade”, ressaltou o tucano, em entrevista ao portal Metrópoles. “Bastam as duas doses, que é o que recomenda a Organização Mundial da Saúde”, disse Doria, ao criticar “campanhas” contra a CoronaVac. 

A partir de setembro do ano passado, o Ministério da Saúde (MS) liberou a aplicação da terceira dose da vacina contra a covid-19 em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos. Doria não demorou para anunciar a aplicação de um reforço da CoronaVac assim que o MS autorizou a medida. 

Em novembro, o governo federal decidiu estender a dose de reforço das vacinas contra a covid-19 a toda população maior de 18 anos. Os brasileiros que tomaram a dose única da vacina Janssen também foram aconselhados a tomar uma dose extra, entre dois e seis meses da primeira aplicação.

4 — Combinação de vacinas

Rechaçada logo de início, a mistura de diferentes tecnologias de vacinas já é uma realidade mundial. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a oficialmente autorizar a combinação de vacinas para grávidas, ao permitir que gestantes e mulheres que acabaram de ter filhos e tomaram a primeira dose da AstraZeneca fossem autorizadas a receber a segunda aplicação da Pfizer.

Mas não houve consenso entre as autoridades sanitárias brasileiras. Ainda em novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou ao Ministério da Saúde que a aplicação da dose de reforço fosse feita com a mesma vacina usada no esquema primário, no caso dos imunizantes da Pfizer, da Janssen e da AstraZeneca. Apenas no caso da CoronaVac, a agência reguladora indicou a mistura entre vacinas de outras fabricantes, de preferência a vacina de mRNA da Pfizer.

 

Já o MS orientou Estados e municípios a aplicar a dose de reforço com uma vacina diferente da utilizada no esquema inicial em todos os adultos. “É o que nós chamamos de vacinação heteróloga. Essa decisão é apoiada na ciência”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. 

5 — Vacinação em crianças 

A vacinação de crianças preocupa pais e médicos e não é consenso na comunidade científica. Alguns especialistas questionam a necessidade de vacinação desse grupo e a falta de estudos clínicos que contemplem a faixa etária de 5 a 11 anos. No caso da vacina da Pfizer, há relatos de miocardite (inflamação no músculo cardíaco) e de pericardite (inflamação na membrana externa do coração) provocadas pela vacina da Pfizer em jovens, principalmente depois da segunda dose. A Suécia, por exemplo, decidiu não recomendar a vacinação contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos, com a justificativa de que os benefícios da vacinação nessa faixa etária não superam os riscos.

Para uma parte dos médicos, essa faixa etária não é alvo da doença, e são raros os casos de menores de 18 anos que sofrem com a covid na forma grave. No Brasil, de março de 2020 a novembro de 2021, 308 crianças de 5 a 11 anos morreram em razão da covid-19 — 69% delas tinham ao menos uma comorbidade (doença pré-existente). “Estudos com crianças e adolescentes são escassos, não são bem controlados e não demonstram a eficiência da vacina em reduzir doença e morte nessa população”, afirma o infectologista Francisco Cardoso. 

Leia a reportagem completa na Edição 97 da Revista Oeste: “As inúmeras contradições da pandemia”

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5 comentários
  1. José Camargo
    José Camargo

    Cantem em uníssono na melodia de “O que que a baiana tem?
    “O que que a ciência tem?
    -Tem lápis de calcular.
    O que que a ciência tem?
    -Borracha pra depois apagar.” Raul Seixas

  2. Frederic Couto
    Frederic Couto

    A lógica sempre foi o $$$. Bilhões de dólares todos os meses. Foi um negócio nunca visto. Médicos ou pseudo médicos falando a favor das vacinas foram celebrados e, provavelmente, premiados. Quem mostrava ceticismo ou queria estudar melhor foi massacrado.

  3. Roberto Fakir
    Roberto Fakir

    A maior contradição é quem defende o isolamento pegar covid como a Maju da Globo. É uma vergonha e uma sem vergonha. Não tem vergonha na cara. Como pode pegar covid com 3 doses. Foi para algum rola rola. Sozinha não pega. As pessoas se tornaram idiotas.

  4. Jaime carleto
    Jaime carleto

    $ien$ia… Via o luta por dinheiro e poder. Criaram um vírus que nem é tão mortal mas criaram pânico nas pessoas pq o medo é a melhor forma de controle…

  5. Soniascf
    Soniascf

    Criaram mais um ídolo nesse mundo materialista. Uma deusa a que deram o nome de Ciência. Ninguém sabe seu Olimpo. Mas oráculos há difusos pelo planeta, cada um ditando uma ordem sem possibilidade de contestação. Seus sacerdotes e sacerdotisas são exaltados como se fossem representantes do conhecimento máximo de algum segredo que ninguém mais detém, só esse grupo escolhido. A pena para divergir desses oráculos é o confinamento, a exclusão da sociedade. Mais adiante, quem sabe, a própria morte por abandono.

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