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'Toffoli transformou caso do Banco Master em enigma impenetrável', diz jornal

De acordo com a Folha de S. Paulo, decisão que determinou o sigilo da investigação não teve fundamentos

Ministro Dias Toffoli | Foto: SCO/STF
O ministro Dias Toffoli, durante sessão no STF | Foto: SCO/STF

Um editorial do jornal Folha de S.Paulo publicado neste domingo, 7, afirma que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), transformou o caso do Banco Master em um “enigma impenetrável” ao tomar para si o processo e ampliar o sigilo sobre a investigação.

O texto, que expressa a posição institucional do jornal, critica a falta de fundamentação da decisão e o impacto disso na credibilidade da corte.

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Segundo o editorial, Toffoli mandou tirar o caso da Justiça Federal e remeter diretamente ao STF com base na menção a um deputado federal em contrato apreendido pela Polícia Federal. O ministro também elevou o grau de sigilo a um nível em que nem as iniciais das partes, nem o andamento do processo, nem as decisões ficam acessíveis ao público.

Decisão de Toffoli reforça atuação do Supremo em pautas pessoais, diz Folha

A Folha destaca que, no despacho de três páginas, o ministro não apresenta uma explicação consistente para justificar a mudança de instância e o sigilo reforçado. Em um parágrafo curto, Toffoli se limita a citar a existência de investigação “supostamente dirigida contra pessoas com foro” e menciona reportagens da imprensa como argumento para atrair o caso ao Supremo.

Enquanto a decisão é descrita como lacônica, o editorial lembra que as suspeitas em torno do Banco Master são robustas. Sob o comando de Daniel Vorcaro, a instituição é acusada de fraudes bilionárias, com contratos fictícios, desvio de R$ 12,2 bilhões e uma quebra que deve gerar custo de R$ 41 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos — sustentado, no fim da cadeia, por milhões de correntistas e poupadores.

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O texto também liga a controvérsia atual ao histórico de Toffoli. A Folha recorda casos em que o ministro anulou processos da Lava Jato envolvendo réus confessos e afirma que decisões desse tipo alimentam dúvidas sobre a atuação dele e do tribunal.

Para o jornal, cresce a percepção de que o STF se mostra permeável a interesses privados, seja ao flexibilizar regras de conflito de interesses, seja ao manter encontros com políticos e empresários que podem ter causas na corte.

“A decisão mal explicada não contribui para a credibilidade da corte nem do magistrado”, afirma a Folha. “Toffoli não é um novato em medidas que despertam questionamentos, como nas sucessivas anulações de processos contra réus confessos da Operação Lava Jato. A imagem do Supremo se desgasta com a percepção crescente de permeabilidade a interesses particulares, seja na flexibilização de normas que regulam conflitos de interesses, seja nos encontros entre ministros e políticos e empresários com causas em potencial na corte.”

As suspeitas ao redor de Vorcaro

Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master | Foto: Divulgação/Banco Master
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master | Foto: Divulgação/Banco Master

No caso do Master, o editorial ressalta o alcance político de Vorcaro, descrito como um financiador assíduo de eventos que reuniam a elite política e jurídica de Brasília, com trânsito por diferentes espectros — esquerda, direita e centro. O banco recebeu ainda grandes volumes de recursos de fundos de previdência estaduais e municipais, em operações classificadas como escolhas difíceis de entender.

A Folha finaliza afirmando que a demora do Banco Central para liquidar o Master também precisa ser explicada e conclui que, diante do tamanho do prejuízo potencial e da rede de relações em torno da instituição, é dever dos ministros do STF atuar com transparência, rigor e clareza de propósitos. A decisão de Toffoli, no entanto, vai na direção oposta.

Leia também: “O castelo de areia chamado Banco Master”, reportagem de Carlo Cauti e Gustavo Segré na Edição 297 da Revista Oeste

5 comentários
  1. Silas
    Silas

    E lá está o _“amigo do amigo do meu pai”_ — aquele que afirmou que o STF funciona como o editor do Brasil — cumprindo fielmente sua missão. Como já disse um outro “ungido”: “MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA!” :/

  2. Ricardo Fonseca Alves
    Ricardo Fonseca Alves

    José Antônio Dias Toffoli é um dos maiores criminosos que existe um judiciário brasileiro 

  3. Roberto Thompson Henriques
    Roberto Thompson Henriques

    A impressão que se tem é que o STF só se interessa pelos casos onde muito dinheiro está envolvido. Teve o caso da Odebrecht, os Habeas Corpus para envolvidos no roubo do INSS, e agora esse escândalo do Banco Master sendo levado para a última instância sem foro privilegiado. E o pior, quando tudo deveria ser esclarecido de maneira transparente eles impõe sigilo na “investigação”?

  4. David S
    David S

    Como é que um crápula desse, é ministro do stf!?
    Atitude que deixa claro a cumplicidade destas porcarias….

  5. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    O maior coveiro da história da humanidade. Acho até que enterrou a arca de Noé

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