publicidade
Imprensa

MP do setor elétrico amplia gratuidade e eleva custo para a população, afirma Folha

Projeto beneficia inscritos em programas sociais, mas impõe repasse bilionário à classe média e ao setor produtivo

Senadores se mobilizam contra articulação do Itamaraty para blindar Moraes de possíveis sanções dos EUA. Proteção foi encomendado pelo governo Lula | Foto: Ricardo Stuckert / PR
Senadores se mobilizam contra articulação do Itamaraty para blindar Moraes de possíveis sanções dos EUA. Proteção foi encomendado pelo governo Lula | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em editorial publicado neste domingo, 25, o jornal Folha de S.Paulo afirma que, embora embalada como uma reforma do setor elétrico, a Medida Provisória (MP) 1.300, do governo federal, tem caráter predominantemente eleitoreiro.

Ao oferecer gratuidade e descontos na conta de luz para 60 milhões de brasileiros, o Planalto transfere parte da fatura para a classe média e para a indústria nacional.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste

Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 21 de maio, a MP cria novos benefícios para famílias de baixa renda. Ao mesmo tempo, amplia a atuação de fundos públicos para cobrir o impacto.

Segundo técnicos do setor, a proposta tem potencial para pressionar as tarifas nos próximos anos e reforçar distorções que já encarecem a energia no Brasil.

O texto concede gratuidade para quem consome até 80 kWh por mês e esteja inscrito em programas sociais.

Além disso, famílias com consumo até 120 kWh e renda de até um salário mínimo por pessoa terão um desconto de 12% na conta de luz.

O governo estima que os benefícios custarão R$ 3,6 bilhões por ano, pagos pela Conta de Desenvolvimento Energético — fundo que já representa cerca de 15% da tarifa.

Especialistas do setor privado projetam impacto ainda maior: até R$ 10 bilhões, o que poderia gerar aumento de 1,5% nas contas dos demais consumidores. A medida ainda prevê uma abertura gradual do mercado livre de energia.

A partir de agosto de 2026, empresas de pequeno porte e estabelecimentos comerciais poderão escolher o fornecedor. Para residências, a mudança começa no fim de 2027.

De acordo com o editorial, o governo apresenta essa abertura como um avanço de competitividade no setor. Contudo, os efeitos práticos devem aparecer apenas a médio prazo.

MP ignora gargalos estruturais do setor elétrico

A expectativa é que os preços caiam em 2028, mas o risco imediato é de maior pressão sobre os consumidores que já arcam com os encargos do sistema.

Apesar da promessa de modernização, a medida não enfrenta os principais entraves do setor. A concentração de usinas renováveis no Nordeste, por exemplo, continua provocando desperdício por falta de linhas de transmissão adequadas para o restante do país.

Segundo a Folha, o problema prejudica as geradoras e compromete a estabilidade do sistema.

+ Leia também: Estadão: PT enfrenta dilema de futuro sem Lula”

Além disso, o texto prevê a retirada de subsídios para novas fontes renováveis a partir de 2025, o que pode inibir investimentos e pressionar os preços no futuro.

A MP 1.300, ao mesmo tempo em que reforça o discurso social do governo, impõe custos crescentes ao setor produtivo. A conta da gratuidade pode, por fim, sair cara.

1 comentário
  1. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    É uma loucura o que permitimos acontecer com o crime organizado e a mediocridade no poder.
    Chega-se a conclusão que merecemos!

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.