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Moraes ataca ‘garantias democráticas’ em decisão contra protesto de deputados, diz Gazeta

Ministro ordenou retirada de parlamentares sob ameaça de prisão mesmo sem sinais de violência ou abuso

Hélio Lopes
Segundo o editorial, o ato não apresentava qualquer ameaça concreta à ordem pública | Foto: Reprodução/Redes sociais/Hélio Lopes

Em editorial publicado nesta segunda-feira, 28, o jornal Gazeta do Povo classificou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um grave abuso de autoridade. O veículo alerta para o risco de se normalizar a repressão a manifestações pacíficas.

Na sexta-feira 25, cinco deputados do Partido Liberal (PL) montaram uma pequena estrutura em frente ao STF, em Brasília.

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Liderados por Hélio Lopes (PL-RJ), eles protestavam em silêncio, com esparadrapos na boca, para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiar o projeto de anistia aos réus do 8 de janeiro. A manifestação transcorreu de forma pacífica.

Sem discursos, cartazes nem aglomeração, os parlamentares apenas permaneceram na Praça dos Três Poderes.

Mesmo assim, Moraes determinou a remoção imediata dos envolvidos, sob ameaça de prisão, e mandou fechar o local com grades. O acesso só foi parcialmente liberado no domingo 27, mas as barreiras continuaram montadas.

Segundo o editorial da Gazeta do Povo, o ato não apresentava nenhuma ameaça concreta à ordem pública. Para o jornal, a decisão do magistrado configura mais um passo na escalada autoritária que compromete garantias constitucionais fundamentais.

Moraes age sem demonstrar vínculo entre protesto e inquérito

Moraes assinou a ordem no âmbito do Inquérito das Fake News. No entanto, o despacho não demonstrou nenhuma conexão entre o protesto e o objeto da investigação.

Em 12 páginas, o ministro citou leis estrangeiras sobre limites à liberdade de manifestação. Contudo, não explicou por que a conduta dos deputados se enquadraria em alguma dessas restrições.

A decisão, portanto, afirma que “o direito de reunião e a liberdade de expressão não amparam a prática de atos abusivos e violentos”, mas ignora o fato de que o protesto foi pacífico.

Não houve tumulto, confronto nem ameaça concreta à ordem democrática. Tampouco havia elementos que justificassem uma intervenção com uso da força.

+ Leia também: “Cid vai apresentar hoje suas alegações finais ao STF”

Moras ainda argumentou que os parlamentares pretendiam “repetir os ilegais e golpistas acampamentos realizados na frente dos quartéis”. No entanto, não apresentou nenhuma evidência de que esse fosse o propósito do grupo

Segundo a Gazeta do Povo, mesmo que, em tese, o protesto pudesse se transformar em algo mais grave, isso não justifica sua repressão prévia. O simples risco de uma futura infração não basta para que o Estado dissolva uma manifestação legítima.

2 comentários
  1. Refletindo internamente
    Refletindo internamente

    Gostaria de saber o que aconteceria se o STF desse apenas uma canetada dizendo que a esquerda não fizesse protesto, embora eu saiba que os protestos de esquerda sao um braço violento e um teatro do proprio governo brasileiro, igual ao MST que é usado pelo governo pra desapropriar terras pro governo que judicialmente levariam anos, os protestos de esquerda sao apenas PSYOPS autorizados pelos proprios governos pra obter o que querem sem usar a justiça pq ela é muito lenta.

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