publicidade
Imprensa

Lula quer baixar preços dos alimentos no grito, diz Estadão

Para jornal, governo toma medidas paliativas e inócuas contra a inflação

Lula adotou medidas para reduzir preço dos alimentos | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula adotou medidas para reduzir preço dos alimentos | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Obcecado em recuperar a popularidade, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou o Imposto de Importação sobre vários alimentos para tentar conter a inflação, que atormenta os brasileiros e prejudica a popularidade do presidente. O tema é destaque no editorial do jornal O Estado de S.Paulo deste sábado, 8.

E o petista resolveu falar grosso. Filosofando sobre as razões por trás do aumento do preço dos ovos, por exemplo, o presidente Lula isentou as galinhas, responsabilizou “atravessadores” e não descartou a possibilidade de tomar uma “atitude drástica” para reduzir os preços, caso não encontre uma “solução pacífica”.

Receba nossas atualizações

“Não encontrei uma galinha pedindo aumento no preço do ovo”, afirmou nesta sexta-feira, 7, em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Minas Gerais.

+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste

“A gente não quer brigar com ninguém, a gente quer encontrar uma solução pacífica”, acrescentou. “Mas, se a gente não encontrar, a gente vai ter que tomar uma atitude mais drástica, porque o que interessa é levar a comida barata para a mesa do povo brasileiro.”

Não se sabe bem que “atitude drástica” poderia ser tomada por Lula, pontua o Estadão, mas a história brasileira está repleta de momentos em que presidentes tomaram “atitudes drásticas” para fazer a inflação baixar na marra, e o resultado foi sempre desastroso. Segundo o jornal, isso ocorre ao implicar intervenção nos mercados e na formação de preços, o que resulta quase sempre em desabastecimento e desestabilização.

“Na verdade, enfrentar a carestia requer austeridade, e não populismo”, diz o veículo. “Certamente não será no grito, ameaçando produtores rurais e transportadores, que o governo terá sucesso em sua cruzada pela redução do preço dos alimentos, mas a estratégia parece ser unicamente a de mostrar que o governo fez tudo o que podia para ajudar os mais pobres – e que os culpados pela inflação são, claro, os outros.”

Governo Lula adotou redução de impostos para conter preços altos

Sem ter muito o que fazer, o governo decidiu anunciar a redução do Imposto de Importação sobre alimentos, que valerá para alguns dos itens cujos preços passaram a assombrar o consumidor, como carnes, café e açúcar.

A medida ainda precisa ser referendada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e incluirá milho, óleos vegetais, azeite, sardinha, biscoitos e massas alimentícias.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, disse ainda que o governo fortalecerá a formação de estoques reguladores e dará prioridade ao financiamento de itens da cesta básica por meio do Plano Safra. Por fim, apelou aos governadores para que façam sua parte e isentem o ICMS sobre esses produtos.

Leia também: “Com Lula, agro para de crescer”

“O conjunto de medidas mostra o tamanho do desespero de um governo perdido e com um arsenal de medidas bastante limitado”, pontua o Estadão.

No caso de itens como carne, café e açúcar, o Brasil já é um dos maiores produtores mundiais e dificilmente conseguirá importar um volume tão significativo a ponto de reduzir seus preços. No caso do milho, o país é o terceiro maior produtor, atrás dos Estados Unidos e China, e pratica preços bastante competitivos nos mercados interno e externo.

“Impacto nos preços domésticos, se houver, será pouco relevante e não será sentido no curto prazo”, acrescenta o jornal. “Ademais, não há qualquer garantia de que a isenção de impostos seja repassada aos produtos, pois ela pode facilmente ser diluída ao longo da cadeia. Por fim, dificilmente os preços voltarão aos patamares anteriores.”

Leia também: “Lula erra e coloca ovos como isentos de imposto em postagem”

Para o Estadão, o problema dos preços dos alimentos é mais complexo e vai muito além da tributação. “A seca prejudicou o desenvolvimento das lavouras no país e houve quebra da safra de café em países como Vietnã e Indonésia – ou seja, a escassez é internacional”, avalia o veículo. “No caso das carnes, a estiagem e as queimadas afetaram sobremaneira a formação das pastagens.”

É possível buscar explicações para o comportamento dos preços de cada um dos itens alcançados pelo anúncio do governo, mas, segundo o jornal, seria tão inócuo quanto as medidas anunciadas.

“A população tem percebido, ao fazer suas compras nos supermercados, que a inflação tem afetado produtos e serviços de forma generalizada, como há tempos não se via, e tem cada vez menos paciência com os discursos de Lula – as pesquisas mostram que sua verve já não convence nem mesmo parte de seu eleitorado mais fiel, isto é, a população de baixa renda no Nordeste, região em que sua avaliação despencou”, analisa. “Mas podia ser pior. Felizmente, o governo não anunciou a taxação das exportações. Por enquanto.”

Leia mais sobre:

2 comentários
  1. RCB
    RCB

    No grito ele quer cada galinha botando 2 ovos por vez, já que elas não reclamam…

  2. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    O desgoverno brasileiro se espelhando na passada política trágica na Argentina da Cristina Kirchner.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade