publicidade
Imprensa

Governo Lula menospreza compromisso fiscal e colhe disparada do dólar, diz Estadão

Executivo parece não entender quão contraproducente tem sido sua reticência em relação à responsabilidade com as contas públicas

Reajuste do salário mínimo vai impactar a economia | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Reajuste do salário mínimo vai impactar a economia | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece não entender quão contraproducente tem sido sua reticência em relação à responsabilidade fiscal. É o que afirma o jornal O Estado de S. Paulo em editorial desta quarta-feira, 18.

Na segunda-feira 16, o dólar encerrou o dia a R$ 6,09, uma cotação recorde, e isso a despeito de o Banco Central (BC) ter injetado US$ 4,617 bilhões em dois leilões cambiais.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste

Nesta terça-feira, 17, o câmbio chegou a tocar os R$ 6,20, mesmo com a intervenção do BC. A divisa só fechou a R$ 6,09 depois que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciou que faria uma manobra para acelerar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do pacote de corte de gastos apresentada pelo governo.

Para o Estadão, a razão por trás das turbulências que têm afetado o mercado nas últimas semanas é a incapacidade do presidente Lula de convencer os investidores de que leva a sério a necessidade de um duro ajuste fiscal.

“Não bastasse a frustração com as medidas anunciadas pelo governo, deputados da base aliada, sobretudo do PT, têm atuado para desidratá-las ainda mais”, diz o jornal. “Isso explica não só a disparada do dólar, mas também dos juros futuros, o grande indicador do ceticismo do mercado.”

Dólar disparou nesta terça-feira, 17, e chegou a bater R$ 6,20 | Foto: Reprodução/Pxhere
Dólar disparou nesta terça-feira, 17, e chegou a bater R$ 6,20 | Foto: Reprodução/Pxhere

Uma parte da alta do dólar é sazonal, resultado da compra da moeda por multinacionais, que precisam enviar remessas às suas matrizes antes que o ano acabe. Os leilões do BC foram uma tentativa de dar alguma liquidez a essas operações, sobretudo em um momento em que os investidores têm deixado o país.

A moeda norte-americana também tem subido em razão das prováveis medidas econômicas que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu tomar assim que tomar posse. Além disso, o mercado também aguarda pela decisão do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sobre um novo corte nos juros nesta quarta-feira.

“Em relação a isso, o país tem pouco ou nada a fazer”, ressalta o Estadão. Internamente, no entanto, o governo teria muito a colaborar, uma vez que o que agita o mercado é a perspectiva de que os caminhos da política monetária do BC e da política fiscal do governo sigam em direções diametralmente opostas.

Leia também: “Saúde de Lula: governo manda, e YouTube tira vídeos do ar”

“Em meio a essa crise, Lula da Silva vocifera contra os investidores, fazendo o que dele se espera”, acrescenta o jornal. “O problema é muito mais grave, no entanto, quando é o próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quem anda espalhando por aí que há uma ‘ação orquestrada’ de agentes cujas análises estariam contaminadas por suas preferências políticas, segundo apurou o Estadão“.

Também segundo o editorial, técnicos do Ministério da Fazenda entendem que o mercado “está exagerando” e argumentam que os fundamentos da economia brasileira não justificam uma disparada tão forte do dólar.

Para a publicação, isso deixa claro que o governo começa a operar no “universo paralelo característico do lulopetismo”, ignorando que o mercado não se move apenas pelos indicadores macroeconômicos atuais, mas, sobretudo, pelos futuros.

“O fato é que o frágil pacote de gastos que o governo apresentou permite afirmar, com alguma segurança, que o câmbio vai se desvalorizar, com a saída de capital externo; que os juros serão elevados pelo BC, para tentar conter a inflação; e que o endividamento continuará a subir na proporção do PIB, uma vez que os gastos crescem em uma intensidade maior que a das receitas”, avalia o jornal.

É bom lembrar que a desvalorização do real ante o dólar não é algo tão recente. No fim do ano passado, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 4,90. A perda de valor se acentuou em abril, quando o governo decidiu mudar as metas fiscais de 2025 e 2026 sem nenhuma comunicação ou justificativa.

Governo Lula prefere “brincar com fogo”

O governo, no entanto, prefere “brincar com fogo” na expectativa de que o mercado se acalme por conta própria, sem nenhuma sinalização mais firme a respeito de seu compromisso fiscal.

Leia também: “Lula: ‘Ninguém tem mais responsabilidade fiscal do que eu'”

Ainda que isso venha a ocorrer, o que é certo é que o câmbio, nesse patamar, terá forte impacto na inflação, que já acumula alta de 4,87% nos 12 meses encerrados em novembro, acima do teto da meta.

Por enquanto, o dólar já tem acelerado a inflação ao produtor e a da construção civil, mais próximas de 6% no acumulado em 12 meses, mas logo esse estrago chegará ao consumidor.

“Enquanto isso, o governo só enxerga o ano eleitoral de 2026, esquecendo o quanto a inflação elevada pode prejudicar os mais pobres e, por consequência, suas chances na disputa”, conclui o texto.

Leia mais sobre:

7 comentários
  1. Anísio Silva Horta
    Anísio Silva Horta

    PARECE QUE A CONTA CHEGOU. A MASSA QUE O ELEGEU, A PARTIR DE AGORA, VAI ENTENDER PORQUE NAO SE DEVE VOTAR EM LADRÃO. É SÓ MORRO ABAIXO. PARECE QUE VAMOS COMEÇAR A DAR ADEUS AO PLANO REAL.

  2. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    É nojento ver esse pasquim que fez de tudo para colocar essa turma no poder, agora esteja reclamando.

  3. Ricardo Villas
    Ricardo Villas

    Lula é um sujeito que passou a vida ganhando dinheiro fácil em negociatas, recebimento de propina em troca de favores, criando uma mentalidade que o dinheiro do caixa do governo é inesgotável. É uma mentalidade errática de quem não sabe o que é ganhar o pão de cada dia com o “suor do seu rosto”. Está na natureza dele e quem votou neste ser desprezível é corresponsável com a situação que a economia brasileira está passando.

  4. ELIAS
    ELIAS

    A economia derretendo é o desfecho mais óbvio num governo irresponsável como sempre são os governos petistas.
    Mas, calma pessoal, nada é tão ruim que não possa piorar.

  5. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Muitas vezes em seu discurso dentro do “cercadinho” da militância, Lula dizia que “teto fiscal é bobagem”. “O governo precisa gastar para colocar dinheiro na economia”. A declaração mostra o tamanho da miopia sobre um setor vital como o econômico. É um mau cozinheiro que não sabe distinguir uma cenoura de um tomate. Tão logo saiu do hospital da espetacular recuperação milagrosa, ele saiu atacando o seu maior inimigo, Jair Bolsonaro, comparando-o com um cupim que destruiu o Brasil. Mas não disse que Bolsonaro deixou as estatais com lucro, enquanto, hoje, elas amargam prejuízo. Um gestor incompetente só pode elevar o dólar à altura nunca vista antes. . Os culpados são aqueles que o tiraram da cadeia. Como seria diferente o Brasil se essa pessoa ainda estivesse no lugar onde deveria estar…

  6. KARIN STEPPE
    KARIN STEPPE

    O que esperar de um governo incompetente e que tem ajuda da mídia para mentir e enganar a população. A culpa é deles e eles põe em quem eles querem. 😡

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade