A jornalista Letícia Sallorenzo apresentou, em 25 de outubro, uma petição criminal ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra os também jornalistas David Ágape e Eli Vieira e o ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro. Ela pede a investigação dos três por difamação, injúria, perseguição e outros crimes, inclusive “abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.
Sallorenzo afirma que foi alvo de ameaças e perseguições “amplificadas por perfis de alto alcance” e vincula o caso a inquéritos das milícias digitais e dos atos de 8 de janeiro. A petição não apresenta provas diretas nem cita mensagens de incitação ou coordenação entre os acusados e usuários de redes sociais. Também não houve pedido de direito de resposta nem contestação dos documentos publicados.
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Moraes vai relatar o processo
Em 27 de outubro, o processo foi distribuído por “prevenção” ao ministro Alexandre de Moraes, a pedido da própria denunciante. A estratégia busca associar o pedido de Sallorenzo ao inquérito das milícias digitais, sem sorteio. Em 28 de outubro, ele enviou os autos à Procuradoria-Geral da República, que deve decidir sobre investigação ou arquivamento até 12 de novembro.
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A petição descreve os jornalistas como “blogueiros” e omite pontos das reportagens da série Vaza Toga, que abordaram a atuação de Sallorenzo como colaboradora informal do TSE e sua relação com pessoas próximas a Moraes. Ela própria se identificava nas redes como “bruxa”, termo citado nas reportagens e agora apresentado como ofensa.
As acusações incluem lista extensa de crimes, como difamação, apologia e associação criminosa, além de ilícitos atribuídos a Tagliaferro. O texto tenta associar as reportagens a expressões como “milícia digital” e “ataques institucionais”, o que, segundo os jornalistas, configura tentativa de criminalizar a atividade jornalística e intimidar a imprensa.
Reação judicial à série Vaza Toga
A queixa é reação direta à série Vaza Toga, publicada entre 2024 e 2025, que revelou supostas relações informais entre colaboradores e o TSE. As reportagens citaram mensagens e documentos que indicavam participação de Sallorenzo em ações internas de monitoramento de críticas ao tribunal.
O ex-assessor Eduardo Tagliaferro confirmou no Senado que Sallorenzo atuava como colaboradora informal no entorno de Moraes. Ela teria acesso privilegiado e influência sobre decisões ligadas à repressão de conteúdos classificados como desinformação.
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Os jornalistas afirmam que todas as informações eram de interesse público e obtidas por meios legais. As reportagens mostraram que Sallorenzo enviava relatórios ao TSE, participava de operações e mantinha proximidade com figuras do Judiciário.
Na petição, a jornalista usa comentários de terceiros como prova de perseguição e tenta responsabilizar os autores pelas reações de leitores nas redes. Segundo os acusados, isso ignora que não houve incitação nem ataques pessoais promovidos por eles.
Liberdade de imprensa em risco
Para os jornalistas, a denúncia é exemplo de assédio judicial contra a imprensa. O uso do STF como via direta, sem sorteio, e a tentativa de associar o caso a inquéritos sigilosos indicam possível parcialidade.
A Constituição garante a liberdade de expressão e veda censura de natureza política ou ideológica. Entidades internacionais e decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos reconhecem que punir jornalistas por reportagens investigativas configura censura indireta.
Os acusados afirmam que suas reportagens se basearam em fatos e fontes legítimas. Para eles, o processo tenta transformar o exercício do jornalismo em crime, contrariando o marco constitucional da liberdade de imprensa definido pela ADPF 130.






































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