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Inflação de janeiro 'engana' população, diz Estadão

Bônus de Itaipu contribui para a desaceleração do IPCA em janeiro, mas não passa de alívio pontual no bolso de consumidores

Inflação desacelerou em janeiro | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Inflação desacelerou em janeiro | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O “alívio” da inflação em janeiro, com alta de apenas 0,16%, depois de um aumento de 0,52% em dezembro, poderia ser auspicioso para a economia, não fosse o bônus de Itaipu, que deixou a energia elétrica 14,21% mais barata no mês. É o que afirma o jornal O Estado de S. Paulo em editorial desta quinta-feira, 13.

A redução com o custo da eletricidade gerada pela usina impactou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em -0,55 ponto porcentual. Sem essa contribuição, a inflação de janeiro teria chegado a 0,71%, e a taxa acumulada em 12 meses teria alcançado 5,13%, segundo cálculo do economista André Braz, do FGV Ibre.

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“A questão é que o ‘desconto’ nas tarifas de energia tem fôlego curto, e a queda verificada no mês passado virá como alta em fevereiro”, afirma o jornal. “É um movimento natural, haja vista que não houve mudança estrutural na formação de preços, mas apenas um encontro de contas no saldo da usina administrada paritariamente por Brasil e Paraguai.”

Mesmo com a forte desaceleração que o bônus de R$ 1,3 bilhão repassado às contas de luz representou para a inflação em janeiro, a taxa anualizada continuou acima do teto da meta de 3% fixada pelo governo, chegando a 4,56% em janeiro.

Importantes grupos de preços continuam subindo, como transportes e alimentos, estes em sua quinta alta mensal consecutiva, e o peso da inflação sobre o consumidor não ficou atenuado pelo resultado fora da curva do mês de janeiro. Apesar do respiro do IPCA, a escalada dos preços continua preocupante – ou, para usar a linguagem do Banco Central, o cenário é adverso para a inflação dos alimentos no médio prazo.

Mas o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu entrar no modo negação e desdenhar olimpicamente da pressão inflacionária e seus efeitos na economia, avalia o jornal.

“Primeiro, o presidente recomendou à população que deixasse de comprar produtos caros para forçar a queda de preços”, afirma. “O roteiro resultou numa enxurrada de críticas, pois a carestia à qual se refere o petista abrange itens essenciais, como café, óleo, leite e carne, e não supérfluos ou produtos sofisticados.”

‘Na sequência, ministros também minimizaram a inflação dos alimentos, justamente um dos itens que mais pesam no bolso dos mais pobres”, acrescenta. De acordo com o IBGE, famílias com renda mensal de até dois salários mínimos gastam mais de 60% de seu orçamento mensal para custear casa e comida.

Leia também: “Inflação dos alimentos: preço dos ovos de galinha sobe até 40%”

Haddad compara inflação de Lula à da gestão Bolsonaro

Antes mesmo da divulgação da desaceleração do IPCA de janeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista a uma rádio de Caruaru (PE), disse que “todos os preços” hoje estão abaixo dos que “o presidente Lula herdou de Bolsonaro” e sustentou que a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação, vai manter o poder de compra.

Há pouco tempo, era Haddad quem insistia em mais medidas de ajuste fiscal para compensar o minguado pacote fiscal anunciado em novembro na busca pelo reequilíbrio das contas públicas.

Agora, o ministro atribui quase exclusivamente ao aumento do dólar – e seu impacto nas exportações – a alta dos preços internos, e coloca a pressão cambial tão somente na conta da eleição de Donald Trump como presidente dos EUA.

Presidente Lula mente ao dizer que inflação está sob controle | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Presidente Lula mente ao dizer que inflação está sob controle | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

“Este, aliás, foi um dos argumentos que sustentaram a ideia de uma ala do PT segundo a qual a taxação das exportações poderia reduzir a inflação, uma possibilidade que causou reação negativa tão forte que obrigou o governo a descartá-la oficialmente”, afirma o Estadão.

“Taxar produtos exportados ou fixar novas regras para os cartões de refeição não resolverá o problema da inflação, mas o governo segue tentando subestimar a alta inflacionária”, acrescenta.

Em entrevista a uma rádio na Bahia, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que chegou a falar em um “conjunto de intervenções” para baratear preços nos supermercados, disse que a inflação foi “infinitamente menor” nos dois anos do governo Lula do que nos quatro de Jair Bolsonaro (PL).

Leia também: “Alta dos combustíveis pressiona preço dos alimentos e desafia Lula a conter inflação”

O jornal afirma que houve, de fato, estouros de meta na gestão Bolsonaro, especialmente nos dois últimos anos, quando a inflação bateu 10,06% (2021) e 5,79% (2022), parte pelas ações de combate à pandemia de covid-19, parte por gastos em ano de campanha eleitoral.

“Em vez de buscar se eximir de sua responsabilidade com base em comparações, o governo deveria olhar para si mesmo e concentrar esforços na redução de seus próprios gastos”, conclui o texto.

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6 comentários
  1. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Comparar o governo da pandemia de covid com o de hoje não tem pé nem cabeça.

  2. Adail da Costa Leite Filho
    Adail da Costa Leite Filho

    Não há melhor detector de mentiras do que o bolso do cidadão e seu dia-a-dia. A manipulação de números através do IBGE e as mentiras e cortinas de fumaça boladas pelo Sidonio não surtem efeito. Como Lula não terá até as próximas eleições meios para reverter o caos econômico que esta impondo a população e usufruir de um cenário positivo para ele e sua quadrilha vai virar seus canhoes para a tentativa de desmoralizar através de mentiras e falsas narrativas todo aquele que representar a derrota da esquerda nas próximas eleições.
    URNA ELETRONICA COM VOTO IMPRESSO JA!

  3. JOSE ROBERTO CARRARA
    JOSE ROBERTO CARRARA

    esses canhotas incompetentes liderados pelo analfabeto, não desceram do palanque ainda para governar e o pais continua a deriva,,,, uma lástima!

  4. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    Estadão por mais de 5 anos vem enganando a população!

  5. Otavio Lazario de Queiroz
    Otavio Lazario de Queiroz

    HADDAD É POSTE DE LULE. É TABLET É NADA. LULA MIJA NOS DOIS.
    BRASIL CAMINHA PRA UM BURACO. COM TAXAS DE JUROS.ALTAS NÃO TEM INVESTIMENTO PROVADO EM PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE. PAÍS MINGUA E AMPLIA GASTOS PÚBLICOS QUE FOMENTA A DEMANDA. ÚNICA SOLUÇÃO É REDUZIR GASTOS PÚBLICOS NÃO TEM OUTRO CAMINHO. SE MELHORAR A QUALIDADE DOS GASTOS MELHOR AINDA.

  6. Jorge Fernandes
    Jorge Fernandes

    Quando não se tem argumento para o todo se faz pequenos recortes 😉

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