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'Eu não queria estar na pele da imprensa', diz Marco Aurélio Mello, sobre decisão do STF

Ministro aposentado critica decisão da Corte, que libera futuras punições a empresas de jornalismo por causa de falas de entrevistados

Marco Aurélio errou Moraes
No Supremo, Marco Aurélio Mello marcou posição contra possibilidade de punir veículos de comunicação diante de afirmações de entrevistados; maioria da Corte, no entanto, teve outro entendimento | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello criticou a decisão em relação à imprensa. Conforme parecer desta quarta-feira, 29, a Corte definiu que veículos de comunicação podem ser punidos, inclusive com aplicação de multas, em razão de afirmações de entrevistados.

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Marco Aurélio era o relator do recurso que levou o STF a autorizar ontem a responsabilização de empresas de mídia por acusações de entrevistados a terceiros. Quando votou no julgamento, o então ministro foi contra a tese agora aprovada por maioria pelo tribunal.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Marco Aurélio avaliou que a decisão vai na contramão da liberdade jornalística no país. “Eu não queria estar na pele da imprensa.”

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O ex-ministro do STF também considerou que a decisão é um “embaraço” ao exercício da profissão. “Fui relator, já me aposentei há dois anos e agora é que concluíram o julgamento”, disse Marco Aurélio. “Fiquei vencido.”

Liberdade de imprensa: o julgamento no STF que teve Marco Aurélio Mello como relator

imprensa marco aurélio mello
Então ministro do STF, Marco Aurélio Mello votou contra aplicação de punições contra empresas de comunicação por causa de falas de entrevistados | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O julgamento sobre a possibilidade de punir veículos de comunicação por causa de afirmações feitas por entrevistados teve início em maio de 2020, no STF. Mas, entre idas e vindas, por pedidos de vista (mais tempo para analisar o caso) dos ministros Alexandre de Moraes — que herdou a relatoria do processo depois da aposentadoria de Marco Aurélio Mello —, e Luís Roberto Barroso, o julgamento só foi concluído nesta semana.

Ao votar, Marco Aurélio defendeu a tese de os jornais não poderem responder, sem emitir opinião, por declarações dos entrevistados.

“Não se concebe que o Judiciário implemente censura prévia”, escreveu Marco Aurélio na ocasião. “O que deve haver é a responsabilização de algum desvio de conduta cometido pela imprensa, o que não ocorre quando se limita a divulgar entrevista.”

Não há espaço para revisão do julgamento. Os recursos no STF estão esgotados. A decisão poderia ser contestada em uma ação de constitucionalidade, mas o próprio Supremo ficaria encarregado de analisar o processo.

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Uma alternativa poderia ser a via legislativa, com a edição de regras para regulamentar o tema, ou a modulação dos efeitos do julgamento pelo próprio STF, a partir da análise de casos concretos que chegarem ao tribunal.

“Na prática, o que pode acontecer de melhor é o STF perceber que a decisão é inconstitucional e rever o seu entendimento”, observou o advogado constitucionalista André Marsiglia, especialista em liberdade de expressão.

Leia também: “A liberdade proibida”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 191 da Revista Oeste

Revista Oeste, com informações da Agência Estado

8 comentários
  1. Serafim Dos A. Castro Neto
    Serafim Dos A. Castro Neto

    A imprensa marrom e chapa branca nunca vai ter problema. Agora, os pouquíssimos veículos de imprensa q sobraram e q dão voz aos da direita estarão ferrados. A decisão do ésseteéfe é para atingir os críticos ao governo e ao sistema clepto e plutocrata vigente atualmente no Brasil. A maioria desses ministros foi colocada lá pelo Pt de Luladrão. Então a corte tem lado e defende esse lado. Nosso caminho institucional é igual ao da Venezuela e em seguida Nicarágua. Vejam q os maiores jornalistas críticos a tudo isso já foram banidos e estão refugiados nos EUA. Então o pau já está rolando, mas a turma fingi não ver. Essas novas medidas veem na direção de consolidar a mais abjeta censura prévia e com isso intimidar a todos. Já temos prisões arbitrárias também. Escrevam aí, assim como já fez com Bolsonaro tornando-o inelegível, método copiado do Maduro, várias políticos serão impedidos de se candidatar para o pleito do ano q vem. Será uma cópia perfeita da Venezuela.

  2. Barbara Heliodora Floriano Barbosa Serrano Cotes
    Barbara Heliodora Floriano Barbosa Serrano Cotes

    A ditadura ja se instalou no brasil. SALVE-SE QUEM PUDER!!!!!!

  3. ANTONIO IRINEU SALES ARRAIS
    ANTONIO IRINEU SALES ARRAIS

    Para quem tinha alguma dúvida de que é urgente e necessário frear o STF, ou estaremos todos f…………

  4. Bruno Thiago Souza de Lima
    Bruno Thiago Souza de Lima

    Infelizmente nós sabemos bem quais jornais serão penalizados e multados, podem ter certeza que a Revista Oeste já está no radar.

  5. Reginaldo Corteletti
    Reginaldo Corteletti

    Um ajuntado de loucos desvairados se encontra nas cadeiras do supremo.

  6. Lindomar vitor morais
    Lindomar vitor morais

    No equilíbrio dinâmico da balança legis, materialidade contra subjetividade viesadas … Onde está o fiel …

  7. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Isso chama-se censura e ditadura, vão aos poucos…

  8. ALEX
    ALEX

    Temos que vencer a essa gentalha na cultura. Fazer poemas, contos, curtas, etc mostrando o grau de corrupção no Brasil, mas usando de personagens, nomes diferentes e outros subterfúgios para não sofrer censura. A esquerda, quando foi derrotada em 64, partiu para a cultura para dominá-la, seguindo os preceitos de Gramsci. A direita, sempre retardatária, sequer pensou a respeito disso. Age apenas de maneira reativa.

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