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Estadão: Justiça é absolutamente eficaz na defesa de interesses corporativos

Jornal criticou decisão que liberou 'penduricalho' a juízes federais e vai custar R$ 1 bilhão

Ministro Dias Toffoli, do STF, atendeu pediu da Ajufe e cassou decisão do TCU que barrava privilégio | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Ministro Dias Toffoli, do STF, atendeu a pedido da Ajufe e cassou decisão do TCU que barrava privilégio | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Em editorial publicado na edição desta sexta-feira, 29, o jornal O Estado de S. Paulo criticou a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de cassar um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) que tinha suspendido o pagamento de quase R$ 1 bilhão em penduricalhos a juízes federais.

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Em 19 de dezembro, um dia antes do recesso do Judiciário, em uma decisão monocrática, Toffoli acatou pedido da Associação de Juízes Federais (Ajufe) para afastar a decisão do TCU e validar o pagamento do chamado Adicional por Tempo de Serviço (ATS), um benefício extinto há 15 anos que foi “ressuscitado” pelo Conselho da Justiça Federal (CJF) em 2022 e validado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Trata-se de uma gratificação quinquenal que aumenta o salário dos juízes em 5% a cada cinco anos. Apenas em janeiro, a União vai desembolsar R$ 17 milhões com a benesse. O pagamento será retroativo e vai gerar um gasto de R$ 900 milhões. Magistrados que ingressaram na carreira na década de 1990, por exemplo, poderão embolsar até R$ 2 milhões cada um.

Nada parece ser capaz de barrar os benefícios ao Judiciário, diz Estadão

Toffoli
Ministros do STF Edson Fachin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Para o Estadão, a decisão de Toffoli atende a interesses corporativos do Judiciário, que sempre encontra um jeito de turbinar seus vencimentos e se manter como elite do funcionalismo público.

“A decisão de Dias Toffoli é uma aula de Brasil real. Engana-se quem pensa que o Estado brasileiro não funciona. Na defesa de interesses corporativos, a Justiça é de uma eficácia absolutamente espetacular. Não parece haver nada capaz de barrar o efetivo pagamento de benefícios a magistrados, mesmo que esses benefícios sejam manifestamente imorais e ilegais. Ao fim, o Judiciário sempre encontra um argumento para assegurar que os recursos públicos cheguem aos bolsos particulares dos ilustres membros da elite do funcionalismo público”, afirma o Estadão, no editorial.

+ Barroso encaminha a Toffoli decisão que libera pagamento extra a juízes

Para o jornal, o argumento usado por Dias Toffoli para cassar a decisão do TCU — de falta de competência — serve apenas para a manutenção dos benefícios, já que o CJF e o CNJ sempre dão decisões favoráveis à categoria, mesmo em casos de flagrante imoralidade.

“O peculiar é que ninguém na Justiça adverte que, apesar da competência originária do CNJ e do CJF para conter os abusos administrativos do Judiciário, esses dois órgãos são descaradamente ineficientes no cumprimento de suas atribuições”, critica o jornal.

‘CJF e CNJ se converteram em instrumento de manutenção de privilégios’

Sessão CNJ
CNJ foi criado em 2004 para prover um padrão mínimo de moralidade | Foto: Rômulo Serpa/Agência CNJ

O Estadão lembra que, apesar de terem sido criados em 2004 como forma de prover um padrão mínimo de moralidade, o CJF e o CNJ “se converteram em instrumento de manutenção dessas desigualdades e desequilíbrios”. “Não cumprem suas funções e se, eventualmente, algum outro órgão estatal menciona a existência de uma ilegalidade, brota logo uma decisão judicial. Assim, os privilégios são irretocavelmente mantidos.”

O jornal adverte que esses escândalos não passam despercebidos pela sociedade e entram para a biografia de seus partícipes. “Afinal, como ignorar que o quinquênio, que contou com decisão favorável do ministro Dias Toffoli em pleno 2023, foi extinto em 2006?”, questiona o jornal. “Não há dúvida de que, para eles, se trata de um genuíno conto de fadas. Mas, para o restante do país, é uma história de terror, asfixiante e sem fim”.

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3 comentários
  1. Luis Antônio Dias Vaz
    Luis Antônio Dias Vaz

    Corporativismo sempre existiu. Esse ministro que foi reprovado em dois concursos públicos pra juiz toma decisões monocraticas das mais destrutivas para o país.

  2. Pedro Lojudice Sanches
    Pedro Lojudice Sanches

    ESPERAR ALGO DE MÉRITO DO ADVOGADO DO PT QUE LÁ FOI CONDUZIDO PARA SER UM FACOLITADOR DOS MALES QUE CAUSAM AO PAÍS. VIDE TAMBÉM. O PERDÃO AOS AÇOUGUEIROS DA J&F.

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