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Estadão: governo quer reonerar a folha sem cogitar reduzir gastos da União

Jornal criticou tentativa de Lula de driblar decisão do Congresso que prorrogou desoneração

estadão desoneração Brasil
Governo Lula anunciou reoneração no dia em que Congresso promulgou prorrogação da desoneração | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A decisão do governo Lula de publicar, no recesso parlamentar, uma medida provisória para reonerar a folha de pagamento em clara tentativa de driblar a decisão do Congresso que aprovou a prorrogação da desoneração foi alvo de crítica do jornal O Estado de S. Paulo.

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Em editorial publicado na edição deste sábado, 30, o jornal lembra que em vez de reduzir gastos da União, ampliados no governo Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, decidiu anunciar a medida provisória exatamente no dia em o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, promulgou a lei da prorrogação da desoneração.

Como desculpa para atropelar o Congresso, Haddad disse que a proposta vai contribuir para manter o orçamento equilibrado e ajudar a cumprir a meta fiscal — desprezada por Lula — de zerar o déficit em 2024.

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“A título de reverter essa situação e zerar o déficit no ano que vem, Haddad recorre, novamente, a medidas para ampliar a arrecadação, reonerando a folha de pagamento sem sequer cogitar tocar nos gastos da União”, afirmou o jornal.

Para o Estadão, o governo petista não terá sucesso com a MP, que passa a produzir efeitos em 1º de abril, “data que não poderia ser mais simbólica, já que ninguém acredita que o governo terá sucesso no capítulo mais recente dessa empreitada”.

Para o Estadão, ‘rejeição da medida provisória é mais que esperada’

Lira Pacheco
Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira e presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco – 03/08/2023, Brasília | Foto Lula Marques/Agência Brasil

Implantada em 2011 no governo de Dilma Rousseff, a desoneração da folha de pagamento estabeleceu a substituição da contribuição previdenciária patronal de 20% por um porcentual do faturamento das empresas. Foi a forma encontrada para ajudar alguns setores a se recuperar das consequências da crise mundial de 2008 sem demissões. Deveria ser temporária, mas acabou sendo renovada até agora.

O Estadão lembra que na última vez em que a política foi prorrogada, em 2021, já se sabia que ela teria validade até o fim deste ano, mas o governo petista não se empenhou para propor uma solução discutida.

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Além disso, o governo também “foi incapaz de convencer sua própria base a rejeitá-la”. Na Câmara, a prorrogação da desoneração até 2027 recebeu 430 votos favoráveis e apenas 17 contrários; no Senado, a aprovação foi simbólica. Com esse placar, o presidente Lula vetou o projeto “sem ter algo em mente para substituí-lo”, critica o Estadão. O veto então foi derrubado e a lei, promulgada.

“Insistir nesse embate já seria contraproducente, mas o ministro Haddad decidiu anunciar sua contraproposta em pleno recesso parlamentar, no dia em que o veto foi promulgado. E tudo isso por meio de uma medida provisória, instrumento rechaçado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e sem diálogo prévio com os setores envolvidos”, analisa o jornal.

Para o Estadão, a hipótese mais provável é de que o Congresso rejeite a medida provisória. “A rejeição da medida provisória pelo Legislativo é mais do que esperada. Talvez sirva como desculpa quando o ministro tiver de admitir a necessidade de mudar a meta fiscal em março”, finaliza o jornal.

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3 comentários
  1. Indignado
    Indignado

    Demorou um ano para a velha imprensa constatar o óbvio. O jabá pago pelo governo não está sendo suficiente para o jornalão.

  2. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Esse pasquim tem razão mas levou quatro anos fazendo campanha para a volta dos PTralhas.

  3. SADI LUIZ BRAGA
    SADI LUIZ BRAGA

    É o BRASIL Ladeira abaixo. O PT não é um partido político. O PT é uma ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.

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