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Folha classifica blindagem a Toffoli como um 'escárnio'

Gilmar Mendes suspendeu quebra de sigilo da empresa de colega em processo arquivado de 2021

Ministro Dias Toffoli durante sessão do STF
Os ministros Dias Toffoli (esquerda) e Gilmar Mendes durante sessão do STF - Brasília (DF), 5/12/2024 | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Um editorial publicado pelo jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira, 3, classifica como um “escárnio” a decisão do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt. A empresa tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli e era alvo de uma providência investigativa determinada pela CPI do Crime Organizado. O texto afirma que a manobra “achincalha os ritos processuais” e sugere a existência de um “jogo combinado” nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF).

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A canetada de Gilmar Mendes ocorreu dentro de um mandado de segurança de 2021, impetrado originalmente pela produtora Brasil Paralelo no contexto da CPI da Covid. O editorial destaca que o processo estava arquivado e não possui nenhuma relação com o Banco Master, com Toffoli ou com a atual CPI. Ao ressuscitar o caso, a manobra direcionou o pedido da Maridt diretamente ao gabinete de Gilmar, relator da ação antiga.

‘Espírito de corpo’ no Supremo

O editorial aponta que a retórica tempestuosa de Gilmar Mendes — que classificou a quebra de sigilo como “destituída de idoneidade” — serve para esconder a falta de substância jurídica da medida. O jornal destaca que o STF tem o dever de observar procedimentos rudimentares, mas que os ministros agem com um “espírito de corpo” que contamina a Corte.

Além do gesto de Gilmar, o texto menciona a decisão do ministro André Mendonça, que na quinta-feira 26, dispensou os irmãos de Toffoli de deporem na mesma comissão parlamentar.

A pressão sobre a cúpula do Judiciário aumentou após a descoberta de mensagens no celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que citam o ministro Dias Toffoli. O editorial reforça que a sociedade exige respostas sobre os “laços pouco republicanos” entre o ministro e o ex-banqueiro.

Para o jornal, as iniciativas “heterodoxas” em favor de Toffoli levantam questionamentos sobre o que o ministro estaria escondendo. O texto conclui que os membros do STF precisam entender que não estão acima das leis e que a cúpula do Judiciário não pode se envolver com o crime organizado sob o pretexto de proteger garantias individuais.

Leia também: “TCU solicita provas ao STF sobre envolvimento e autoridades em festas de Vorcaro”

1 comentário
  1. Ralf Pol
    Ralf Pol

    Kkkk, Folha! Cinismo e hipocrisia são as suas grandes características!
    Onde estava toda essa retórica, há pouco tempo atrás? Já sabemos; convenientemente guardada…

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