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Estadão critica aposta de Lula na 'doutrina' de Celso Amorim

Para o jornal, o chanceler, e não o presidente da República, é quem dita os rumos da política externa do Brasil

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O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim (à esq), e o presidente Lula (à dir), durante um evento no Palácio do Planalto | Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, na última quarta-feira, 18, para discutir temas como a cúpula dos Brics e a guerra com a Ucrânia. Não há detalhes sobre as tratativas entre os dois governantes, mas o jornal O Estado de S. Paulo afirmou que Lula está, com tal aproximação, seguido a doutrina do chanceler Celso Amorim, que cria um “antiocidentalismo” com democracia relativa.

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“O governo tem sido conivente, para não dizer cúmplice, com a estratégia chinesa e russa de metamorfosear o que deveria ser um fórum econômico de grandes países emergentes em um clube autocrático antiocidental”, avaliou o Estadão no editorial de opinião desta sexta-feira, 20. “Eis o núcleo duro da doutrina Amorim: um antiocidentalismo sob o qual não só a democracia, como já disse Lula, é ‘relativa’, mas relativos são até os ideais da esquerda.

Para o jornal, os regimes de Putin e da teocracia do Irã – que o governo recebeu de braços abertos no Brics – são ultrarreacionários.

O texto lembra que o Brasil é uma potência regional média, sem o poder das armas nem do dinheiro. Contudo, possui um “aparato diplomático requintado, um histórico pacífico e recursos cruciais para que o mundo enfrente os grandes desafios globais da segurança alimentar, energética e ambiental”.

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Esses ativos, segundo a publicação, dariam ao país uma posição segura e independente nos conflitos geopolíticos. 

O Estadão reconhece que é difícil para o Brasil manter-se neutro no confronto entre os Estados Unidos e a China, por exemplo, já que ele depende tanto das exportações para a Ásia quanto dos insumos tecnológicos do Ocidente.

“Mas nem por isso o país precisaria renunciar aos valores comuns ao Ocidente, como a democracia liberal ou os direitos humanos, nem ser obrigado a escolher entre um lado e outro”, observou o jornal.

Lula segue seu ideólogo Celso Amorim

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Celso Amorim, assessor especial da presidência, e ‘ideólogo’ de Lula | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O editorial ressalta que a Índia tem conseguido manejar bem a relação entre potências rivais. “Mas o Brasil de Lula escolhe um lado.”

“Se alguém tem dificuldade de enxergar as reais intenções de Lula por trás de suas conjurações ilusionistas, deveria conferir os posicionamentos oficiais do PT e de seu ideólogo Celso Amorim a propósito desses aparentes dilemas”, sugeriu o jornal. “Não há ambiguidade. Lula sabe o que quer”. 

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