publicidade
Imprensa

Jornais classificam decisão de Gilmar Mendes como 'blindagem corporativista'

Estadão e Gazeta do Povo criticam manobra jurídica do decano para anular quebra de sigilo de empresa ligada a Dias Toffoli

Os ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, durante sessão da Corte | Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Os ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, durante sessão da Corte | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Os principais jornais do país reagiram com dureza à decisão do ministro Gilmar Mendes de suspender a quebra de sigilos da Maridt Participações, empresa que tem o ministro Dias Toffoli como sócio. Em editoriais publicados nesta quarta-feira, 4, o Estadão e a Gazeta do Povo convergem na tese de que o Supremo Tribunal Federal (STF) utiliza expedientes heterodoxos para impedir investigações que atinjam seus próprios integrantes, ignorando ritos que a própria Corte impõe aos demais Poderes. A Folha de S.Paulo também publicou um editorial sobre a blindagem nesta terça-feira, 3.

+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste

Receba nossas atualizações

O Estadão classificou a medida como “garantismo à la carte“. O jornal destaca a contradição de Gilmar Mendes, que acusou a CPI do Crime Organizado de “abuso de poder” e “extrapolação de objeto” um dia após referendar os inquéritos “intermináveis e metamórficos” conduzidos por Alexandre de Moraes. Para o periódico paulista, a elasticidade jurídica do STF desaparece quando a investigação mira o tribunal, transformando-se em um bloqueio antecipado de coleta de informações.

A ‘manobra da ressurreição’ processual

A Gazeta do Povo detalhou o que chamou de “elástico jurídico” aplicado por Gilmar Mendes. Para evitar que o pedido da empresa de Toffoli fosse a sorteio aleatório, a defesa peticionou dentro de uma ação de 2021, já arquivada, que tratava da CPI da Covid e da produtora Brasil Paralelo. Gilmar, que era o relator daquele caso antigo, “ressuscitou” o processo apenas para decidir a favor do colega e, em seguida, determinou a destruição de qualquer material já enviado aos senadores.

O editorial da Gazeta afirma que a manobra deixou perplexos setores da opinião pública e classificou a ação como puro “corporativismo”. O jornal rebate a tese de falta de fundamentação da CPI, lembrando que a Maridt vendeu cotas de um resort a um fundo ligado à administradora Reag — empresa citada na Operação Carbono Oculto por suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado.

O ‘STF Futebol Clube’ em campo

A Gazeta do Povo cita ainda a expressão “STF Futebol Clube” para descrever o espírito de corpo na Corte. Além de Gilmar, o editorial menciona a colaboração do ministro André Mendonça, que dispensou os irmãos de Toffoli de comparecerem à CPI. O jornal argumenta que, embora exista o direito à não autoincriminação, isso não desobriga o comparecimento, e que a blindagem impede que o país receba respostas sobre a rede de empresas investigada.

O Estadão conclui que um Poder que define unilateralmente seus próprios limites já não interpreta a Constituição, mas a administra em defesa de interesses pessoais. O jornal ressalta que a concentração de qualquer investigação de ministros em um único gabinete — o de Gilmar — tensiona princípios elementares do Estado de Direito, como o juiz natural e a transparência.

Leia também: “Gilmar avalia levar ao plenário do STF debate sobre quebras de sigilo por CPIs”

2 comentários
  1. CARLOS GUEDES
    CARLOS GUEDES

    A “grande imprensa” – vendida há muito tempo ao “sistema” – ao parece começou a entender o tamanho da canalhice que ela tem apoiado vergonhosamente. Parece que estão acordando, ao ponto de até descobrirem tudo aquilo que tem estado óbvio para qualquer indivíduo honrado, sério, honesto: que o STF e grande parte do Judiciário , que grande parte do Legislativo e o Executivo foram transformados numa grande organização mafiosa. E a tarefa dos gilmares da vida, no momento, é tentar salvar os rabos dos comparsas.
    Eu não tenho qualquer dúvida que esse Gilmar KK – o grande provedor de habeas corpus para criminosos e compadres – tem o rabo preso nas maracutaias do Volcaro. Já está claro que Moraes e Toffoli eram do time do cara. e se locumpletaram com o esquema. Já está claro que o Alcolumbre está totalmente envolvido nelas via esquemão do INSS, senão, para que os sigilos impostos por ele?
    O envolvimento do Motta ainda não está claro para mim. Mas age como o calhorda corrupto que sempre foi. Ele, os pais e parentes tem rabo preso no STF.
    Enfim …. Os três poderes atuais conseguiram deixar os mafiosos da Sicilia na posição de meros aprendizes de batedores de carteira….

    1. Wagner Cesar Palmieri
      Wagner Cesar Palmieri

      A se fossemos homens com METADE da coragem daqueles garotos nepaleses ou das mulheres iranianas, JÁ TERÍAMOS resolvido o problema e feito a faxina total.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.