publicidade
Imprensa

Decisões sobre 'penduricalhos' revelam superpoder da Corte, diz jurista

Em artigo, advogada analisa como entendimentos recentes sobre punições a juízes fortalecem a centralidade do STF

O encontro antecedeu o julgamento do STF, marcado para esta quarta-feira, 25, que vai analisar se mantém a liminar do ministro Flávio Dino sobre a suspensão dos penduricalhos | Foto: Reprodução/Freepik
O STF tem avançado sobre temas que antes eram restritos a esferas legislativas | Foto: Reprodução/Freepik

Em artigo de opinião publicado nesta segunda-feira, 23, no jornal Folha de S.Paulo, a advogada e doutora em Direito pela USP Eloísa Machado de Almeida faz um alerta sobre o crescente protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ela, decisões recentes que tocam na estrutura da magistratura e na manutenção de benefícios financeiros, os chamados “penduricalhos”, indicam um tribunal cujo poder está em franca expansão.

Segundo a autora, o fenômeno não é necessariamente novo quanto aos argumentos jurídicos utilizados, mas, sim, quanto aos seus efeitos práticos na separação dos Poderes. Eloísa destaca que o tribunal tem avançado sobre temas que antes eram restritos a esferas administrativas ou legislativas. Isso faz com ele se consolide como o “árbitro” final das condições de trabalho e remuneração da própria classe jurídica.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste

De acordo com a jurista, um dos pontos centrais dessa movimentação reside na forma como o STF lida com as sanções disciplinares a magistrados. Ela também diz que a Corte tem sido o palco de debates que definem os limites das punições. E que muitas vezes em detrimento de uma fiscalização mais rigorosa por órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

STF age como árbitro da própria classe

Para Eloísa Machado, essa centralização gera uma espécie de “poder em expansão” que redefine o equilíbrio institucional. Ela afirma que “a novidade não está nos argumentos dos entendimentos mais recentes, mas nos seus efeitos”. Além disso, sugere que as consequências dessas decisões moldam o futuro da magistratura.

Leia também: “Editorial da Folha critica Gilmar Mendes por tentar blindar Toffoli”

A jurista também diz que a Corte valida estruturas que oneram o Erário sob a justificativa de preservação da independência judicial. Segundo ela, as decisões sobre punição a juízes e penduricalhos “são reveladoras de uma postura institucional que coloca o STF em uma posição de comando cada vez mais inalcançável por outros controles democráticos”.

A análise conclui que esse fortalecimento do Judiciário pode gerar um isolamento da cúpula judicial em relação aos anseios de transparência e eficiência.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.