O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida tirou de seu site a reportagem que mostrava quando um homem entrega uma “mochila misteriosa” na residência oficial da vice-governardoria do Maranhão. A decisão pela exclusão do conteúdo se dá por meio de censura judicial. Na última quarta-feira, 18, a Justiça ordenou a retirada do material.
No site que leva o seu nome, Luis Pablo faz questão de avisar que a matéria está censurada por determinação judicial. Ele, entretanto, afirma que vai recorrer do parecer.
Receba nossas atualizações
Confira:
A decisão foi da juíza Lívia Maria da Graça Costa Aguiar, do 10º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís. A magistrada decidiu pela censura da reportagem a pedido do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT).
+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste
Publicamente, Camarão, ao menos num primeiro momento, não explicou o que teria dentro da “mochila misteriosa”. O petista, contudo, acionou a Justiça com pedido de urgência para a exclusão do texto, solicitação essa que Lívia Maria aceitou. Além disso, a juíza impôs multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento da decisão.

Quem é o jornalista-alvo de censura
Natural de São Luís e editor de um site independente, Luís Pablo ganhou projeção desde o último dia 10. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou mandado de busca e apreensão na casa do jornalista. A Polícia Federal (PF) pediu a operação, que contou com o aval da Procuradoria-Geral da República.
Ao solicitar a ação contra o comunicador, a divisão da PF no Maranhão o acusou de “perseguir” a família do ministro Flávio Dino, do STF. Luís Pablo rechaça essa argumentação. De acordo com ele, a operação se deve ao fato de ele mostrar que a mulher do magistrado, Daniela Lima, usava de forma irregular um carro oficial que deveria ser restrito ao comando do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Desde então, o jornalista está sem seus equipamentos de trabalho. Isso porque os agentes da PF levaram de sua casa um computador, dois celulares e um HD externo.
O caso que envolve Luís Pablo gerou comoção, inclusive no exterior. Veículos de comunicação e associações de jornalismo saíram em defesa dele. Tanto o Comitê para Proteção de Jornalistas quanto a Sociedade Interamericana de Imprensa afirmam que a ação que Moraes autorizou viola a liberdade de imprensa e tende a expor a fonte, sendo que o sigilo é um direito que a Constituição brasileira garante.
Todos os detalhes que envolvem o jornalista maranhense e a rede de apoio construída em prol dele constam na reportagem “Liberdade de imprensa sob ataque”. O conteúdo integra a Edição 314 da Revista Oeste.
Leia também: “O Inquérito da Censura”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 314 da Revista Oeste









































Tem mais mistério no latifúndio do Maranhão do que na morte da bezerra.