A emissora BBC manipulou trechos de um discurso de Donald Trump para sugerir que ele incentivou a invasão do Capitólio, conforme divulgado pelo jornal britânico The Telegraph nesta segunda-feira, 3. O programa Panorama, exibido uma semana antes das eleições de 2024 nos EUA, exibiu uma versão editada de uma fala de Trump, que fez parecer uma incitação. Na verdade, ele encorajou os apoiadores a, “de forma pacífica e patriótica, fazerem suas vozes serem ouvidas”.
O vídeo “distorcido” foi destaque em um dossiê de 19 páginas sobre o viés da BBC compilado por um ex-membro do comitê de padrões da emissora e que agora circula em departamentos do governo. O relatório diz que o programa fez o presidente dos EUA “‘dizer’ coisas que ele nunca disse”, ao juntar trechos do início do discurso com trechos ditos quase uma hora depois.
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A edição do Panorama combinou partes separadas do discurso de Trump, realizado em 6 de janeiro de 2021, e intercalou imagens de apoiadores em marcha ao Capitólio antes mesmo de o discurso começar, dando a impressão de uma resposta direta ao suposto “chamado às armas” do presidente.
A BBC está debaixo de fogo por ter editado o discurso de Trump de modo a parecer que apelava à invasão do Capitólio.
— António Costa Amaral (AA) (@antoniocostaama) November 4, 2025
É mais um exemplo como certos canais públicos de televisão – sujeitos a tutelas políticas, e capturados por matilhas ideológicas – há muito abandonaram qualquer… pic.twitter.com/9YUaMDlv89
O documento afirma que executivos seniores e o presidente da BBC ignoraram e rejeitaram uma série de queixas graves levantadas pelo próprio órgão interno de fiscalização de padrões. Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, acusou a emissora de desonestidade. Ele republicou a matéria do The Telegraph no X e escreveu: “Os ‘repórteres’ fake news do Reino Unido são tão desonestos e cheios de m**** quanto os daqui dos EUA!!!!”
De acordo com o dossiê, chefes da BBC, incluindo o diretor-geral, Tim Davie, e o presidente, Samir Shah, teriam ignorado reclamações de parcialidade feitas ao conselho interno de fiscalização. Nigel Huddleston, secretário-sombra de Estado para Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido, classificou as revelações como “extremamente preocupantes” e pediu explicações imediatas da emissora, além de uma investigação completa. O Partido Conservador também exigiu apuração urgente sobre a exibição do Panorama.
O relatório destaca ainda que o documentário Trump: A Second Chance?, transmitido em outubro do ano passado, favoreceu críticas ao presidente, com dez entrevistados contrários e apenas um apoiador. Não houve edição semelhante sobre Kamala Harris, vice-presidente e rival de Trump na disputa eleitoral.

Michael Prescott, autor do relatório e conselheiro externo da BBC até junho, comparou a situação ao escândalo Crowngate, de 2007, quando imagens da rainha Elizabeth II foram editadas de forma enganosa. Ele afirmou ter alertado a direção da emissora sobre o risco de estabelecer um “precedente muito, muito perigoso”, mas não obteve retorno.
Prescott encaminhou o relatório aos membros do Conselho da BBC em setembro e criticou o comportamento dos executivos Jonathan Munro, responsável pelo conteúdo de notícias, e Deborah Turness, CEO da BBC News, por não apresentarem soluções transparentes para o problema.
Produzido internamente por Matthew Hill e editado por Karen Wightman, o documentário ficou disponível na plataforma iPlayer por um ano e depois foi retirado, conforme as regras da BBC. Apesar dos alertas de Prescott, a direção manteve a defesa do Panorama e negou violação das normas editoriais. Em reunião realizada em 12 de maio, Munro alegou que não houve intenção de enganar o público e que edições em falas públicas são práticas comuns.
Prescott discordou e citou o Crowngate como exemplo de consequências graves para edições enganosas. Turness justificou a edição ao mencionar investigações do Congresso dos EUA, mas Prescott rebateu que isso não dava direito à BBC de alterar o conteúdo das falas de Trump. Nem Davie nem Shah comentaram o posicionamento de Munro e Turness durante o encontro.
Além do discurso de Trump, BBC manipulou ordem de acontecimentos
De acordo com a edição do Panorama, Trump teria incitado a invasão ao dizer: “Vamos caminhar até o Capitólio, e eu estarei lá com vocês, e nós lutaremos. Lutaremos como se não houvesse amanhã e, se você não lutar assim, não terá mais um país”. A BBC vinculou a fala a imagens de pessoas em marcha, sem mencionar que as cenas eram anteriores ao discurso.
Na realidade, Trump declarou: “Vamos caminhar, e eu estarei com vocês, vamos caminhar até o Capitólio para apoiar nossos senadores e congressistas corajosos. Eu sei que todos aqui logo estarão marchando até o Capitólio para fazer suas vozes serem ouvidas de forma pacífica e patriótica”.
O dossiê também afirma que a fala de Trump sobre lutar “como se não houvesse amanhã” aconteceu quase uma hora depois, no contexto de questionar eleições alegadamente corruptas. “A maioria das pessoas agradece e segue sua vida, mas eu disse que algo está errado… e nós lutamos.” Prescott destacou que a edição do Panorama induziu o público ao erro e que Trump não incitou explicitamente os manifestantes, o que explicaria a ausência de acusações federais por incitação.

O Panorama incluiu ainda áudio de uma policial que fala sobre “300 Proud Boys”, como foram chamados os manifestantes nos EUA, a caminho do Capitólio, mesmo com análise da própria BBC, de fevereiro de 2021, comprovando que o grupo já marchava antes do início do discurso. As imagens usadas no programa foram gravadas às 10h58, uma hora antes do pronunciamento de Trump.
O memorando também aponta falhas em outros setores da BBC, como viés na cobertura da guerra em Gaza pelo serviço árabe e alegações de “censura efetiva” em temas sobre pessoas transgênero. Parlamentares da oposição avaliam pedir à secretária de Cultura, Nadine Dorries, uma investigação formal. Integrantes do Comitê de Cultura, Mídia e Esportes do Reino Unido podem convocar gestores da emissora para esclarecimentos.
O escândalo Crowngate resultou na renúncia do controlador da BBC One à época, diante de um relatório que apontou edição descuidada, mas sem intenção deliberada de enganar. Sobre o caso atual, Prescott preferiu não comentar ao Telegraph. Um porta-voz da BBC declarou que, embora não comente documentos vazados, a emissora leva a sério o retorno que recebe e que divergências sobre cobertura jornalística são parte do cotidiano do comitê editorial.






































Típico da extrema esquerda corrupta
Vai custar bem caro a indenização