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Agradar os ‘companheiros’ é a ética da gestão do PT, diz Estadão

Em editorial publicado nesta quarta-feira, 26, o jornal discorre sobre a dinâmica de aparelhamento do Estado pelos governos petistas

Agradar os ‘companheiros’ é a ética da gestão do PT, diz Estadão
Anielle Franco e Carlos Lupi, ministros da Igualdade Racial e da Previdência, respectivamente, foram indicados por Lula, em 2023, para o conselho da Tupy | Foto: Reprodução/X

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu, neste mês, um processo administrativo para apurar possíveis irregularidades na nomeação de três ministros do governo do PT para cargos no conselho de uma empresa privada. Eles foram indicados por Lula, em 2023, para assumir postos no conselho de administração da Tupy, uma metalúrgica multinacional.

Carlos Lupi, do Ministério da Previdência, Anielle Franco, da Igualdade Racial, e Vinicius Marques de Carvalho, da Controladoria-Geral da União, tomaram posse dos cargos, por indicação do BNDES, sem a prévia autorização da Comissão de Ética Pública, como exige a Lei de Conflito de Interesses. 

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O evento, diz o jornal O Estado de S. Paulo, escancara o real projeto do PT: o desenvolvimento de seus próprios interesses. 

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Lula e seus correligionários vendem a si mesmos como campeões da ética e defensores do Estado, mas há muito a maioria dos brasileiros não compra essa fantasia por seu valor de face e sabe o que se esconde sob a retórica virtuosa do ‘desenvolvimentismo’”, diz um editorial publicado nesta quarta-feira, 26. 

O aparelhamento da máquina pública deixa evidente a captura do interesse público para servir a ambições privadas. Apesar da prática ser comum no Brasil desde as velhas elites políticas, muito antes do PT, “o lulopetismo atingiu o estado da arte da contaminação político-partidária da máquina estatal”, segundo o Estadão

Somente o governo federal tem quase 30 mil cargos e funções preenchidos por nomeação. Já o BNDES tem asseguradas cerca de 30 indicações em conselhos administrativos de mais de 20 empresas nas quais tem participação. Um prato cheio para o PT, que, em todas as suas administrações, busca manobras para inchar o Estado, preenchê-lo com “companheiros” e submetê-lo aos próprios interesses.

Assim, prossegue o editorial, não é surpresa que o partido, já obcecado por regulações estatais sobre o mercado, tenha horror justamente a regulamentos que impõem ao próprio Estado parâmetros de boa governança, como a Lei das Estatais ou das Agências Reguladoras. Ou seja, o caso da Tupy é uma simples consequência lógica. 

Nomeações do PT visam apenas a recompensar os amigos

Até agosto de 2023, o BNDES era representado na Tupy por dois conselheiros de seus próprios quadros com experiência em energia e gestão empresarial. As nomeações concordavam com a política de indicações do banco, que, em tese, visa a “estimular a adoção de melhores práticas de gestão, governança e sustentabilidade pelas companhias investidas e, assim, promover a geração de valor para tais empresas”. 

Entretanto, diz o Estadão, o governo entendeu que seria muito mais condizente substituir os dois nomes técnicos do BNDES por Carlos Lupi e Anielle Franco. A indicação de Lupi, licenciado da presidência do PDT, violou a própria política interna do banco público de não nomear dirigentes partidários. 

Quanto a Anielle, entregar a ela o comando de um ministério no governo já era questionável — afinal, sua credencial mais valiosa é ser irmã de Marielle Franco —,  quanto mais sua nomeação ao conselho de uma multinacional de ferro fundido, questiona o jornal. 

“Quando o PT aparelha empresas privadas nas quais o Estado tem participação, imagina-se que o objetivo seja tentar submeter essas empresas ao projeto político do lulopetismo”, diz o editorial. “No entanto, considerando o total despreparo técnico dos indicados, conclui-se que o propósito real é mais trivial: recompensar a companheirada com cargos e salários generosos.”

O caso da Tupy não é exclusividade. O governo Lula já indicou o então ministro de Direitos Humanos, Silvio Almeida, para o conselho de uma empresa de gás e eletricidade e a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, para o de uma empresa de transformação digital.

Silvio Almeida foi demitido de pasta por acusações de assédio | Foto: Divulgação/Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
Silvio Almeida foi demitido de pasta por acusações de assédio | Foto: Divulgação/Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

Se os indicados do governo “geraram valor” ou não para a Tupy, o mercado financeiro responde. Na época das indicações, as ações chegaram a cair 3%. Mas certamente a Tupy gerou valor real para os indicados: Anielle e Lupi ganham mais de R$ 40 mil por mês, em média — um complemento de renda significativo ao salário de R$ 44 mil no governo.

Essa lógica se aplica a toda a máquina petista de aparelhamento. Para os amigos, essa dinâmica gera muitos dividendos. Mas do ponto de vista do país, conclui o Estadão, “a única coisa que gera é o descrédito em suas instituições e a desconfiança dos investidores”.

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4 comentários
  1. PCC
    PCC

    Essa quadrilha só está no poder graças a vocês e outros veículos de comunicação.
    Vocês não têm moral pra criticar ninguém.

  2. Luiz Renato
    Luiz Renato

    Pois é é vocês do Estadão se deixaram levar uma vez mais por essa trupe de ladrões, criminosos e corruptos. E agora de nada adianta fazer editorialzinhos de merda. Isso muda o que de fato?

  3. FRANCISCO FERREIRA
    FRANCISCO FERREIRA

    Ora, ora, Estadão! Quanta hipocrisia! Vocês também são parte do problema graças ao apoio dado ao cana afetivo e a crucificação de quem poderia impedir tudo isso. O que aconteceu? Cortaram a verba de vocês, também? O PIX não entrou?

  4. Anísio Silva Horta
    Anísio Silva Horta

    MAS É ASSIM QUE A MAIORIA DOS ELEITORES GOSTAM. ALIAS, O ESTADÃO FOI UM DOS QUE FIZERAM CAMPANHA PARA O LADRÃO GANHAR. NAO RECLAMA !!!

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