Em 15 de outubro de 1928, o mundo testemunhou um marco na história da aviação e das viagens transatlânticas: a chegada do LZ 127 Graf Zeppelin aos Estados Unidos, depois de um voo de 111 horas e 44 minutos que cruzou o Atlântico.
A jornada histórica começou na manhã de 11 de outubro de 1928, quando o Graf Zeppelin decolou de Friedrichshafen, sob o comando do renomado piloto Hugo Eckener. A bordo, 40 tripulantes e 20 passageiros, incluindo figuras notáveis como o oficial naval norte-americano Charles E. Rosendahl e a repórter Lady Grace Drummond-Hay, que acompanhava a viagem para o jornal Hearst. O destino: Lakehurst, Nova Jersey, nos Estados Unidos.
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A travessia, no entanto, não foi livre de desafios. Em 13 de outubro, o dirigível enfrentou uma forte linha de tempestades sobre o Atlântico. Eckener, que normalmente diminuía a velocidade em condições adversas, dessa vez optou por manter o poder total da aeronave.
Essa decisão quase resultou em um desastre. Nas mãos de um elevadorista inexperiente, o dirigível foi violentamente jogado para cima, semelhante a incidentes que destruíram outros dirigíveis no passado. O incidente não foi apenas um susto. A estrutura da cauda do Zeppelin foi gravemente danificada, com o revestimento inferior da barbatana de bombordo rasgado. A situação poderia ter levado à perda de controle da aeronave.
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No entanto, Eckener, demonstrando liderança e sangue frio, enviou uma equipe de reparo de quatro homens, incluindo seu próprio filho, Knut Eckener, para consertar o dano em pleno voo. Os reparos foram feitos sob condições extremamente perigosas, mas tiveram sucesso.
Diante da gravidade dos danos e temendo o pior, Eckener tomou uma decisão difícil: enviou um sinal de socorro, consciente de que isso poderia prejudicar a reputação do Graf Zeppelin e de toda a indústria de dirigíveis.
A imprensa captou rapidamente o sinal e, logo, jornais ao redor do mundo publicavam histórias sensacionalistas sobre a iminente destruição do Graf Zeppelin em sua viagem inaugural.
Zeppelin passou por apuros na viagem
Contudo, os reparos se mostraram eficazes e o Graf Zeppelin superou mais um obstáculo ao enfrentar uma segunda tempestade próximo às Ilhas Bermudas. Mesmo com os reparos temporários, a aeronave manteve sua integridade estrutural e, na manhã de 15 de outubro, avistou a costa norte-americana. A travessia estava quase concluída.
Antes de pousar, o Graf Zeppelin fez uma volta triunfal sobre Washington, Baltimore, Filadélfia e Nova York, onde o público norte-americano recebeu a aeronave. A chegada ao campo de pouso naval de Lakehurst, na noite do mesmo dia, foi um momento de grande emoção.
O Graf Zeppelin estava atrasado, danificado e seus ocupantes sem suprimentos básicos, como água e comida, mas a recepção foi digna de heróis. Hugo Eckener, sua tripulação e os passageiros foram saudados com uma parada festiva na Broadway, em Nova York, com chuva de papel picado.
Depois de duas semanas de reparos necessários na barbatana danificada, o Graf Zeppelin partiu de Lakehurst em 29 de outubro de 1928 para o retorno à Alemanha. A viagem de volta foi consideravelmente mais rápida, levando apenas 71 horas e 49 minutos — um tempo recorde para a época, especialmente se comparado aos transatlânticos, que levavam o dobro do tempo para realizar a mesma travessia.
Esse primeiro voo comercial de longa distância demonstrou a segurança e a viabilidade dos dirigíveis e inaugurou uma nova era no transporte aéreo de passageiros e carga. O Graf Zeppelin, durante sua vida operacional, completaria 590 voos, percorrendo mais de um milhão de milhas e transportando milhares de passageiros, além de grandes quantidades de correspondência e carga.
Leia também: “Aviões movidos a mostarda”, reportagem de Evaristo de Miranda publicada na Edição 234 da Revista Oeste









































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