Enquanto milhões de torcedores acompanham os jogos da Copa do Mundo de 2026, outra competição acontece longe dos estádios. Marcas, patrocinadores, fabricantes de material esportivo e a própria Fifa travam uma disputa para proteger os direitos comerciais ligados ao maior torneio de futebol do planeta.
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Muito além dos gols e das decisões dentro de campo, a Copa é sustentada por um complexo sistema de propriedade intelectual. O emblema oficial do torneio, o troféu, o mascote, os logotipos das cidades-sede, a expressão “FIFA World Cup 2026” e diversos outros elementos só podem ser utilizados mediante autorização da entidade.
Essa proteção existe porque esses ativos movimentam bilhões de dólares em contratos de patrocínio, licenciamento de produtos e direitos de transmissão. Empresas que investem para se tornarem patrocinadoras oficiais recebem exclusividade comercial, enquanto marcas que tentam associar sua imagem ao torneio sem autorização podem enfrentar medidas judiciais.
Um dos exemplos mais conhecidos é o chamado marketing de emboscada. A prática ocorre quando uma empresa cria campanhas para dar ao público a impressão de que possui vínculo oficial com a Copa, mesmo sem integrar o grupo de patrocinadores da Fifa. Em grandes eventos esportivos, esse tipo de estratégia é constantemente monitorado pela entidade.
A proteção também alcança o uso comercial da imagem dos jogadores, dos uniformes e de diversos símbolos relacionados às seleções. Embora um torcedor possa publicar fotos ou comentar as partidas normalmente, empresas precisam observar regras específicas caso utilizem elementos oficiais da competição em ações publicitárias.
Segundo especialistas ouvidos pelo JOTA, a propriedade intelectual deixou de ser apenas uma questão jurídica para se tornar parte do modelo de negócios do futebol moderno. Os ativos intangíveis da Copa — como marcas, identidade visual e conteúdo audiovisual — representam uma das principais fontes de receita do torneio e ajudam a financiar sua organização.
Com isso, a Copa do Mundo de 2026 mostra que o espetáculo vai muito além das quatro linhas. Ao mesmo tempo em que reúne algumas das melhores seleções do planeta, o torneio também serve de vitrine para um dos maiores ecossistemas comerciais do esporte, em que cada logotipo, uniforme e transmissão possui valor econômico e proteção jurídica.