De dentro do MetLife Stadium, é possível ver a silhueta dos prédios de Manhattan. Lá longe, a vida na cidade corria com seus percalços, gritos, buzinadas, sonhos, risadas e entreveros. Mas, naquele gramado, tudo isso parou no tempo durante o jogo entre Alemanha e Equador, nesta quinta-feira, 25. Foi como se não houvesse mais nada lá fora. A vida se resumia àquele espaço em que um momento se eternizava.
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Foi lá que a balbúrdia do mundo teve uma pausa. Parou para assistir a saga de uma nação em busca de uma virada. O placar final de 2 a 1 para o Equador, construído com um gol de Angulo e outro, de Plata no fim, provocou urros, lágrimas, longos abraços e cenas de jogadores no chão, extenuados pelo desgaste e pela euforia. Aqueles 90 e poucos minutos mostram o ponto mais alto do futebol em uma partida de Copa do Mundo. A equipe obteve a classificação, como terceiro, para a próxima fase.
Equador na Copa do Mundo
Para os equatorianos, oriundos de um país também marcado por problemas como pobreza e violência, o resultado significou exatamente o que a torcida, em êxtase, bradava nos minutos finais, diante de uma realidade que poderia ser surpreendente. Mas não para eles, que alimentaram sonhos ocultos, imaginando, antes de dormir depois de um dia pesado, um momento em que conseguiriam uma vitória histórica. “Sí se puede”, gritavam.
Os próprios alemães, mesmo já classificados em primeiro, levavam a partida com obstinação e buscaram até o fim o empate, em linha com a ideia de não desistir no esporte. Os rostos incrédulos de Neuer, Rüdiger e Kimmich conduziam a equipe a uma pressão nos minutos finais. Mas os equatorianos estavam decididos. Nada passaria por eles. Nem suspiro. Já com Félix Torres em campo, rebatiam de todas as formas. Quando podiam, saíam tocando a bola com mais controle, tentando aliviar a pressão.
No final, quando a árbitra norte-americana Tori Penso encerrou o jogo, o clima de comoção se espalhou do campo para a arquibancada. Beccacece, o técnico, subiu em uma mureta para cumprimentar a família. Os jogadores se agarravam. Os torcedores, muitos deles em prantos, também não sabiam para onde olhar.
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Uma coisa é certa: em uma Copa do Mundo, o peso do resultado tende a marcar carreiras inteiras. Esses jogadores podem dizer que viveram um ápice de emoção. Momentos como esse são raros. A vida é feita de altos e baixos. O objetivo é fazer os mais altos prevalecerem. Se não se repetirem da mesma forma, pelo menos, serão guardados para sempre, como referência de que Si se puede. Ainda bem.